Dança inclusiva (ou dança integrada) insere-se no movimento da cultura da deficiência, o qual reconhece a experiência da deficiência na primeira pessoa. Isso significa que a deficiência é integrada não como uma construção do modelo médico, mas como um fenômeno social, por meio de expressões artísticas, literárias e outras formas de criação.Mundo da Dança. Dança Inclusiva - O que é?. Consultado em 8 de julho de 2026.Pelka, Fred (1997). ABC-CLIO Companion to the Disability Rights Movement. Santa Barbara, California: ABC-CLIO. p. 97. .

História A dança inclusiva moderna começou a ser explorada no final da década de 1960. A instrutora de dança Hilde Holger ensinou dança ao seu filho, que tinha síndrome de Down, e posteriormente montou uma apresentação que incluía bailarinos com deficiência intelectual no Sadler's Wells Theatre em 1968. Entre os alunos de Holger estava Wolfgang Stange, que se inspirou a fundar uma companhia para realizar obras de dança integrada: a Amici Dance Theatre Company. Yvonne Rainer, uma proeminente bailarina e coreógrafa pós-moderna, estava se recuperando de uma cirurgia em 1967 quando remontou uma versão de sua famosa obra Trio A para si mesma — intitulando-a Convalescent Dance — e a apresentou no Playhouse do Hunter College, em Nova York. Em 2010, já na casa dos 70 anos, Rainer remontou a obra e a intitulou "Trio A: Geriatric with Talking" para demonstrar como, com seu corpo mais velho, "levantar-se e deitar-se no chão exige muito mais manobras do que antes".WATLINGTON, Emily. Cripping Choreography. Consultado em 8 de julho de 2026.

A dança integrada ganhou maior visibilidade junto ao grande público durante a década de 1980. Em 1986, a DV8 Physical Theatre foi fundada em Londres, na Inglaterra, e, em 1987, a AXIS Dance Company foi fundada na Califórnia. Atualmente, diversas outras companhias de dança ao redor do mundo apresentam-se com bailarinos com deficiência física ou intelectual. Algumas companhias de dança integrada são fundadas ou lideradas por pessoas que se identificam como pessoas com deficiência e/ou trabalham com coreógrafos com deficiência. Muitas obras de dança apresentadas por essas companhias desafiam as concepções de dança, palco e expressão artística, como é o caso dos trabalhos de Kim Manri (Taihen), Gerda Koenig (DIN A 13), Petra Kuppers (The Olimpias), Raimund Hoghe, Claire Cunningham, Neil Marcus, Bill Shannon e Marc Brew.

Em 2017, Judith Smith foi entrevistada pela Dance Magazine por ocasião de sua saída do cargo de diretora artística da AXIS Dance Company. Na entrevista, ela afirmou que o maior desafio para a dança fisicamente integrada é a falta de acessibilidade ao treinamento de dança para bailarinos com deficiência. Ela apontou que um obstáculo que tem retardado o progresso no acesso ao treinamento é o fato de os professores de dança não serem capacitados para ensinar a alunos com deficiência; segundo Smith, alguns desses professores sequer sabem que existe uma demanda por parte de alunos com deficiência que frequentariam suas aulas caso elas fossem oferecidas.

À medida que uma nova geração ingressava no movimento no final da década de 2010 e início da de 2020, surgiram novas perspectivas sobre como melhor apoiar, treinar e acomodar bailarinos com deficiência. Em março de 2021, a bailarina, engenheira e usuária de cadeira de rodas Laurel Lawson estava escrevendo um livro sobre técnica de dança para bailarinos que utilizam cadeiras de rodas manuais. Lawson preocupa-se com o fato de que bailarinos com deficiência podem não receber um treinamento adequado e personalizado para seus corpos, e desenvolveu sua própria abordagem pedagógica. Em sua metodologia, ela incentiva o que chama de "alinhamento biomecânico" e também projetou cadeiras de rodas especializadas para bailarinos dos EUA e da Europa. Em 2019, Lawson foi uma das 31 artistas da dança a receber uma bolsa da Dance/USA por integrar justiça social e dança. Essa foi a primeira vez que a Dance/USA concedeu uma bolsa a alguém que atua na área de dança integrada (dança que reúne pessoas com e sem deficiência).WATLINGTON, Emily. Cripping Choreography. Consultado em 8 de julho de 2026.

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