Margaret Mary Smith (nascida 26 de setembro de 1916, em Indwe, Província do Cabo, África do Sul – 8 de setembro de 1987) foi uma ictióloga, ilustradora científica de peixes e acadêmica britânica.

Primeiros anos Margaret Mary Smith era filha de Chisholm MacDonald e Helen Evelyn Zondagh. Seu pai era médico, e sua mãe era descendente do líder Voortrekker Jacobus Johannes Uys. Margaret era a mais nova de três filhos.

Margaret estudou na Indwe High School, onde foi aluna-oradora, primeira colocada da turma, presidente da sociedade de debates e capitã das equipes de netebol e tênis. Entre 1934 e 1936, estudou na Universidade Rhodes, onde obteve o grau de bacharel em Ciências, com especialização em física e química. Também frequentou a Grahamstown Training College School of Music, onde, em 1936, obteve o University Teachers' Licentiate in Music na área de canto.

Carreira Em 1937, após concluir sua graduação, Margaret foi contratada como demonstradora sênior de química na Universidade Rhodes. Lecionou física e química para estudantes universitários e, em 1945, ministrou aulas de física no St. Andrew's College. Em 14 de abril de 1937, casou-se com seu professor de química, James Leonard Brierley Smith, em Florida, Transvaal. O casal teve um filho, William, que se tornou o renomado professor sul-africano de ciências e matemática para a televisão William Smith.

Além da física e da química, Margaret interessava-se por ictiologia, o estudo dos peixes. Entre 1938 e 1956, ela e seu marido realizaram expedições de coleta de peixes ao longo da costa sul-africana. Em 1952, encontraram um raro celacanto nas Comores, apenas o segundo exemplar vivo identificado positivamente na história moderna. O primeiro espécime havia sido descoberto em 1938 por uma colega de James, Marjorie Courtenay-Latimer. Margaret produziu as ilustrações e pinturas que acompanharam o manuscrito do casal.

Em 1946, foi criado o Departamento de Ictiologia da Universidade Rhodes. Margaret e seu marido passaram a trabalhar no departamento e colaboraram na produção do livro The Sea Fishes of Southern Africa, publicado em 1945. Margaret produziu 685 ilustrações para a primeira edição da obra. Ao longo de sua carreira, realizou mais de 2000 pinturas de peixes, tornando-se reconhecida como uma das principais ilustradoras científicas de peixes do mundo.

Além de coautora de diversas obras, Margaret produziu numerosas ilustrações coloridas. Um de seus primeiros trabalhos individuais de grande destaque foi a descrição e ilustração dos peixes marinhos comuns da África do Sul para a coleção de 16 volumes Ensiklopedie van die Wêreld. Também ilustrou os peixes nas edições posteriores de Sea Fishes of Southern Africa, Fishes of the Seychelles e Fishes of the Tsitsikama Coastal National Park.

Em janeiro de 1968, seu marido faleceu. Segundo pessoas próximas, ele afirmava havia anos que não pretendia viver além dos 70 anos. James Leonard Brierley Smith morreu por envenenamento por cianeto, em decorrência de suicídio. Juntos, o casal descobriu 370 espécies de peixes e publicou cerca de 500 trabalhos científicos. Entre 1968 e 1982, Margaret Mary Smith foi diretora do J.L.B. Smith Institute of Ichthyology, criado para homenagear seu marido e dar continuidade ao seu trabalho. Margaret passou sete meses visitando institutos de pesquisa em ictiologia e museus na Europa, América do Norte, Extremo Oriente e Australásia para reunir ideias para o projeto de uma unidade de pesquisa ictiológica em Grahamstown. O edifício foi oficialmente inaugurado em 26 de setembro de 1977, data do aniversário de nascimento tanto dela quanto de seu falecido marido. A unidade de pesquisa promoveu, entre outras atividades, estudos sobre o celacanto.

Margaret integrou a equipe responsável pela criação do novo Departamento de Ictiologia e Ciência Pesqueira da Universidade Rhodes. Em 1978, juntamente com Phil Heemstra, foi coeditora da revisão do livro que havia escrito originalmente com seu falecido marido. Em 1980, foi nomeada professora associada e, em abril do mesmo ano, o instituto foi ampliado e transformado em um museu nacional. Em 1981, foi promovida a professora titular.

Em 1981, o instituto foi declarado uma instituição cultural e passou a ser financiado pelo então Departamento Nacional de Educação. Em 30 de abril de 1982, Margaret Smith aposentou-se do cargo de diretora do J.L.B. Smith Institute of Ichthyology. Entre 1968 e 1982, integrou o Senado Universitário e a Faculdade de Ciências da Universidade Rhodes. Deixou como legado a maior coleção de peixes marinhos da África Austral existente no mundo. Já aposentada, recebeu, em 1987, a Ordem por Serviços Meritórios (Classe I – Ouro), concedida pelo presidente sul-africano P. W. Botha. A Biblioteca Margaret Smith recebeu esse nome em homenagem à primeira diretora do J.L.B. Smith Institute of Ichthyology, atualmente o Instituto Sul-Africano para a Biodiversidade Aquática (SAIAB), vinculado à Universidade Rhodes. Construída em 2001, a Residência Margaret Smith, um alojamento feminino da Universidade Rhodes, também homenageia sua contribuição para a universidade e para a ciência internacional.

Ver também Celacanto James Leonard Brierley Smith

Ligações externas Fishes of the Tsitsikama Coastal National Park Margaret Mary Smith: 26 September 1916 – 8 September 1987

Categoria:Nascidos em 1916 Categoria:Mortos em 1987 Categoria:Mulheres cientistas do século XX