Ajuricaba é uma romance gráfico brasileiro escrito por Ademar Vieira, ilustrado por Jucylande Júnior, com arte-final de Tieê Santos e capa de Ana Valente, publicada em 2020 pelo selo Black Eye Estúdio. A obra retrata a trajetória do líder indígena Ajuricaba, chefe da nação dos manaós que liderou a resistência contra a colonização portuguesa na Amazônia durante o século XVIII. A narrativa combina fatos históricos com elementos ficcionais, baseando-se em pesquisas sobre a ocupação portuguesa da região amazônica.

Em 2021, a obra foi indicada ao Prêmio Jabuti na categoria Histórias em Quadrinhos e também recebeu indicação ao Troféu HQ Mix e ao Prêmio Angelo Agostini.

Enredo Ambientada durante o processo de colonização portuguesa da Amazônia, a história acompanha Ajuricaba desde sua juventude até tornar-se líder dos Manaós. Ao longo da narrativa, o personagem reúne diferentes povos indígenas para enfrentar o avanço colonial português, em uma campanha militar inspirada nos registros históricos sobre a resistência indígena na região do Rio Negro.

Embora utilize recursos ficcionais próprios da narrativa em quadrinhos, a obra procura reconstruir o contexto histórico da Amazônia colonial, incorporando referências à cultura material, à organização política dos povos originários e ao vocabulário da extinta língua manao.

Produção O roteiro foi escrito pelo jornalista Ademar Vieira e os desenhos ficaram a cargo de Jucylande Júnior. A arte-final foi realizada por Tieê Santos e a capa por Ana Valente. Segundo os autores, a obra foi desenvolvida a partir de pesquisas sobre a história da resistência indígena na Amazônia, buscando representar diferentes povos da região de forma distinta dos estereótipos frequentemente presentes em obras de ficção.

Recepção A HQ recebeu avaliações positivas da crítica especializada por sua abordagem da história indígena brasileira e pela pesquisa histórica empregada na construção da narrativa.

Em artigo publicado na revista Piauí, Camille Lichotti destacou a obra como uma releitura da história de Ajuricaba baseada em pesquisas históricas e observou sua contribuição para recuperar a memória da resistência indígena na Amazônia.

A obra também foi objeto de estudos acadêmicos. Em artigo publicado na Revista de Estudos Acadêmicos de Letras, pesquisadores da Universidade Federal do Pará afirmam que a HQ constitui uma ferramenta para discutir a resistência indígena, a diversidade cultural amazônica e a representação dos povos originários nos quadrinhos brasileiros.

Em maio de 2026 a editora Conrad anunciou a republicação de Ajuricaba em nova edição impressa.

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