Alualide ibne Almuguira Almaquezumi (; c. – ) foi um nobre coraixita de Meca, pertencente ao clã maquezumita. Destacou-se como um dos homens mais ricos, influentes e respeitados da cidade no período imediatamente anterior ao surgimento do islão. Reconhecido por sua habilidade política, eloquência, conhecimento da poesia árabe e vasto patrimônio, exerceu papel destacado na vida econômica e religiosa de Meca. Foi pai do general Calide ibne Alualide e figura entre os mais notáveis opositores de Maomé durante os primeiros anos da pregação islâmica.
Vida
Alualide nasceu em Meca por volta de 530. Era filho de Almuguira ibne Abedalá, cuja riqueza e generosidade lhe haviam assegurado posição de destaque entre os coraixitas. Em razão do prestígio de seu pai, os descendentes de Almuguira passaram a ser conhecidos coletivamente como os almuguiritas (Banu Almuguira), constituindo um dos grupos mais poderosos da aristocracia mecana. Alualide também era chamado de "Ibne Assarrá", em referência à sua mãe, Saara. Dotado de grande fortuna, Alualide possuía jardins irrigados entre Meca e Taife, onde eram cultivadas frutas e hortaliças ao longo de todo o ano. Além de atuar no comércio, algumas fontes o descrevem como ferreiro. Sua posição destacada entre os coraixitas refletia-se em numerosas funções públicas e religiosas. Participou das deliberações que se seguiram à morte de Abede Almotalibe, figurando entre os candidatos a sucedê-lo como principal líder de Meca. Durante a reconstrução da Caaba, foi o primeiro a iniciar a demolição das paredes do santuário, encorajando os demais coraixitas a prosseguirem a obra. Também defendeu que apenas recursos obtidos licitamente fossem utilizados na reconstrução do templo.
As fontes atribuem-lhe ainda diversas iniciativas jurídicas e costumeiras da sociedade árabe pré-islâmica, razão pela qual foi contado entre os chamados "juízes dos árabes". Os coraixitas lhe conferiam títulos honoríficos como "o único", "a menina dos olhos dos coraixitas" e "nosso senhor". Sua riqueza era proverbial, e cronistas posteriores afirmam que possuía mais de doze mil dinares em bens. Para rivalizar com os haxemitas, patrocinava grandes banquetes durante a peregrinação e distribuía alimentos aos peregrinos reunidos em Mina. Alualide rejeitou a mensagem de Maomé e tornou-se um dos mais destacados líderes da oposição coraixita ao islão. Participou das delegações enviadas a Abu Talibe com o objetivo de fazê-lo retirar a proteção concedida ao sobrinho. Numa dessas ocasiões, os coraixitas propuseram que Abu Talibe adotasse , filho de Alualide, entregando-lhes Maomé em troca; a proposta foi rejeitada. Segundo a tradição islâmica, Alualide exerceu forte influência sobre Abu Jaal e outros opositores da nova religião.
Conhecedor da poesia árabe e da retórica, participou das discussões entre os coraixitas acerca de como apresentar Maomé aos peregrinos que visitavam Meca. Após rejeitar descrições como poeta, adivinho ou louco, teria defendido que ele fosse acusado de praticar magia capaz de separar pais e filhos, irmãos e esposos. Os exegetas muçulmanos associaram diversos versículos do Alcorão a Alualide, especialmente a passagem de (74:11–26), tradicionalmente interpretada como uma condenação direta de sua oposição ao islão. Alualide morreu em 622, já com mais de noventa anos de idade, e foi sepultado no cemitério de Hacune. As tradições islâmicas preservaram relatos lendários sobre sua morte, atribuindo-a à reabertura de um antigo ferimento após intervenção do anjo Gabriel. Entre seus numerosos filhos destacaram-se Calide ibne Alualide, que abraçou o islão em 629 e se tornou um dos mais importantes comandantes militares muçulmanos, Alualide ibne Alualide, convertido após a Batalha de Badre, e Hixame, que aceitou o islão durante a Conquista de Meca de 630.
Bibliografia
Categoria:Árabes do século VI Categoria:Árabes do século VII Categoria:Maquezumitas Categoria:Oponentes de Maomé