William Morales (nascido em 7 de fevereiro de 1950) é um porto-riquenho membro das Forças Armadas de Libertação Nacional. Foi condenado em fevereiro de 1979 por posse de explosivos e por posse e transporte de explosivos e de uma espingarda. Ele fugiu do Hospital Bellevue em maio de 1979 e posteriormente refugiou-se no México, onde foi detido pelas autoridades, antes de emigrar para Cuba em 1988. Antecedentes

Morales cresceu no East Harlem. Posteriormente, estudou na School of Visual Arts, em Manhattan, onde obteve um diploma em estudos cinematográficos. Em 1969, Morales foi um dos líderes da greve em defesa da política de admissões abertas na Universidade da Cidade de Nova Iorque (CUNY), que protestava contra o que era percebido como uma política de admissão discriminatória da universidade. O movimento acabou contribuindo para que, poucos anos depois, a CUNY se tornasse uma universidade de maioria negra e latina. Em 1970, passou a integrar as Forças Armadas de Libertação Nacional. Após deixar a faculdade, Morales exerceu diversas profissões, incluindo conselheiro da Police Athletic League, salva-vidas, agente de passagens da TWA e conselheiro para dependentes químicos.

Atividades

Acredita-se que Morales tenha sido o principal fabricante de bombas das Forças Armadas de Libertação Nacional, estando implicado em cerca de cinquenta atentados a bomba entre 1974 e 1978. O atentado mais letal ao qual foi associado foi o bombardeio da Fraunces Tavern, em Nova Iorque, em 24 de janeiro de 1975, que matou quatro pessoas e feriu mais de cinquenta. Nem Morales nem qualquer um de seus associados chegaram a ser formalmente acusados por esse atentado. As FALN também estiveram envolvidas no atentado à bomba contra os escritórios da Mobil em Nova Iorque, em 1977, no qual uma pessoa morreu.

Morales foi membro do conselho da National Commission on Hispanic Affairs (NCHA), uma instituição beneficente financiada pela Igreja Episcopal dos Estados Unidos. A NCHA financiou involuntariamente atividades das FALN em meados da década de 1970. Morales foi entrevistado pelo FBI em março de 1976; contudo, a agência acreditava que ele era apenas um ativista e, na época, não o considerava um suspeito. Captura

Na noite de 12 de julho de 1978, Morales estava montando uma Bomba tubo em seu apartamento na Rua 96, no Queens. Como muitas das bombas que fabricava, ela incluía um temporizador ajustado para detonar às 9 horas. Para configurá-lo, o ponteiro das horas de um relógio de pulso era desgastado para garantir a detonação. No entanto, acredita-se que Morales tenha desgastado o ponteiro dos minutos por engano; assim, em vez de dispor de várias horas antes da explosão, teve apenas um intervalo muito menor. A bomba explodiu em sua mão às 5h20, causando-lhe ferimentos gravíssimos. Na explosão, perdeu nove dedos e um olho; além disso, sua mandíbula sofreu fraturas em pelo menos cinco pontos e seus lábios foram arrancados.

Apesar da gravidade dos ferimentos, após recuperar a consciência, Morales tentou destruir documentos comprometedores que o ligavam às Forças Armadas de Libertação Nacional. Ele abriu o gás do fogão e aguardou a chegada dos serviços de emergência e da polícia, na esperança de que uma explosão matasse os policiais. Os primeiros bombeiros que chegaram perceberam imediatamente o vazamento de gás e quebraram as janelas para ventilar o apartamento.

A polícia encontrou 66 cartuchos de dinamite e cerca de 91 kg de explosivos, descritos na época como o maior arsenal de explosivos já apreendido na cidade de Nova Iorque. Também foi encontrada no apartamento de Morales uma duplicadora Gestetner, utilizada para produzir o comunicado das FALN após o atentado à Fraunces Tavern.

Morales foi levado ao Hospital Geral de Elmhurst, onde foi acusado de posse de explosivos e de posse e transporte de explosivos e de uma espingarda. Seus advogados criticaram veementemente a qualidade do atendimento médico que ele recebia e moveram uma ação judicial alegando que a polícia havia "confiscado ilegalmente" seus dedos amputados, que, segundo eles, foram recolhidos como prova.

Em 28 de fevereiro de 1979, Morales foi condenado pelas acusações e sentenciado a 99 anos de prisão. Após a sentença, declarou: "Eles não vão conseguir me manter preso para sempre". Fuga

Morales foi transferido do Centro Correcional Metropolitano, no sul de Manhattan, para o menos seguro Hospital Geral Bellevue por motivos médicos. Ele estava internado na ala prisional localizada no terceiro andar do edifício. Com a ajuda do médico e integrante da May 19th Communist Organization Dr. Alan Berkman, Morales conseguiu cortar, ao longo de alguns dias, a tela metálica da janela de seu quarto. Nas primeiras horas de 21 de maio de 1979, confeccionou uma corda com ataduras elásticas e desceu por uma janela do banheiro. Acredita-se que o guarda responsável por sua vigilância, Thomas Ryan, tenha adormecido.

A corda rompeu-se e Morales caiu de uma altura de 20 pés (cerca de 6,1 m), chocando-se contra uma unidade de ar-condicionado durante a queda. Ele foi recebido por cerca de 30 integrantes da May 19th Communist Organization (M19CO), das Fuerzas Armadas de Liberación Nacional Puertorriqueña (FALN) e do Exército de Libertação Negra, que haviam roubado uma plataforma elevatória para facilitar sua fuga. A integrante da M19CO Marilyn Buck levou Morales para um esconderijo em East Orange, Nova Jérsia, onde ele recebeu cuidados antes de fugir para o México. Posteriormente, Morales foi acusado de "fuga interestadual ilegal para evitar processo pelo crime de fuga".

A advogada de Morales, Susan Tipograph, foi acusada de auxiliar na fuga. Os promotores apresentaram declarações juramentadas alegando que ela teria entregue a Morales um alicate de corte, utilizado na fuga, introduzido clandestinamente ao prendê-lo à coxa sob sua saia. Tipograph negou qualquer envolvimento e jamais foi formalmente acusada. O comissário do Departamento de Correções da Cidade de Nova Iorque, William J. Ciuros Jr., e outras quinze pessoas foram demitidas pouco depois da fuga. Vida como fugitivo

Morales fugiu para o México, onde permaneceu escondido. Em 1983, após uma escuta telefônica, o FBI informou às autoridades mexicanas que ele vivia em Puebla. Durante a tentativa de prendê-lo, ocorreu um tiroteio no qual dois associados de Morales e um policial morreram. Apesar de sua captura e de ter sido condenado a 12 anos de prisão pela morte do policial, os pedidos de extradição apresentados pelos Estados Unidos foram recusados e, em 1988, Morales acabou sendo libertado e autorizado a emigrar para Cuba, provocando forte reação do governo norte-americano.

Morales estabeleceu-se em Cuba em junho de 1988, onde recebeu asilo político. Desde então, vive discretamente em Havana, onde se casou e constituiu família. Em 1997, Morales solicitou anistia aos Estados Unidos, porém não foi incluído na oferta de clemência concedida, em 1999, pelo presidente Bill Clinton a outros integrantes das FALN. Após a retomada das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba em 2015, especulou-se que fugitivos estabelecidos em Cuba, como Morales e Assata Shakur, poderiam ser extraditados para os Estados Unidos.

Morales foi retratado por David Wojnarowicz na pintura de 1984 William Morales, Patron Saint of Prison Breaks, que integra o acervo do Museu Metropolitano de Arte de Nova Iorque. Em 1989, um centro estudantil e comunitário da CUNY foi inaugurado e recebeu o nome de Morales e de Assata Shakur. O centro foi fechado em 2013. Ver também

Movimento pela independência de Porto Rico

Bibliografia

Categoria:Nascidos em 1950 Categoria:Pessoas vivas Categoria:Norte-americanos de ascendência porto-riquenha Categoria:Terroristas