David Magila (São Caetano do Sul, 1979) é um artista visual, pesquisador e professor brasileiro-lituano. Sua produção concentra-se na pintura contemporânea e investiga relações entre paisagem, arquitetura, memória, cor e espaço urbano.

É mestre em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e bacharel em Artes Visuais pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Desde 2026 atua como professor substituto no Departamento de Artes Plásticas da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.

Ao longo de sua carreira participou de exposições individuais e coletivas em museus, centros culturais, galerias e bienais no Brasil e no exterior, entre elas a Bienal Internacional de Cerveira, o Programa Convergente da Bienal Anozero, o Museu Lasar Segall, a FGV Arte, o Sesc e a Galeria SESI Minas.

Formação

David Magila graduou-se em Artes Visuais pela Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (UNESP). Posteriormente concluiu o mestrado em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolvendo pesquisa voltada às relações entre pintura contemporânea, arquitetura, paisagem e fragmentação da imagem.

A pesquisa desenvolvida pelo artista aborda a pintura como um campo de reorganização da experiência visual da cidade, aproximando procedimentos pictóricos de questões relacionadas à memória, urbanização e construção da paisagem contemporânea.

Carreira

A produção de David Magila desenvolve-se no campo da pintura contemporânea, articulando investigações sobre paisagem, arquitetura, memória e processos de transformação do espaço urbano. Além da pintura, sua prática inclui instalações e intervenções concebidas para espaços específicos, frequentemente relacionadas à observação de estruturas arquitetônicas, ruínas, canteiros de obras e elementos da cidade.

Entre suas primeiras exposições individuais está Tudo pelas Beiradas, apresentada em 2015 na Galeria Contempo, em São Paulo, com curadoria de Ricardo Resende. O texto crítico que acompanhou a exposição discutiu aspectos da construção espacial da pintura e das relações entre imagem, arquitetura e matéria pictórica.

No ano seguinte realizou duas exposições individuais: No Quase Platô, no Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), e Meio-fio, na Galeria Oma, em São Paulo. A mostra Meio-fio foi incluída entre as indicações culturais da Folha de S.Paulo.

Em 2017 apresentou Como Vencer o Morro, na Galeria Mamute, em Porto Alegre. O texto crítico da exposição, assinado por Mario Gioia, relacionou a produção do artista a procedimentos de construção da paisagem, destacando a aproximação entre pintura, arquitetura e experiência urbana.

No mesmo ano recebeu o prêmio do 1º Festival Casa Camelo, em Belo Horizonte, e também foi premiado no 40º Salão de Arte Contemporânea de Ribeirão Preto e no III Concurso Itamaraty de Arte Contemporânea, promovido pelo Ministério das Relações Exteriores.

Em 2019 realizou a exposição individual Frequentes Conclusões Falsas, na Galeria Janaina Torres, em São Paulo. O texto crítico de Taísa Palhares destacou a construção de imagens fragmentadas e a maneira como a pintura reorganiza referências provenientes da arquitetura e da paisagem urbana.

Ainda em 2019 desenvolveu a instalação Kauptukai, concebida para o 2º Festival Labas, realizado na Fundação Ema Klabin, em São Paulo.

No mesmo ano recebeu o prêmio do 23º Cultura Inglesa Festival com o projeto Tudo é Dissimulado. A programação do festival foi destacada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

Obras do artista também foram apresentadas em reportagem exibida pelo programa Encontro com Fátima Bernardes, da TV Globo, dedicada à produção artística contemporânea.

Em 2020 foi selecionado para a 21ª Bienal Internacional de Cerveira, realizada em Vila Nova de Cerveira, Portugal. Na ocasião apresentou a obra Frequentes Conclusões Falsas 34 (2017). Sua participação foi destacada pela revista Veja São Paulo, que apresentou aspectos do processo de construção da pintura e da inserção do artista na bienal portuguesa.

Em 2021 foi convidado pelo curador Giancarlo Hannud para realizar a exposição Intervenções XIII, no Museu Lasar Segall, em São Paulo. O projeto consistiu em uma intervenção concebida especificamente para os espaços do museu, dando continuidade às pesquisas do artista sobre pintura, arquitetura e ocupação do espaço expositivo.

Em 2023 apresentou a exposição individual Pintura Forjada, no Sesc Nova Friburgo, acompanhada de texto crítico de Paula Borghi. A autora analisa a pintura de Magila a partir da construção da imagem, da materialidade pictórica e das relações entre superfície e memória.

Ainda em 2023 participou da exposição coletiva Vibrações, realizada no Tropigalpão, no Rio de Janeiro, com curadoria de Paulo Venancio Filho.

No mesmo ano integrou a exposição A Quarta Geração Construtiva, promovida pela FGV Arte, sob curadoria de Paulo Herkenhoff e Leno Veras. A mostra reuniu artistas de diferentes gerações vinculados ao legado construtivo brasileiro.

Em 2024 participou do Programa Convergente da 24ª Bienal Anozero, realizada em Coimbra, Portugal. No mesmo ano apresentou a exposição individual Nem Tudo que Parece é Ruína, no Parque Glória Maria, no Rio de Janeiro.

Também em 2024 passou a integrar o acervo do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (MACRS), após a incorporação da obra Frequentes Conclusões Falsas 46 às novas aquisições do museu.

Em 2025 realizou a exposição individual Não Basta Remover os Escombros, na Galeria SESI Minas, em Belo Horizonte. A mostra reuniu pinturas produzidas entre 2013 e 2025 e foi acompanhada por reportagem publicada pelo jornal Estado de Minas, que destacou as relações entre memória, ruína, arquitetura e construção pictórica presentes na produção do artista.

Ainda em 2025 participou das exposições coletivas A memória é uma paisagem contemplada de um comboio em movimento, na Galeria Izabel Pinheiro, e No Tempo das Sutilezas, na Galeria Mamute, em Porto Alegre.

Em 2026, realizou a exposição individual "Corpo Continente" com a curadoria de Wagner Nardy na Fundação de Artes de Ouro Preto (FAOP) em Minas Gerais

Poética e pesquisa

A produção de David Magila concentra-se na pintura contemporânea, investigando relações entre paisagem, arquitetura, memória e processos de transformação do espaço urbano. Sua pesquisa parte da observação de estruturas arquitetônicas, canteiros de obras, ruínas, demolições e elementos da cidade, que são reorganizados por meio da cor e da construção pictórica.

Embora mantenha referências ao espaço urbano, suas pinturas não se apresentam como representações descritivas da cidade. Fragmentos de edificações, planos cromáticos, estruturas arquitetônicas e elementos vegetais são deslocados e reorganizados, produzindo imagens situadas entre a abstração e a figuração.

A cor ocupa papel central em sua pesquisa. Em vez de funcionar apenas como elemento descritivo, é utilizada como estrutura construtiva da imagem, reorganizando espacialmente os diferentes fragmentos que compõem a pintura.

Segundo a crítica Paula Borghi, a pintura de Magila evidencia um processo de construção contínua da imagem, no qual sucessivas camadas de tinta reorganizam a composição sem estabelecer uma hierarquia definitiva entre figura e fundo.

Mario Gioia observa que a produção do artista aproxima procedimentos pictóricos da experiência arquitetônica, estabelecendo relações entre construção, deslocamento e percepção do espaço urbano.

Para Taísa Palhares, as pinturas da série Frequentes Conclusões Falsas operam por meio da fragmentação da paisagem e da instabilidade das relações espaciais, produzindo imagens em permanente reorganização.

No texto crítico da exposição Tudo pelas Beiradas, Ricardo Resende destaca a construção da pintura como um processo de aproximação entre matéria, arquitetura e experiência visual, identificando a paisagem como um campo de experimentação e não como representação literal.

Ao comentar seu processo de trabalho, Magila afirmou que a pintura funciona como um espaço de reorganização da experiência da paisagem, no qual diferentes tempos, memórias e estruturas espaciais podem coexistir em uma mesma composição.

Recepção crítica

A produção de David Magila foi objeto de análises por críticos, curadores e pesquisadores de arte contemporânea, particularmente em torno das relações entre pintura, paisagem, arquitetura e memória.

No texto da exposição Tudo pelas Beiradas (2015), o curador Ricardo Resende identifica na pintura do artista um procedimento de construção espacial baseado na articulação entre matéria pictórica e experiência arquitetônica. Segundo Resende, as obras apresentam uma organização visual que aproxima processos construtivos da prática da pintura, deslocando a paisagem de uma representação descritiva para um campo de experimentação formal.

Ao analisar a exposição Como Vencer o Morro (2017), Mario Gioia relaciona a pesquisa de Magila às transformações da paisagem urbana contemporânea. O crítico observa que a pintura incorpora referências arquitetônicas sem reproduzi-las literalmente, articulando elementos de construção, deslocamento e percepção do espaço.

Na exposição Frequentes Conclusões Falsas (2019), Taísa Palhares destaca a fragmentação como um dos procedimentos centrais da obra. Para a crítica, a pintura reorganiza continuamente relações entre figura e espaço, evitando composições estáveis e produzindo imagens marcadas por deslocamentos e ambiguidades visuais.

Em Pintura Forjada (2023), Paula Borghi analisa a materialidade da pintura de Magila e sua construção por sucessivas camadas de tinta. Segundo Borghi, o artista desenvolve um processo em que a imagem permanece aberta a reorganizações, aproximando pintura, tempo e memória.

Em entrevista à revista Arte!Brasileiros, Maria Hirszman relaciona a produção do artista à investigação da paisagem como um conjunto de fragmentos em constante transformação, destacando a presença recorrente de estruturas urbanas, vegetação e ruínas em suas pinturas.

Em reportagem publicada pelo Estado de Minas por ocasião da exposição Não Basta Remover os Escombros, a produção do artista foi apresentada como uma investigação sobre as transformações da paisagem contemporânea e os processos de construção e desaparecimento do espaço urbano, enfatizando a relação entre memória e ruína presente em sua obra.

A participação de Magila na exposição A Quarta Geração Construtiva, organizada pela FGV Arte em 2023, foi apresentada pela revista DasArtes como parte de uma mostra dedicada à permanência e às reinterpretações do legado construtivo brasileiro em produções contemporâneas.

Exposições selecionadas

Individuais

2015 – Tudo pelas Beiradas, Galeria Contempo, São Paulo.

2016 – No quase platô, Museu de Arte de Ribeirão Preto (MARP), Ribeirão Preto.

2017 – Como vencer o morro, Galeria Mamute, Porto Alegre.

2019 – Frequentes Conclusões Falsas, Galeria Janaina Torres, São Paulo.

2023 – Pintura Forjada, Sesc Nova Friburgo, Nova Friburgo.

2024 – Nem Tudo que Parece é Ruína, Parque Glória Maria, Rio de Janeiro.

2025 – Não Basta Remover os Escombros, Galeria SESI Minas, Belo Horizonte.

2026 – Corpo Continente, Fundação de Arte de Ouro Preto, Minas Gerais.

Exposições coletivas

2017 – Fragmentos de um Discurso Pictórico, Galeria Roberto Alban, Salvador 2020 – 21ª Bienal Internacional de Cerveira, Vila Nova de Cerveira, Portugal.

2021 – Intervenções XIII, Museu Lasar Segall, São Paulo.

2023 – Vibrações, Tropigalpão, Rio de Janeiro.

2023 – A Quarta Geração Construtiva, FGV Arte, Rio de Janeiro.

2024 – Programa Convergente da 24ª Bienal de Coimbra (Anozero Ágora), Coimbra, Portugal.

2024 – Acervo: Caminho para as Aquisições do MACRS, Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul.

2025 – A Memória é uma Paisagem Contemplada de um Comboio em Movimento, Galeria Izabel Pinheiro, São Paulo.