Pedro Álvarez, também registado como Perálvarez, foi um capitão e administrador colonial activo na Província da Venezuela em meados do século XVI. Serviu como veedor do rei e participou no povoamento de Borburata, para onde foi enviado por Juan de Villegas em 1549. Em 1551, foi nomeado um dos alcaldes do cabildo de Nuestra Señora de la Concepción de Borburata; documentos de 1552 identificam-no como «capitão» e alcalde ordinário da povoação.

A documentação disponível situa a sua actividade entre 1547 e 1554, mas não permite estabelecer com segurança a sua origem, data de nascimento, morte ou relações familiares.

Expedições de Juan de Villegas

Pedro Álvarez acompanhou Juan de Villegas na exploração da região de Tacarigua, actual lago de Valência. Um estudo de Carlos Rojas Malpica refere que esteve presente quando Villegas tomou posse da lagoa, em 1547, juntamente com Luis de Narváez.

A partir dessa expedição, Villegas dirigiu-se à costa e lavrou, em 24 de fevereiro de 1548, a acta de fundação de Nuestra Señora de la Concepción de Borburata. A fundação, contudo, não se concretizou imediatamente: Villegas regressou a El Tocuyo, e só no ano seguinte confiou a Pedro Álvarez o estabelecimento efectivo da nova povoação.

Povoamento de Borburata

Em novembro de 1549, Villegas emitiu uma ordenança para o povoamento de Borburata, encarregando Pedro Álvarez de a executar. O texto tratava da condução da hoste, do transporte de gado, da abertura de caminhos, do abastecimento, da exploração mineira e do repartimento de terras e indígenas. Previa ainda a incorporação de indígenas no trabalho, «se possível pacificamente», e proibia o rescate, isto é, o comércio directo com indígenas praticado por particulares.

As instruções dadas a Pedro Álvarez em 19 de novembro de 1549 são consideradas as mais antigas instruções de povoamento conhecidas para a Província da Venezuela. Entre outras determinações, mandavam-no reunir mantimentos em Tacarigua antes de seguir para o porto de Borburata, onde deveria construir casas provisórias até à chegada de Villegas para proceder ao traçado formal da cidade e à distribuição de solares.

Pedro Álvarez saiu de El Tocuyo como capitão e veedor do rei, com quarenta homens, cinco mulheres e setenta indígenas, para povoar o local de Borburata, então habitado pelos quiriquires. Antes da expedição, Villegas já enviara vários escravos de origem africana para preparar os cultivos.

A fundação de Borburata decorreu, assim, em etapas distintas: Villegas lavrou a acta inicial em 1548; Pedro Álvarez conduziu o estabelecimento efectivo a partir de 1549; e, em 1551, Villegas organizou o cabildo, completando formalmente o processo fundacional.

Alcalde de Borburata

Em 1551, Juan de Villegas apresentou-se em Borburata para conferir estatuto de cidade ao povoado estabelecido junto da enseada. Nomeou Pedro Álvarez e Virgilio García como alcaldes, juntamente com os regedores Juan Domingo Antillano, Gonzalo Martel de Ayala, Diego de Montes, Miguel Barrientos, Alonso Carvallo, Pedro Miranda e Luis de Narváez.

A documentação judicial de 1552 confirma a actuação de Pedro Álvarez como alcalde ordinário da cidade. Em 18 de maio, ordenou ao alcalde das minas que recolhesse depoimentos numa causa ocorrida em Chirgua; em 20 de maio, determinou que Diego de Montes providenciasse tratamento para o escravo Cristóbal, ferido durante o conflito; e, em 23 de maio, realizou uma visita à prisão e tomou a declaração daquele escravo.

Em 17 de junho de 1552, Pedro Álvarez proferiu a sentença no processo. O documento conservado no Arquivo Geral das Índias identifica-o como «Pedro Álvarez, alcalde ordinário», sendo a decisão subscrita também pelo escrivão Francisco de San Juan.

Relações com os indígenas e hato de Valência

O processo de residência ligado à sua administração contém referências à relação de Pedro Álvarez com chefes indígenas da região de Tacarigua. Segundo a transcrição citada por Carlos Rojas Malpica, Pedro Álvarez declarou ter entregue vestuário ao principal Naguanagua e ter-lhe pedido que trouxesse outros indígenas à povoação.

No mesmo processo, respondeu a acusações relativas à perseguição de indígenas acusados de matar cristãos. Na sua própria versão, declarou ter mandado expor o corpo de um indígena morto, identificado como Guaxina, como castigo e exemplo para outros grupos indígenas. A afirmação corresponde, no entanto, à sua resposta no processo de residência, não permitindo, por si só, estabelecer todos os factos alegados no caso.

Omar A. León Liscano refere que, numa declaração de 2 de janeiro de 1554, recolhida no processo de residência, Pedro Álvarez afirmou ter estabelecido um hato — exploração pecuária extensiva — nas terras da «outra banda», identificadas pelo autor com a área do actual vale de Valência. Segundo essa declaração, Naguanagua exercia ali funções de caporal.

A mesma fonte relaciona esse episódio com a expansão da encomienda sobre as populações indígenas da costa central e da bacia do lago de Valência entre 1548 e 1554.

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