miniaturadaimagem|246x246px|Gorbatchov em 1987. Em 7 de novembro de 1990, Aleksandr Shmonov tentou assassinar o líder soviético Mikhail Gorbatchov durante o Desfile da Revolução de Outubro de 1990, em Moscou. Shmonov, um dissidente indignado com a forma como Gorbatchov conduzia as reformas democráticas, tentou disparar dois tiros contra Gorbatchov, mas foi identificado e neutralizado pela polícia. Shmonov foi declarado insano e enviado para um “psikhushka” até sua libertação, em 1995.
Foi a primeira tentativa direta de assassinato de um líder soviético desde a tentativa de assassinato de Leonid Brejnev, em 1969, e a última antes da dissolução da União Soviética, um ano depois.
Antecedentes Mikhail Gorbatchov tornou-se secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética em 1985, após a morte de Konstantin Chernenko, tornando-se assim o líder de fato da União Soviética. Gorbatchov, buscando tirar o país de uma “era de estagnação” e afastá-lo do autoritarismo, promoveu uma série de reformas de liberalização com o objetivo de salvar o sistema político e econômico soviético do colapso. Essas reformas, principalmente a glasnost e a perestroika, não conseguiram melhorar o padrão de vida e, muitas vezes, causaram mais problemas em vez de resolvê-los.
Ironicamente, a economia da União Soviética, que se encontrava em estado de estagnação desde a década de 1970, começou a encolher em vez de crescer.
Aleksandr Shmonov nasceu em 21 de fevereiro de 1952, em Leningrado (atual São Petesburgo), em uma família abastada. Após servir no Exército Soviético, trabalhou como mecânico na Fábrica Izhora, em Kolpino. Shmonov era membro do Partido Social Democrata da Rússia, tendo ingressado no partido no final da década de 1980, antes de sua fundação oficial, e era um forte defensor das reformas democráticas na União Soviética. Ele culpou Gorbatchov pela tragédia de 9 de abril em Tbilisi, em abril de 1989, e pelo massacre do “Janeiro Negro” em Baku, em janeiro de 1990. Shmonov se opunha à eleição inaugural para a Presidência da União Soviética (cargo criado por Gorbatchov), marcada para março de 1990. Tratava-se de uma eleição indireta realizada pelo Congresso dos Deputados do Povo, tendo Gorbatchov como único candidato, o que foi considerado por alguns como uma eleição fraudulenta. Com isso, Shmonov decidiu que Gorbatchov deveria ser assassinado para garantir eleições presidenciais democráticas.
Shmonov planejou meticulosamente a tentativa de assassinato, tendo comprado na Alemanha uma espingarda rara com autorização da polícia, que ele então transformou manualmente em uma espingarda serrada. Ele costumava praticar tiro na floresta e, a partir de março de 1990, começou a distribuir panfletos pedindo abertamente a derrubada do Partido Comunista e a morte de Gorbatchov. Antes de partir para Moscou para colocar seu plano em prática, Shmonov escreveu uma carta ao Kremlin apresentando um ultimato, mas ela foi ignorada.
Tentativa Em 7 de novembro de 1990, durante o desfile anual da Revolução de Outubro, Shmonov se disfarçou com um bigode falso e uma peruca e se juntou a uma coluna de manifestantes que se dirigia ao Mausoléu de Lenin, onde a liderança soviética estava posicionada para assistir ao desfile. Ele estava armado com dois cartuchos de espingarda, ambos destinados a Gorbatchov, embora tenha admitido posteriormente que, se um tivesse sido suficiente, teria usado o outro para matar Anatoly Lukyanov, o presidente do Soviete Supremo, que acompanhava Gorbatchov. Shmonov carregava um bilhete no bolso, que havia escrito antecipando sua possível morte, esclarecendo que pretendia matar Gorbatchov. Por volta das 11h, quando Shmonov estava a apenas 47 metros do Mausoléu de Lenin, ele ergueu sua espingarda serrada e disparou dois tiros contra Gorbatchov, mas um policial agarrou o cano no momento da mira, redirecionando os tiros para o céu; em seguida, uma multidão de agentes da KGB que estava à paisana o dominou.
Resultados Shmonov permaneceu em prisão preventiva por um ano antes de ser declarado insano e internado em uma instituição psiquiátrica, onde permaneceu por quatro anos, até 1995, mesmo após a dissolução da União Soviética.
Em 1999, Shmonov tentou se candidatar à Duma Federal por São Petersburgo, mas teve sua candidatura rejeitada pela comissão eleitoral local. Desde então, Shmonov tornou-se ativista dos direitos humanos.
Categoria:1990 na União Soviética Categoria:Mikhail Gorbatchov