A andiroba (Carapa guianensis Aubl. ), também conhecida como andirova, andiroba-surubaFERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.117, angirova, carapa e purga-de-santo-inácio, é uma árvore da família Meliaceae. O nome deriva de nhandyroba, termo tupi que significa "óleo amargo", numa referência ao óleo extraído das sementes da planta. É reconhecida oficialmente pelo Ministério da Saúde do Brasil como possuidora de propriedades fitoterápicas.Governo lista plantas que poderão virar fitoterápicos
Nomes científicos
Carapa guaianensis e Carapa procera (há pequenas diferenças entre as duas espécies). São ambas usadas medicinalmente.
Família Meliáceas (mesma do cedro, canjerana, mogno e cinamomo).
Características Árvore de grande porte, que chega a atingir 30 metros de altura. O fuste (parte que vai do solo aos primeiros galhos) é cilíndrico e reto. A casca é grossa, tem sabor amargo e desprende-se facilmente em grandes placas, possuindo aplicação na marcenaria, na carpintaria e na medicina popular. Copa de tamanho médio e bastante ramosa. A inflorescência é uma panícula (espécie de cacho). As flores são pequenas, de cor amarela, creme ou vermelha.
O fruto é uma cápsula que se abre quando cai no chão, liberando de quatro a seis sementes. Floresce de agosto a outubro na Amazônia e frutifica de janeiro a maio. Porém, há muitas variações dependendo da região. É nativa da Amazônia. O óleo, conhecido como "azeite-de-andiroba", é extraído das suas sementes e utilizado para a produção de: repelente de insetos, antissépticos, cicatrizantes e anti-inflamatório.
É muito utilizada pelas populações da Região Norte do Brasil. Utiliza-se também em animais que apresentam ferimentos. É aplicado o óleo de andiroba sobre as partes feridas e expostas, evitando a contaminação e aproximação de insetos nocivos.
Origem
É originária da América Central, América do Sul, Caribe e África tropical. No Brasil, ocorre em toda a Bacia Amazônica, principalmente em regiões de várzeas e áreas alagáveis ao longo dos igapós. Também é encontrada desde o Pará até a Paraíba.
Utilização
A semente da andiroba é utilizada para produção de óleo muito usado na medicina tradicional. O óleo de andiroba obtido na Amazônia brasileira apresentou alta capacidade antioxidante, contém limonóides (inseticida natural), sendo utilizado como um repelente de insetos tradicional. A andiroba apresentou atividade antimicrobiana contra Staphylococcus aureus (ATCC 29923) e Enterococcus faecalis (ATCC 29212) tanto para o óleo essencial quanto para o extrato metanólico. O resíduo vegetal da extração do óleo também pode apresentar atividade biológica. O extrato alcoólico deste resíduo apresentou atividade acaricida contra o carrapato da orelha do cavalo (Demacentor nitens) . O potencial acaricida do resíduo industrial da andiroba, uma planta amazônica, contra o carrapato tropical de cavalos, alternativas naturais aos produtos químicos convencionais. Foram preparados extratos etanoicos do resíduo sólido da produção de óleo de andiroba. Foram testadas três concentrações (2,5%, 5% e 10%) em larvas de D. nitens por meio de testes de imersão larval. A eficiência do extrato foi medida pela taxa de mortalidade após 24 horas e corrigida pela fórmula de Abbott. Os resultados evidenciaram que a concentração de 5% foi a mais eficaz, causando 100% de mortalidade das larvas em todos os testes, enquanto a concentração de 10% teve eficácia intermediária, com cerca de 69,8% de mortalidade. Por fim, a concentração de 2,5% foi pouco eficaz, com apenas 12,4% de mortalidade
Plantio
Em condições naturais, as sementes perdem o poder de germinação rapidamente. Para manter a viabilidade, a melhor forma de armazenamento é em câmara seca ou úmida, acondicionadas em sacos plásticos. As sementes são plantadas sem nenhum tratamento em recipientes individuais, contendo substrato rico em matéria orgânica e em ambiente semi-sombreado. A germinação acontece entre 25 e 35 dias depois da semeadura. Em seis ou sete meses, as mudas estão prontas para ir ao campo, onde o desenvolvimento é rápido. Entretanto, tal qual as outras meliaceas brasileiras, o seu fuste é constantemente atacado pela larva da lagarta Hypsipilla grandella, a exemplo do que ocorre nos plantios de Cedros e Mognos, o que atrapalha o plantio comercial da espécie.
Após o cultivo, as sementes são utilizadas principalmente para a extração do óleo de andiroba, produto de grande importância econômica e medicinal na região amazônica. O processo tradicional de extração envolve a coleta dos frutos maduros, seguida da secagem, fermentação e prensagem das sementes para obtenção do óleo bruto. Essa técnica artesanal, amplamente difundida entre populações ribeirinhas e indígenas, mantém as propriedades bioativas do produto, que é rico em limonoides e ácidos graxos insaturados, responsáveis por suas ações anti-inflamatórias, repelentes e cicatrizantes.https://doi.org/10.20435/inter.v0i0.1826
A extração artesanal é considerada uma prática de manejo florestal sustentável, pois agrega valor a recursos nativos sem promover o desmatamento, além de representar uma importante fonte de renda comunitária e de valorização do conhecimento tradicional amazônico. Contudo, pesquisas recentes têm buscado aprimorar a extração mecanizada e o beneficiamento industrial, com o objetivo de ampliar a produtividade, garantir a qualidade físico-química do óleo e reduzir o desperdício de sementes.
Causas de risco de extinção Principalmente por não ser uma planta muito forte, as chuvas fortes e derrubadas estão pondo em risco a sua sobrevivência. Justamente pelo fato de ser uma planta medicinal, seu risco de extinção preocupa. Faz parte do módulo da vitrine de técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Floresta, num sistema agroflorestal multiestrato.
Ver também
Óleo de andiroba Óleo de açaí Óleo de pracaxi Óleo de coco babaçu Óleo da polpa do tucumã
Referências
Bibliografia Biodiversidade Amazônica - Exemplos e Estratégias de Utilização, Jason W. Clay, Paulo de T.B. Sampaio e Charles R. Clement; Dicionário de Plantas Úteis do Brasil, M. Pio Corrêa; e Árvores Brasileiras, Harri Lorenzi. Boutelje, J. B. 1980. Encyclopedia of world timbers, names and technical literature. (Ency WTimber) Pennington, T. D. & B. T. Styles. 1981. Meliaceae. In: Organization for Flora Neotropica, ed., Fl. Neotrop. Monogr. 28:407–414.
Ligações externas Andiroba Para Que Serve Tropicos Plantbio APweb Botánica sistemática The International Plant Names Index Catalogue of Life Encyclopedia of Life
Categoria:Meliaceae Categoria:Árvores do Brasil Categoria:Flora da Amazônia Categoria:Flora do Ceará Categoria:Plantas medicinais Categoria:Nomes de árvores de origem tupi