Asma binte Umais (; m. c. ) foi uma das primeiras companheiras de Maomé, pertencente à tribo dos catamitas. Converteu-se ao islão ainda nos primeiros anos da pregação em Meca, antes de Maomé estabelecer-se na Casa de Alarcame, e participou da Pequena Hégira para a Abissínia ao lado do marido Jafar ibne Abi Talibe. Tornou-se conhecida por ter recebido do profeta o reconhecimento de haver realizado duas migrações, para a Abissínia e posteriormente para Medina.

Após a morte de Jafar na Batalha de Muta, casou-se sucessivamente com Abu Becre e, depois da morte deste, com Ali. Foi mãe de , Maomé ibne Abi Becre e outros filhos que desempenharam papel relevante na história do islão primitivo, tornando-se um elo entre três das mais importantes famílias da primeira comunidade muçulmana. Além de sua atuação na vida política e familiar da comunidade islâmica, destacou-se como transmissora de hádices, sendo-lhe atribuídas cerca de sessenta tradições preservadas nas principais coleções canônicas. Também ficou conhecida por sua habilidade na interpretação de sonhos, por conhecimentos adquiridos durante sua permanência na Abissínia e por diversos episódios relacionados aos últimos anos da vida de Maomé.

Vida

Filha de e de , ambos companheiros de Maomé, Asma pertencia ao ramo catamita dos árabes. Era irmã, entre outros, de Maimuna binte Alharite, esposa de Maomé, de Lubaba binte Alharite e de , cujos casamentos com destacados companheiros contribuíram para tornar sua família uma das mais influentes da primeira geração islâmica. Segundo a tradição, converteu-se ao islão antes de Maomé estabelecer-se na Casa de Alarcame, figurando entre os primeiros fiéis a prestar-lhe juramento de fidelidade. Casou-se inicialmente com Jafar ibne Abi Talibe, acompanhando-o na Pequena Hégira para a Abissínia, onde o casal permaneceu durante vários anos sob a proteção do negus Axame. Nesse período nasceram seus filhos , e . O casal regressou a Medina em 628, pouco depois da Conquista de Caibar, permanecendo junto de Maomé até a morte de Jafar na Batalha de Muta, em 629.

Pouco depois do retorno da Abissínia, Asma protagonizou um conhecido episódio envolvendo Omar. Ao ouvir dele que os emigrantes de Meca para Medina possuíam maior mérito religioso do que aqueles que haviam emigrado para a Abissínia, contestou essa afirmação, lembrando que ela e seus companheiros haviam vivido durante anos afastados da comunidade islâmica entre estrangeiros, privados da convivência com Maomé. Consultado sobre a questão, o profeta declarou que os emigrantes da Abissínia haviam recebido a recompensa de duas migrações — uma para a Abissínia e outra para Medina — tradição preservada nas principais coleções de hádices. Após ficar viúva, casou-se com Abu Becre em 630. Durante a viagem para a Peregrinação de Despedida, deu à luz Maomé ibne Abi Becre. Quando Abu Becre morreu, foi ela quem preparou e lavou seu corpo, conforme disposição testamentária do califa. Mais tarde casou-se com Ali, irmão de seu primeiro marido, com quem teve e , embora algumas tradições mencionem em lugar deste último.

Asma era considerada uma mulher habilidosa e culta. As fontes atribuem-lhe talento para interpretar sonhos, sendo ocasionalmente consultada por Omar, além de conhecimentos de medicina e de costumes aprendidos durante sua permanência na Abissínia. Durante a enfermidade final de Maomé, participou da administração de um medicamento etíope aplicado ao profeta, episódio que terminou com a repreensão deste por ter recebido o remédio contra sua vontade. Também se relata que trabalhava no curtimento de couro e que confeccionou, segundo o costume aprendido na Abissínia, um caixão coberto para o sepultamento de uma mulher muçulmana, atribuído em diferentes tradições a Fátima ou a Zainabe binte Jaxe. Igualmente obteve autorização de Maomé para realizar ruqya em seus filhos, frequentemente acometidos pelo mau-olhado. Em reconhecimento por sua conversão precoce e pelos serviços prestados ao islão, Omar concedeu-lhe uma pensão anual de mil dirrãs. Nos últimos anos de vida sofreu profundamente com a morte do filho Maomé ibne Abi Becre, morto no Egito em 658, e, cerca de dois anos depois, com a morte de Ali. As fontes indicam que sobreviveu ao último marido, situando sua morte em 39 ou, mais provavelmente, 40 A.H. (659–661).

Bibliografia

Categoria:Companheiros de Maomé Categoria:Árabes do século VII Categoria:Pessoas do Califado Ortodoxo Categoria:Mulheres do século VII Categoria:Catamitas