Os incêndios florestais de Portugal em 2026 são uma série de incêndios rurais e florestais que afectam Portugal Continental desde o início de julho de 2026. Em 3 de julho, durante uma vaga de calor, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) identificou seis ocorrências significativas, indicando ao fim da tarde que os incêndios de Vouzela, Barcelos, Tâmega e Sousa, Setúbal e Arouca eram os que suscitavam maior preocupação.
Face ao agravamento previsto do risco de incêndio rural, o Governo português declarou situação de alerta em todo o território continental entre as 00h00 de 3 de julho e as 23h59 de 6 de julho.
Contexto
Em 3 de julho, partes de Portugal continental encontravam-se sob avisos vermelhos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), tendo as temperaturas ultrapassado 40 °C em vários distritos. A elevação do estado de alerta especial do Sistema Integrado de Operações de Proteção e Socorro e as previsões de risco muito elevado de incêndio rural em grande parte do território continental levaram à declaração de situação de alerta.
A medida implicou, entre outras restrições, a proibição de acesso, circulação e permanência em determinados espaços florestais, a suspensão de queimadas e queimas de sobrantes, limitações ao uso de maquinaria em espaços florestais e rurais e a proibição de fogo-de-artifício e de outros artefactos pirotécnicos. Determinou igualmente o reforço da prontidão da Guarda Nacional Republicana, da Polícia de Segurança Pública, das equipas de emergência médica, dos sapadores florestais, dos agentes florestais e das entidades responsáveis por comunicações e energia.
Ocorrências
Situação às 14h00 de 3 de julho
Pelas 14h00 de 3 de julho, a ANEPC identificava seis ocorrências significativas, que mobilizavam, no conjunto, 1 420 operacionais, 449 veículos e 15 meios aéreos.
+ Ocorrências significativas indicadas pela ANEPC às 14h00 de 3 de julho Área Localização indicada Operacionais Veículos Meios aéreos Vouzela Tourelhe, Vouzela 986 324 11 Tâmega e Sousa Castelo de Paiva 92 24 1 Tâmega e Sousa Nespereira, Cinfães 76 26 Não indicado Póvoa de Lanhoso Zona de mato 71 21 2 Barcelos Viatodos 117 38 Não indicado Montemor-o-Velho Junto à A17 78 16 1
Pelas 18h00, o quadro operacional tinha-se alterado. Segundo Mário Silvestre, comandante nacional de emergência e protecção civil, tinham sido registadas 92 ocorrências nesse dia, que implicaram o empenhamento de 3 025 operacionais. Nessa actualização, os incêndios de Vouzela, Barcelos, Tâmega e Sousa, Setúbal e Arouca foram identificados como os que suscitavam maior preocupação.
4 de julho
Em Setúbal, o incêndio entrou em fase de resolução à 01h00 de 4 de julho e em fase de conclusão às 08h00. O alerta tinha sido dado pelas 14h14 de 3 de julho, na zona de Vale de Cobro, após o incêndio de uma viatura particular, tendo o fogo avançado para Faralhão, Santo Ovídeo e Mourisca. Foram efectuadas evacuações preventivas de habitações. Segundo o Município de Setúbal, registaram-se dez feridos ligeiros — oito bombeiros por exaustão e dois civis por inalação de fumos e pânico — e o combate mobilizou cerca de 400 operacionais e 86 veículos, além de dois aviões e um helicóptero durante a fase crítica.
Em Mangualde, um incêndio iniciado cerca das 10h00 em Contenças de Cima, na freguesia de Santiago de Cassurrães e Póvoa de Cervães, foi dado como completamente dominado durante a tarde. Pelas 11h30, encontravam-se mobilizados 100 operacionais, 20 veículos e quatro meios aéreos.
Na tarde do mesmo dia, um incêndio florestal na União das Freguesias de Carreira e Refojos de Riba de Ave, em Santo Tirso, mobilizava 122 operacionais, 36 veículos e um meio aéreo. Durante a noite de 4 para 5 de julho, registaram-se reactivações que agravaram o combate ao incêndio de Santo Tirso. Na manhã de 5 de julho, chegaram a estar mobilizados 126 operacionais, 38 veículos e um meio aéreo; uma bombeira ficou ferida e foi encaminhada para o Hospital do Médio Ave. O incêndio foi dado como dominado durante a manhã; cerca das 13h15, mantinham-se no local 85 operacionais, 27 veículos e um meio aéreo para consolidação e rescaldo.
Incêndio de Vouzela
O incêndio de Vouzela deflagrou às 03h04 de 2 de julho em Tourelhe, na freguesia de Cambra, propagando-se aos concelhos de Oliveira de Frades, Tondela e Águeda. Segundo uma estimativa do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), divulgada na noite de 3 de julho, tinha consumido 12 160 hectares, apresentava um perímetro superior a 50 quilómetros e era então o maior incêndio ocorrido em Portugal em 2026.
Em 4 de julho, o incêndio de Vouzela continuava a concentrar a principal preocupação operacional. Pelas 11h30, era combatido por 1 174 operacionais, 390 veículos e dez meios aéreos. No final do dia, o presidente da Câmara Municipal de Vouzela declarou que a frente de Cercosa, em Campia, começava a dar sinais de cedência, embora o incêndio ainda não estivesse controlado.
No balanço divulgado pela Protecção Civil na noite de 4 de julho, o incêndio de Vouzela continuava a ser considerado a ocorrência mais complexa do país e tinha já consumido 13 000 hectares.
Na manhã de 5 de julho, uma das frentes encontrava-se totalmente em consolidação e vigilância, enquanto a outra estava 80% dominada e 20% activa, com intensidade moderada. Pelas 08h00, encontravam-se mobilizados 1 200 operacionais e 407 meios terrestres. Pelas 12h40, o incêndio foi dado como dominado, embora se mantivesse o risco de reacendimentos devido aos numerosos pontos quentes existentes no perímetro. Às 13h00, permaneciam no terreno 1 183 operacionais, 394 veículos e 11 meios aéreos.
Arouca
Em Arouca, um incêndio em povoamento florestal na freguesia de São Miguel do Mato mobilizava mais de 100 operacionais e sete meios aéreos. O incêndio de Arouca foi dado como dominado às 22h25 de 3 de julho.
Barcelos, Tâmega e Sousa e outras ocorrências
Em Barcelos, o incêndio de Monte de Fralães continuava a ser combatido por cerca de 110 operacionais e 35 veículos, 27 horas depois do alerta inicial; as suas três frentes aproximaram-se de habitações e lavravam em locais de difícil acesso.
Os dois incêndios indicados pela ANEPC na sub-região do Tâmega e Sousa, em Castelo de Paiva e em Nespereira, no concelho de Cinfães, lavravam em zona de mato, sendo influenciados pelo vento e pelas temperaturas elevadas. A ocorrência de Póvoa de Lanhoso foi dada como dominada ainda em 3 de julho.
O incêndio de Barcelos entrou em fase de resolução às 00h35 de 4 de julho; pouco antes das 05h00, permaneciam no local 82 operacionais e 29 veículos. No mesmo dia, surgiu uma nova ocorrência em Mangualde, na zona de Contenças de Cima, que mobilizou 100 operacionais, 20 veículos e quatro meios aéreos, tendo sido declarada dominada durante a tarde.
Resposta nacional
Situação de alerta e meios nacionais
A situação de alerta determinou o accionamento das estruturas territoriais de coordenação institucional e política, bem como uma obrigação especial de colaboração dos meios de comunicação social e das operadoras móveis na difusão de informações relevantes para a população.
Em 4 de julho, o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, declarou que dois helicópteros da Força Aérea Portuguesa estavam empenhados no combate directo aos incêndios. Segundo o ministro, aeronaves P-3 Orion e C-295 estavam igualmente a ser utilizadas na detecção precoce de fogos. O ministro da Administração Interna afirmou que a prorrogação da situação de alerta para a semana seguinte estava a ser avaliada e dependeria da persistência das condições meteorológicas adversas, sem anunciar uma decisão formal.
Apoio internacional
Em 3 de julho, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou a activação do Mecanismo Europeu de Proteção Civil e dos acordos bilaterais de cooperação com Espanha e Marrocos, medida destinada a reforçar preventivamente os meios disponíveis, embora a capacidade nacional de combate não estivesse esgotada.
Na madrugada de 4 de julho, uma equipa da Unidade Militar de Emergências de Espanha, constituída por 120 operacionais e 30 veículos, iniciou o apoio ao combate ao incêndio de Vouzela. Através do mecanismo europeu, a Comissão Europeia indicou que três aeronaves da reserva rescEU, provenientes de Itália e de Espanha, estavam a caminho de Portugal; duas aeronaves anfíbias Canadair italianas devem operar a partir da Base Aérea de Beja e reforçar o combate em Vouzela. Espanha disponibilizou ainda uma aeronave Canadair no quadro do acordo bilateral activado por Portugal. Impacto
O maior impacto territorial conhecido no período correspondeu ao incêndio de Vouzela. Segundo uma estimativa do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), divulgada na noite de 3 de julho, tinham ardido 12 160 hectares. No balanço divulgado pela Protecção Civil na noite seguinte, a área ardida foi indicada como 13 000 hectares.
Em 5 de julho, a RTP referiu que a área ardida se aproximava dos 14 000 hectares. No mesmo dia, o comandante operacional Simão Velês indicou que 47 pessoas tinham recebido assistência no âmbito do incêndio de Vouzela: duas em estado grave, 13 com ferimentos ligeiros e 32 assistidas no local.
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