João Alves de Oliveira da Silva (Ipirá, 28 de junho de 1906 – Salvador, 28 de junho de 1970) foi um pintor e desenhista brasileiro. Se dedicou ao retrato da paisagem urbana, em especial da Bahia. Suas obras receberam reconhecimento nacional, incluídas em exposições no Museu de Arte Moderna de São Paulo, na Bienal Nacional de Artes Plásticas e no Museu de Arte Negra. Foi a inspiração para o personagem que leva seu nome no livro “Dona Flor e seus dois maridos”, de Jorge Amado.
Nascimento e juventude Natural de Ipirá, município no interior da Bahia, João Alves mudou-se ainda jovem com sua família para Salvador. Na juventude, exerceu todo tipo de profissão, incluindo empregado doméstico, auxiliar de torneiro, carregador de caminhão, estivador e carroceiro. No período em que atuou como engraxate na capital baiana, Alves praticava desenhos com lápis de cor em caixas de papelão, considerado o início de sua jornada na arte.
Início de carreira Por volta do ano 1940, João deu início à sua carreira como artista. Por conta das dificuldades financeiras, utilizava o papelão como tela para seus desenhos e, depois, para suas pinturas feitas com tinta esmalte ou pó xadrez com óleo de linhaça.
Logo depois, Pierre Verger descobre o trabalho de João Alves e o incentiva a pintar com tinta a óleo, e compra a primeira tela de João. Costumava expor suas pinturas na Praça da Sé, levando consigo a cadeira de engraxate para trabalhar. Mesmo atuando como pintor, João Alves não deixou de ser engraxate.
Nos anos que se seguiram, conheceu Jorge Amado, Carybé e Odorico Tavares, que o introduziram ao seu círculo de amigos artistas. Em específico, Jorge Amado tornou-se um grande incentivador de João Alves, inclusive eternizando o amigo em seu romance “Dona Flor e seus Dois Maridos”.
Fatos principais Entre 1954 e 1968, João Alves consolidou presença no circuito artístico baiano e nacional. Em 1954, participou da Exposição do Congresso Nacional de Intelectuais, em Goiânia, e expôs no IV Salão Baiano de Belas Artes, em Salvador, recebendo elogios do crítico José Valladares. Em 1956 esteve presente na exposição "50 Anos de Paisagem Brasileira", no MAM/SP, em São Paulo. No ano seguinte participou da mostra "Artistas da Bahia", também no MAM/SP, e passou a ser referenciado no livro "Artes Maiores e Menores", de José Valladares. Em 1959, quatro de suas obras foram incorporadas de forma indireta ao acervo inicial do recém-criado Museu de Arte Moderna da Bahia.
Em 1960, ainda em condição de pobreza, sua produção ganhou valorização comercial, sendo vendida a colecionadores e turistas e alcançando a Europa e os Estados Unidos; o marchand Renot adquiriu centenas de suas telas nesse período. Em 1961 realizou exposição individual no MAM/BA, em Salvador, e teve sua obra tratada em ensaio do crítico Clarival do Prado Valladares, publicado no Diário de Notícias e posteriormente reunido no livro "Paisagem Rediviva".
Em 1964 apresentou exposição individual no João Sebastião Bar, em São Paulo, e participou de mostra na Galeria Querino, em Salvador, além de receber medalha de prata no Salão Bahiano de Belas Artes. Nesse mesmo ano, Jorge Amado publicou no Diário de Notícias o texto "O Mestre João Alves", no qual o chamou de "o pintor da cidade".
Em 1966 integrou a 1ª Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia, em Salvador, com duas telas expostas. Em 1967, participou da Exposição Coletiva de Natal, na Panorama Galeria de Arte, em Salvador. Em 1968 apresentou cinco obras na II Bienal Nacional de Artes Plásticas da Bahia, também em Salvador. Seu nome passou a constar na coleção inicial do Museu de Arte Negra e a Galeria Renot foi inaugurada tendo João Alves entre os artistas de seu acervo.
Morte e homenagens póstumas João Alves de Oliveira da Silva morreu aos 64 anos, em 28 de junho de 1970, sem herdeiros declarados, mas com um grande legado artístico. Em homenagem a sua vida, Antônio Celestino escreve um capítulo de sua obra "Gente da Terra", publicada em 1972, sobre sua trajetória e personalidade. Além disso, em dezembro de 2005, o Museu de Arte da Bahia (MAB) utiliza do seu acervo próprio para organizar uma exposição composta por obras de João Alves que retratam as igrejas de Salvador, Bahia. “Sua obra está hoje espalhada pelo Brasil inteiro, aquecendo muito ambiente, alegrando muita parede. Sua técnica não teve fim nem princípio. E as palavras que algum crítico possa inventar a seu respeito, serão sempre vazias de sentido. Como também nunca haverá forma de se descobrir a razão porque as aves do céu, sem o saber, voam tão bonito.”
Referências
Categoria:Pintores da Bahia