O Coletivo Juntos (estilizado como Coletivo Juntos! ou apenas Juntos!) é uma organização política brasileira de esquerda fundada em 15 de julho de 2011. Surgiu inspirado por grandes rebeliões populares globais, como a Primavera Árabe, o movimento dos Indignados na Espanha e o Occupy Wall Street.
No movimento estudantil, compõe a oposição ao atual bloco majoritário da União Nacional dos Estudantes (UNE), realizando críticas à esquerda aos posicionamentos governistas da entidade. Acusa a direção majoritária de adotar métodos antidemocráticos para garantir sua hegemonia e de se alinhar de forma acrítica ao governo Lula, em detrimento de uma pauta independente e de confronto ao neoliberalismo.
Além de atuar no movimento estudantil, realiza intervenções nas manifestações de rua, movimentos sociais e políticos. Mantém relações com o Movimento Esquerda Socialista (MES), tendência interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).
História Fundação e primeiros anos (2011-2019) O Juntos! tem suas raízes no coletivo universitário "Romper o Dia". Sua fundação oficial ocorreu durante o 52º Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em 15 julho de 2011. O movimento ganhou projeção nacional ao participar ativamente das Jornadas de Junho de 2013, uma das maiores séries de manifestações populares do Brasil.
Asilo a Edward Snowden Em meio às revelações da espionagem dos EUA, o Coletivo Juntos passou a defender a concessão de asilo político a Edward Snowden no Brasil. Em julho de 2013, o Coletivo realizou atos em frente ao Itamaraty e organizou o Snowden Day — movimento internacional de protesto e solidariedade a Snowden — no Brasil, com manifestações em capitais de todo o país, entregando cartas ao Ministério das Relações Exteriores. Na ocasião, porém, um diplomata informou aos ativistas que o governo já havia decidido não conceder o asilo, e que a mudança da posição "ia além do Itamaraty".
Em 19 de dezembro, integrantes do Juntos aproveitaram um evento público com a presidenta Dilma Rousseff (PT) em São Paulo para protestar com máscaras e cartazes pedindo "Asilo para Snowden já!". Durante a cerimônia, um manifestante entregou uma máscara com o rosto de Snowden à presidenta, que reagiu com desaprovação e repassou o objeto a um ministro, sem se manifestar publicamente sobre o caso. Paralelamente, o movimento articulou-se com o ativista David Miranda e a ONG Avaaz para coletar mais de 1,5 milhão de assinaturas em apoio ao pedido.
Apesar da mobilização nacional e da pressão midiática, o governo brasileiro manteve seu veto e Snowden nunca obteve o asilo no Brasil, permanecendo na Rússia.
Anos recentes (2020-atualmente) Intervenção contra figuras racistas O movimento realizou, em agosto de 2021, uma ação simbólica em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, cobrindo placas de ruas que homenageiam figuras ligadas ao racismo e à ditadura militar com adesivos que traziam nomes de personalidades negras. Em São Paulo, a Avenida Doutor Arnaldo, que homenageia um membro da Sociedade Eugênica de São Paulo, foi "rebatizada" como Avenida Jaqueline Goes de Jesus, biomédica que coordenou o sequenciamento do genoma do coronavírus no Brasil. A Rua Dr. Amâncio de Carvalho, na Vila Mariana, teve seu nome trocado pelo de Jacinta Maria de Santana, uma mulher negra cujo corpo foi embalsamado e exposto como curiosidade científica pelo médico homenageado. Em Brasília, a Ponte Costa e Silva foi alterada para Ponte Honestino Guimarães, e no Rio de Janeiro, a Rua Duque de Caxias deu lugar à Rua Tereza de Benguela.
Segundo o movimento, o objetivo era estimular a discussão sobre a construção da memória da cidade e o histórico apagamento de pessoas negras. Em suas redes sociais, o coletivo afirmou ter "colocado adesivos rememorando aqueles que lutaram contra as injustiças, em cima de placas de genocidas e escravocratas".A gente não quer reescrever a história, queremos que ela também seja contada por gente mais simples, por outro ponto de vista que não o da elite branca e masculina. O Brasil tem diversas lideranças populares que podem ser homenageadas também. Os bairros igualmente. Por que não são igualmente homenageados em nomes de rua ou monumentos?
— Letícia Chagas, estudante de Direito, presidente do Centro Acadêmico XI de Agosto e militante do Juntos! sobre a intervenção na Avenida Doutor Arnaldo.Em uma ação posterior, em março de 2023, o Juntos! realizou um protesto semelhante em Porto Alegre. Na madrugada do dia 31, os integrantes cobriram as placas de ruas próximas ao Dopinho, primeiro centro de prisão clandestina e tortura da ditadura no Sul do país, com adesivos que homenageavam quatro militantes políticos presos e torturados pelo regime. As vias foram rebatizadas com os nomes de Ary Abreu Lima da Rosa, Ignez Maria Serpa, Nilce Azevedo Cardoso e Diógenes Carvalho de Oliveira. Segundo Ana Paula Santos, integrante da coordenação do coletivo, a ação foi simbólica "para que a gente lembre os mortos e torturados da ditadura".
Manifestação na COP30 Na noite de 11 de novembro de 2025, integrantes do movimento Juntos, ao lado de indígenas do Baixo Tapajós e de outras organizações, furaram o bloqueio de segurança e ocuparam o acesso à Blue Zone – área restrita a diplomatas, chefes de Estado e imprensa credenciada – entre o Parque da Cidade e o Hangar. O grupo conseguiu ultrapassar o sistema de Raio-X, mas foi contido por um bloqueio de segurança antes de acessar a área restrita. A ação, que durou alguns minutos, foi registrada pela imprensa internacional, com repercussão em veículos como The Guardian, CNN e The Washington Post.
Durante o protesto, os manifestantes empunhavam faixas com os dizeres “Nossa terra não está à venda” e “Ocupamos a COP30 porque quem luta contra a crise climática é o povo e não os bilionários”, além de gritarem palavras de ordem em defesa da taxação de grandes fortunas. As pautas incluíam a denúncia da exploração de petróleo na Margem Equatorial (Foz do Amazonas), a oposição ao Marco Temporal e a crítica à devastação ambiental. O movimento também direcionou suas críticas ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (FFTS), fundo proposto pelo governo brasileiro, classificado pelo movimento como um “projeto de mercantilização da natureza” e uma “farsa” do “capitalismo verde”. Para o Juntos!, a COP é dominada por “lobbies do petróleo” e serve para manter a ilusão de que “algo está sendo feito” dentro das regras do mercado.
A manifestação gerou forte repercussão política e constrangimento ao governo Lula. O presidente teria demonstrado insatisfação com o ocorrido. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (REDE), afirmou que a COP é um espaço democrático, “mas a escuta pressupõe o cumprimento de regras da democracia”. Já o ministro Guilherme Boulos (PSOL), da Secretaria-Geral da Presidência, adotou uma estratégia de apaziguamento.
Ex-militantes notórios David Miranda Fernanda Melchionna Sâmia Bomfim Vivi Reis
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