miniaturadaimagem|250x250px|Figura 1: Representação do Deus do Milho tonsurado como patrono dos escribas; período Clássico Mesoamericano . O Deus Maia do Milho, se refere a uma figura mítica responsável pela origem do mundo e do ser humano na mitologia dos povos aborígenes da Mesoamérica. Os maias, similar a outras populações mesoamericanas, reconhecem a importância da agricultura de milho como parte vital e símbolo de força para sua população. Logo, esse fator se torna parte de sua mitologia.
No Período Mesoamericano Clássico (200 ~ 900 d.C), o Deus do Milho possui características de um herói cultural. A partir do texto Popol Vuh, a humanidade teria sido criada em um milharal, sendo a influência dos deuses junto de uma dupla de Heróis Gêmeos na narrativa. Ainda hoje, as sementes que deram origem ao ser humano, estarem escondidas em uma Montanha de Milho, continua sendo um mito popular.
Divindade Masculina e Feminina A partir da tradição oral maia, o milho e personificado como uma mulher similar ao arroz e o trigo, no Sudeste Asiático, Grécia Antiga e em Roma respectivamente. O conto oral se torna base para muitas histórias que envolveriam rapto de noivas, estando presente em vários mitos maias.
Porém, a aristocracia maia na era pré-colombiana, interpretava essa entidade como um homem. No período clássico, a entidade teria renascido do deus Hun Hunahpú em uma árvore do submundo, esse processo resultou em duas formas masculinas simbolizadas em diferentes hieróglifos maias: um deus do milho foliado e outro tonsurado.O Deus Foliado habita um templo no formato de um pé de milho, similar ao esquema de cruz na arquitetura presente no Templo da Cruz Folheada, em Palenque, sendo a cabeça do deus comparada com a de uma espiga de milho. Essa divindade, denominada "Deus E" por estudiosos, está presente em três códices maias conservados até hoje.
Enquanto o Deus Foliado representa somente um espírito vegetal, o Deus do milho Tonsurado possui funções muito mais diversas culturalmente. Em rituais, para representarem o deus, era usado uma saia de jade, parecida como uma rede, segurada por um cinto com uma grande concha spondylus que cobria o quadril. Nas estelas maias, e marcado que quem representava esse deus tonsurado não seria o rei, e sim a rainha. Logo, a rainha simbolizava uma deusa do milho, de acordo com as tradições orais maias citadas anteriormente.
Mitologia Maia pelos períodos clássico e pré-clássico miniaturadaimagem|300x300px|Figura 2: Imagem do Deus Tonsurado dentro de um poço, desenho de projeto da faculdade de São Francisco Em múltiplas pinturas maias, incluindo desenhos em recipientes para bebidas com cacau, mostram uma grande necessidade de representar a figura do deus maia tonsurado, outro exemplo são os murais encontrados em San Bartolo datados no período pré-clássico.
Há múltiplas teorias, com diferentes níveis de credibilidade, que recontam várias histórias relacionados ao deus do milho como sua ressureição de um casco de tartaruga, uma viagem de canoa e sua transformação em uma árvore de cacau.
Popol Vuh e mito estendido por gêmeos A partir do Popol Vuh, o deus tonsurado e muito acompanhado pelos Heróis Gêmeos. De acordo com etnógrafo Karl Taube, arqueólogos como Michael D. Coe acreditam que o Deus tonsurado do período clássico corresponde ao pai dos Heróis Gêmeos Hun-Hunahpú, descrito no Popol Vuh.Contudo, essa afirmação mesmo comumente aceita, ela ainda possui opiniões contrárias a esse argumento.Chinchilla Mazariegos, Art and Myth of the Ancient Maya, Yale UP 2017: 227
Mito da Criação A arqueóloga Linda Schele, ao destacar as discussões sobre a criação da sociedade Maia, conecta múltiplas hipóteses e histórias que envolveriam a figura central do Deus Tonsurado. Esses contos incluem a criação da "Constelação da Lareira de Três Pedras" (assumido ser a parte inferior da Constelação de Orion); seu plantio da árvore do mundo; sua "dança da criação";e sua pose acrobática, que se assemelha a figura da árvore do mundo (ou até mesmo uma árvore nogueira). A presença do Deus do milho em San Bartolo, gravado como se estivesse plantando cinco diferentes árvores do mundo, pode ser interpretado como o momento de criação do mundo.
Mito das Estações Outra hipótese, formulada pelo escritor Simon Martin,destaca uma interação entre o Deus do Milho Tonsurado e um velho Deus Jaguar da Troca (Nomeado "Deus L").Essa interação, relaciona a transformação da figura em uma árvore de cacau como o nascer de uma árvore "premiada". A partir disso, e presumido que a presença do Deus L representaria culturalmente um período de seca, ou seja, momento de transação e viagens comerciais, guerrear e de coleta do plantio do cacau, contrário ao Deus Tonsurado que representa um período úmido de crescimento pro milharal. O ciclo dessas estações, e pensada ser simbolizada por constantes lutas e derrotas do Deus do Milho e o Deus L respectivamente.
Mito do Milharal na Costa do Golfo Várias histórias, reutilizam um ambiente aquático como parte do mito (Ver. Figura 2), um momento de destaque seria a ressureição do Deus do Milho na carapaça de uma tartaruga em meio ao mar. O historiador H.E.M. Braakhuis, fala que essa característica constitui uma importante parte do mito ser compartilhado com vários grupos étnicos (Como os Huastecas, Totonacas, Náuatles e Zoques) que habitam o Golfo do México. O fato do mito focar na figura masculina, do que a de uma Deusa do milho, estabelece uma conexão intima entre o Deus e a tartaruga, principalmente suportado pela ideia de Maias Clássicos formarem o mesmo tipo de narrativa como tradição. Em particular, os murais Pré-Clássicos de San Bartolo mostram o Deus do Milho dançando com um instrumento ayotly junto de outras entidades aquáticas, que possa conectar com o mito do golfo na comunidade Zoque (Grupo Popoluca)
Funções ao Nome e do Calendário Múltiplos nomes para o Deus do Milho, pré - chegada espanhola, aparecem no Chilam Balam de Chumayel. Por exemplo, Ah mun ("broto verde"), Zac uac nal ("as novas espigas de milho branco") ou Uac chuaac nal ("novas plantas de milho").Por meio de descobertas da arqueóloga Schele, o Deus Tonsurado (Em teoria correspondendo a Hun-Hunahpú) foi muitas vezes apelidado como o "Primeiro pai". O nome antigo do Deus Tonsurado, ainda e desconhecido, porém dentre os vários nomes e sempre destaca ou adapta o termo "Um". Popularmente, Hun-Nal-Ye ("O único milharal revelado") foi adotado por Schele e outros pesquisadores, mas recentemente, Ixim ("grãos de milho") e Nal ("espiga úmida") estão sendo consideradas nomes apropriados para essa divindade.
De maneira geral, o milho se relaciona com o Calendário Maia ao dia Q'an ("madurecer ou amadurecimento"). A aparência básica do Deus Tonsurado, se conecta a data zero da Contagem Longa no calendário o 4 Ahau 8 Cumku ("11 de agosto de 3.114 a.C"). A cabeça tonsurada, serve como marca pro número 1, o do Deus Foliado indica o número 8. O Deus Tonsurado se encontra algumas vezes associado com a lua crescente, por meio disso, e possível que essa figura tenha tido um papel na Série Lunar, marcas em hieróglifos do calendário que destaca as divisões da lua; sua cabeça aparece no hieróglifo C da série.
Ver também
Centeotl (Deus Asteca do milho) Chicomecoatl (Deusa Asteca do milho) Xochipilli (Deus Asteca das flores, milho e das arte)
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