Nathércia da Cunha Silveira, também conhecida como Natércia da Cunha Silveira (Itaqui, 14 de março de 1905 — 7 de dezembro de 1993) foi uma sufragista, sindicalista e advogada brasileira.O nome da advogada e ativista feminista aparece grafado em diversos documentos como Natércia da Cunha Silveira, embora também apareça em documentos com "th": Nathércia da Cunha Silveira.
Foi a primeira mulher a graduar-se em Direito pela Faculdade de Direito de Porto Alegre (atual UFRGS) e a primeira advogada do Rio Grande do Sul.
Silveira foi uma das fundadoras da União Universitária Feminina. A entidade foi criada no Rio de Janeiro em 1929 para reunir mulheres com ensino superior em defesa dos direitos femininos.
Atuou como procuradora-geral adjunta do Conselho Nacional do Trabalho e foi a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora-geral do Departamento Nacional do Trabalho.
Início de vida Silveira nasceu em 14 de março de 1905, em Itaqui, Rio Grande do Sul, Brasil. Seu pai era Manoel da Cunha Silveira, promotor público em Itaqui e membro do Partido Libertador, e sua mãe era Maria da Conceição do Valle Cunha. Foi uma das seis filhas do casal.
Carreira
Direito Em 1926, Silveira foi a primeira mulher a obter o diploma de bacharel em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Após se formar, Silveira atuou como advogada de defesa. Ainda em 1926, mudou-se para o Rio de Janeiro para continuar exercendo a advocacia. Pouco depois de sua chegada, foi entrevistada pelo jornal O Paiz, ocasião em que falou sobre feminismo, direito ao voto e educação.
No final de 1929, integrou a equipe jurídica da escritora Sylvia Thibau, acusada de assassinar o jornalista Roberto Rodrigues na redação do jornal A Crítica. Sylvia foi absolvida por 5 votos a 2.
União Universitária Feminina Em 1929, Silveira foi uma das fundadoras da União Universitária Feminina, no Rio de Janeiro.
Ela fundou a União ao lado de outras profissionais como Orminda Ribeiro Bastos (advogada), Herminia de Assis (médica), Myrthes de Campos (advogada), Maria Alexandrina Ferreira Chaves (advogada), Juana Lopes (médica), Bertha Lutz (zoóloga), Heloisa Marinho (professora), Carmen Portinho (engenheira civil), Maria Ramalho (advogada), Amélia Sapienza (engenheira civil) e Emilia Snethlage (naturalista e ornitóloga).
Sufrágio feminino Como sufragista e membro da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, Silveira defendia condições iguais de voto entre homens e mulheres no Brasil.
Em janeiro de 1931, Silveira e a também advogada e sufragista Elvira Komel reuniram-se com políticos, entre eles Oswaldo Aranha (ministro da Justiça e Negócios Interiores), Adolpho Bergamini (prefeito do Rio de Janeiro) e José Maria Whitaker (ministro do Interior), além do cardeal Sebastião da Silveira Cintra, para pedir apoio à causa do sufrágio feminino.
Na campanha pelo direito ao sufrágio feminino ela atuou ao lado das advogadas Myrthes Gomes de Campos; Elvira Komel e Almerinda Farias Gama. Nessa campanha, destaca-se o papel de Elvira Komel e Natércia da Cunha Silveira, ao pressionarem a comissão elaboradora da segunda versão do Código Eleitoral, que estendeu o direito de voto à mulher, que não era obrigatório.
Em 1932, quando as mulheres maiores de 21 anos com renda própria e autorização do marido passaram a ter direito ao voto no Brasil, Silveira e Lutz foram as únicas mulheres nomeadas para a Comissão encarregada de redigir o anteprojeto da nova Constituição.
Após divergências políticas com Lutz, Silveira fundou a Aliança Nacional das Mulheres. Tornou-se presidente dessa Aliança, voltada à proteção das mulheres trabalhadoras. As atividades da Aliança incluíam o acompanhamento das condições de trabalho das mulheres, a prestação de assistência jurídica e a organização de um fundo de apoio a mulheres em situação de rua.
Em 1929, atuou como advogada de Francisca de Gaya, primeira mulher que buscou o alistamento eleitoral no Rio de Janeiro.
Em 1934, ela participou da comissão organizadora do anteprojeto constitucional que finalmente consolidou o sufrágio feminino.
Candidaturas políticas Em 3 de maio de 1933, Silveira esteve presente no primeiro pleito em que as mulheres participaram oficialmente como eleitoras e como candidatas em todo o Brasil para escolher as deputadas e deputados da Assembleia Nacional Constituinte. Silveira foi uma das 19 candidatas mulheres ao lado de Alzira Reis Vieira Ferreira, Anna Vieira Cesar, Bertha Lutz, Edith Mendes da Gama e Abreu, Carlota Pereira de Queirós, Catharina Valentim Santanna, Edith Dinorah da Costa Braga, Edwiges Sá Pereira, Georgina de Araujo Azevedo Lima, Ilka Labarthe, Julitta Monteiro Soares da Gama, Leolinda de Figueiredo Daltro, Lucília Wilson Coelho de Souza, Lydia de Oliveira, Maria Pereira das Neves, Maria Rita Burnier Pessoa de Mello Coelho, Martha de Hollanda Cavalcanti de Albuquerque, Theresa Rabello de Macedo e Almerinda de Farias Gama.
Em 1934, Silveira candidatou-se a vereadora pela Frente Única do Distrito Federal e foi eleita suplente. Ainda na década de 1930, Silveira atuou como procuradora-geral adjunta do Conselho Nacional do Trabalho.
Casamento Em 1933, Silveira casou-se com Paulo Arthur Pinto da Rocha, médico e membro da Academia Brasileira de Medicina, com quem teve uma filha. Seu marido faleceu em 1972.
Carreira posterior Em 1964, Silveira tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de diretora-geral do Departamento Nacional do Trabalho (DNT). Em 1965, reuniu-se com o presidente Humberto de Alencar Castelo Branco para discutir a crise na indústria açucareira e o crescente desemprego no nordeste do Brasil. Ainda naquele ano, o presidente Castelo Branco a indicou para receber a Ordem do Mérito do Trabalho Getúlio Vargas, com Mérito Especial.
Em 1966, assumiu o cargo de procuradora-geral da Justiça do Trabalho. Silveira aposentou-se em 1971, recebendo, por ocasião de sua aposentadoria, a Comenda do Ministério Público.
Morte Silveira faleceu em 1993.
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