Denise Espíndola Weinberg (Rio de Janeiro, 26 de abril de 1956) é uma atriz brasileira. Ela iniciou sua carreira na década de 1970 no teatro com o Grupo TAPA, onde consolidou-se como uma atriz dramática, e tornou-se mais conhecida a partir da década de 2010 por suas atuações no cinema e televisão. Os prêmios de Weinberg incluem dois Prêmios Grande Otelo, dois Prêmios APCA e um Prêmio Shell, bem como uma indicação ao Emmy Internacional e uma ao Prêmio Guarani.

Weinberg fez sua estreia profissional como atriz na peça Apenas um Conto de Fadas, em 1979, no papel de Sabrina, com a companhia teatral Grupo TAPA. Considerada parte dos membros fundadores do grupo, fez na companhia seus principais trabalhos nas décadas seguintes até oficializar sua saída em 2000. Ela encenou textos dos principais autores de teatro, nacionais e internacionais, destacando sua versatilidade no drama e na comédia. Recebeu o Prêmio Molière de Melhor Atriz em duas ocasiões: em 1991, por A Megera Domada, de William Shakespeare, e em 1993, por Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. Por essa última, também recebeu o Prêmio Mambembe.

A partir dos anos 2000, diversificou sua carreira e passou a integrar mais projetos de cinema e televisão. Recebeu elogios pela interpretação de uma esposa que sofre com o comportamento rude do marido no drama Quase Nada (2000), pelo qual recebeu sua primeira indicação ao Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz. Denise foi premiada no Cine Ceará em 2001 por sua atuação no curta-metragem BMW Vermelho. Ela foi amplamente elogiada pela crítica por protagonizar a peça Oração para um Pé-de-Chinelo, em 2006, que explora a miséria humana, e recebeu os importantes Prêmio APCA e Prêmio Shell de melhor atriz teatral. Em 2009, teve destaque ao interpretar uma advogada do crime no filme Salve Geral, pelo qual foi premiada pela Academia com o Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz Coadjuvante.

Sua estreia na televisão ocorreu em 2008 na série Alice, exibida pela HBO, onde interpretou a homossexual Dora. Em seguida, destacou-se nas minisséries Maysa: Quando Fala o Coração (2009) e Dalva e Herivelto: Uma Canção de Amor (2010), ambas produzidas pela TV Globo e biografias de personalidades da música brasileira. Nas telenovelas, estreou em 2012 em Amor Eterno Amor, e desde então participou de Éramos Seis (2019) e Todas as Flores (2023). Weinberg conquistou reconhecimento internacional ao ser nomeada ao Prêmio Emmy Internacional de Melhor Atriz por sua atuação dramática na série Psi, em 2017. No filme de ficção científica O Último Azul (2025), recebeu sua primeira protagonista em cinema e foi novamente premiada pela Academia, dessa vez com o Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz.

Primeiros anos

Início da vida e formação educacional miniaturadaimagem|Weinberg iniciou sua formação na Universidade Estadual do Rio de Janeiro na década de 1970. Nascida no Rio de Janeiro, em 26 de abril de 1956, Denise Espíndola Weinberg é filha de um comerciante judeu emigrado da Romênia e uma dona de casa. Weinberg passou toda sua juventude na cidade do Rio de Janeiro e, na década de 1970, iniciou os estudos de Biologia na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Embora tenha inicialmente optado pela área biomédica, Weinberg estabeleceu, ainda na juventude, uma estreita relação com a criação artística. Esse interesse foi estimulado, em parte, por sua irmã mais velha, Doris Weinberg, colega de Eduardo Tolentino na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), instituição que, à época, se destacava como um importante polo de efervescência cultural entre os jovens. Aos 16 anos, por iniciativa de sua mãe, ingressou em um curso de teatro no Tablado, escola fundada pela diretora e dramaturga Maria Clara Machado, com o objetivo de ajudá-la a superar a timidez. A primeira peça profissional de Denise foi Apenas um Conto de Fadas (1979), no papel da jovem Sabrina, que queria ter nascido bruxa. O espetáculo marcou a profissionalização do Grupo TAPA, sendo uma fundadora.

Em entrevista ao jornalista Valmir Santos para o livro O Tapa no Arena, Weinberg recordou sua experiência inicial no teatro, destacando um episódio da montagem de A Menina e o Vento como um aprendizado sobre responsabilidade. Ao refletir sobre sua trajetória, a atriz frequentemente associa o exercício da profissão à disciplina, ao comprometimento e ao estudo contínuo. Na primeira década de sua carreira, Denise conciliou a atividade teatral com outras formas de subsistência e a maternidade, após o nascimento de seu filho, João Gabriel, em 1979. Nesse período, dedicou-se ao grupo Teatro Amador Produções Artísticas (Tapa), oficialmente registrado em 1982, e atuou em montagens como Viúva, Porém Honesta (1983), de Nelson Rodrigues, espetáculo que ampliou a projeção do grupo no circuito profissional e evidenciou sua versatilidade em papéis cômicos.

Carreira

Primeiros trabalhos no Grupo TAPA (1979—1999) Quando Eduardo Tolentino idealizou a peça Apenas um Conto de Fadas no final da década de 1970, com o Grupo TAPA, havia um papel escrito para Denise Weinberg. No entanto, a atriz estava grávida e não pôde participar da montagem. Mas a peça fez sucesso e ficou tempo suficiente em cartaz até a atriz recuperar-se do puerpério e assumir a personagem Sabrina, uma jovem que sonhava em ser bruxa, marcando definitivamente sua estreia profissional no teatro em 1979. A partir daí, Weinberg passou a participar de diversos espetáculos trabalhando com textos de diferentes autores e diversos diretores importantes. A formação artística de Denise Weinberg desenvolveu-se em estreita associação com o TAPA. Nesse período, integrou o elenco de montagens como O Anel e a Rosa (1980), Trágico Acidente Destronou Tereza (1981) e Tempo Quente na Floresta Azul (1982), todas dirigidas por Tolentino. Em 1983, interpretou um texto de Nelson Rodrigues pela primeira vez em Viúva, Porém Honesta, espetáculo que contribuiu para a projeção nacional do grupo.

No ano seguinte, afastou-se temporariamente do TAPA para integrar a companhia Teatro dos Quatro, atuando com Christiane Torloni na peça Tio Vânia, de Anton Tchekhov, sob direção de Sérgio Britto. A atuação lhe rendeu indicação ao Prêmio Mambembe de Melhor Atriz. De volta ao TAPA, atuou em Caiu o Ministério (1985), de França Júnior, com direção de Celso Lemos, e em O Tempo e os Conways (1986), de J. B. Priestley. Em 1987, acompanhou a transferência da companhia para São Paulo e recebeu os prêmios Mambembe e APCA de Melhor Atriz Coadjuvante por sua interpretação em Pinóquio, de Carlo Collodi. Nos anos seguintes, consolidou-se como uma das principais atrizes do grupo, participando de montagens como Uma Peça por Outra (1987), de Jean Tardieu, Solness, o Construtor (1988), de Henrik Ibsen, A Mandrágora (1989), de Maquiavel, Senhor de Porqueiral (1989), de Molière, e As Raposas do Café (1990), de Celso Luiz Paulini e Antônio Bivar.

A década de 1990 marcou o reconhecimento definitivo de sua trajetória teatral. Em 1991, recebeu o Prêmio Molière de Melhor Atriz por sua interpretação em A Megera Domada, de William Shakespeare. Na sequência, atuou em Querô (1992), de Plínio Marcos, e em Senhora Klein (1993), de Nicholas Wright, além de conquistar um segundo Prêmio Molière por Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues. Em 1997, foi agraciada com o Prêmio Mambembe de Melhor Atriz por Do Fundo do Lago Escuro, de Domingos de Oliveira. Neste mesmo ano, fez sua estreia no cinema com uma participação no drama histórico Guerra de Canudos, de Sérgio Rezende, interpretando Margot. Dois anos mais tarde, destacou-se em Navalha na Carne (1999), de Plínio Marcos, atuação amplamente elogiada pela crítica, que ressaltou a densidade dramática e a sensibilidade de sua composição da personagem Neusa Sueli. Participou de seu segundo filme, Mauá - O Imperador e o Rei (1999), também dirigido por Sérgio Rezende, na pele da esposa do endividado Queirós, interpretado por Hugo Carvana.

Diversificação de trabalhos (2000—2009) Em 2000, Weinberg deixou o TAPA e passou a atuar com diferentes diretores, iniciando uma nova etapa de sua carreira. Seu primeiro trabalho nesse período foi O Acidente, de Bosco Brasil, com direção de Ariela Goldmann, cuja atuação foi elogiada pelo pesquisador Luiz Fernando Ramos por sua precisão técnica e pela construção cênica baseada no ritmo e na expressividade corporal. Ela voltou a ser dirigida por Sérgio Rezende no filme de drama policial Quase Nada (2000), onde interpretou uma mulher que tem a vida atormentada pelo marido rude, papel que lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Grande Otelo de Melhor Atriz. Weinberg foi elogiada ainda por sua interpretação no curta-metragem BMW Vermelho, de Eduardo Ramos Quirino, na pele da matriarca de uma família pobre que recebe um carro de luxo e não pode vendê-lo, ainda que ninguém saiba dirigir. Por esse trabalho, recebeu seu primeiro prêmio de cinema no Cine Ceará, como Melhor Atriz em Curta-metragem. No ano seguinte, em 2001, protagonizou As Lágrimas Amargas de Petra von Kant, adaptação do texto original de Rainer Werner Fassbinder, dirigida por Ticiana Studart, reafirmando seu prestígio como intérprete.

Em 2002, atuou na cinebiografia Lost Zweig, de Sylvio Back, que conta a história do escritor judeu Stefan Zweig no Brasil, onde ela interpretou a primeira esposa de Zweig, Friderike. No mesmo ano, esteve no curta-metragem Em Nome do Pai, de Júlio Maria Pessoa, como matriarca de uma família que aparenta ser comum mas tem um lado oculto de desejos perversos e violência. Por esse trabalho, recebeu o prêmio do Festival de Cinema de Vitória de Melhor Atriz em Curta-metragem. Em 2004, revelou também sua versatilidade no registro cômico ao atuar como uma senhora que envenena homens solitários em Arsênico e Alfazema, de Joseph Kesselring, sob direção de Alexandre Reinecke, com quem voltaria a colaborar posteriormente. Em Onde Anda Você (2004), realiza mais uma colaboração com o cineasta Sérgio Rezende, interpretando a cômica Socorro.

No ano de 2005, Weinberg teve uma de suas interpretações mais elogiadas no espetáculo Oração para um Pé-de-Chinelo, no qual foi dirigida novamente por Alexandre Reinecke e interpretou Dilma, uma prostituta decadente que vive na miséria profunda. A interpretação dramática, além de ampla repercussão positiva entre os críticos, lhe rendeu o Prêmio APCA e o Prêmio Shell de Melhor Atriz de teatro. Entre 2006 e 2007, voltou a trabalhar com Eduardo Tolentino em Outuno e Inverno, de Lars Norén, interpretando a protagonista Ann. Sua performance foi destacada pela crítica Mariangela Alves de Lima, que ressaltou sua capacidade de expressar, por meio da linguagem e da composição cênica, as tensões e contradições das relações familiares contemporâneas. Em seguida, encenou Álbum de Família, sua quarta peça de Nelson Rodrigues, na pele de Dona Senhorinha, a qual se destacou por uma composição irônica, frágil e altiva ao mesmo tempo, sem exageros, resplandecendo uma sensualidade feminina que não perpassa aos olhos de Jonas até o final, quando este reconhece na mulher o quê da filha Glória. Em 2008, interpretou Estela no aclamado drama Linha de Passe, dirigido por Walter Salles e Daniela Thomas, o qual foi exibido na mostra oficial do importante Festival de Cannes, na França.