Pedro Bueno Cacunda (São Paulo, 1674 — ?) foi um bandeirante paulista responsável por explorações de ouro no interior das atuais Minas Gerais e Espírito Santo no início do século XVIII. É considerado pela historiografia local um dos pioneiros da mineração e da colonização na região onde hoje se situa o município de Castelo, no Espírito Santo, tendo também deixado registro de suas explorações do rio Manhuaçu em carta enviada ao rei de Portugal.
Origem familiar Pedro Bueno Cacunda nasceu por volta de 1674-1675 em São Paulo, filho de Bartolomeu Bueno de Camargo — falecido por volta de 1685 — e de Izabel de Freitas. Era neto paterno de Bartolomeu Bueno da Ribeira, também chamado "Bartolomeu Bueno Cacunda", irmão de Amador Bueno e casado com Marianna de Camargo, filha de Jusepe de Ortiz Camargo. Descendia, assim, da tradicional família paulista dos Bueno da Ribeira, cujo tronco remonta a Bartolomeu Bueno da Ribeira, "o Sevilhano", chegado à colônia em 1582 ou 1583 na armada espanhola do almirante Diego Flores de Valdés. Por essa linhagem, Pedro Bueno Cacunda era ainda sobrinho-neto de Amador Bueno, aclamado — segundo a tradição — "rei de São Paulo" em 1641.
Explorações e mineração Segundo a tradição historiográfica local, Pedro Bueno Cacunda partiu de Taubaté por volta do ano de 1700, dirigindo-se a Ouro Preto e Mariana, em Minas Gerais, e depois ao sertão de Cataguases, onde adquiriu terras e construiu residência que serviu de base para novas expedições.
Atraído pela notícia de que havia ouro em ribeiros próximos ao litoral, vendeu suas propriedades e organizou uma expedição que desceu o rio Doce até a Capitania do Espírito Santo. Ali teria se encontrado com outro explorador, Domingos Luiz Cabral, que o informou sobre a existência de ouro em abundância no rio Manhuaçu, na região que corresponde ao atual município mineiro de Manhuaçu.
De acordo com o historiador Alberto Lamego, Pedro Bueno Cacunda teria chegado à área da Serra do Castelo em 1705, dando início à exploração aurífera local em meio a forte resistência dos indígenas puris, habitantes da região. Apesar dos conflitos, conseguiu fundar o Arraial de Santana, núcleo que deu origem à atual Fazenda de Povoação, em Castelo.
Em 1734, Pedro Bueno Cacunda enviou uma carta ao rei de Portugal relatando ter explorado o rio Manhuaçu "da foz à cabeceira", documento citado por historiadores locais da região de Manhuaçu como registro de suas expedições e de contatos com grupos indígenas puris e coroados, que utilizavam ouro nativo como adornos e apetrechos de pesca.
Declínio da atividade e últimos anos Em 1751, Domingos Correia da Silveira foi nomeado capitão do distrito das minas de Santana do Castelo, cargo que, segundo relatos, desagradou Pedro Bueno Cacunda. Desanimado com a perda de sua posição de destaque na região, retirou-se para as cachoeiras do rio Doce, não havendo registros historiográficos claros sobre o restante de sua vida.
Legado A tradição histórica de Castelo, no Espírito Santo, atribui a Pedro Bueno Cacunda o papel de pioneiro na exploração aurífera da Serra do Castelo e na fundação do primeiro núcleo de povoamento da região, o Arraial de Santana. Essa versão apoia-se, entre outras fontes, na obra A colonização do município de Castelo, do marechal Tristão de Alencar Araripe.
Ver também Bandeirantes Castelo (Espírito Santo) Capitania do Espírito Santo
Referências
Ligações externas Quem foi Pedro Bueno Cacunda — Descubra Castelo
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