Drosophila serrata é uma espécie de mosca-da-fruta pertencente ao género Drosophila, incluída na família Drosophilidae.
Descrita por John Russell Malloch em 1927, é um importante organismo-modelo utilizado em investigações de genética quantitativa e ecologia evolutiva. De acordo com o Catalogue of Life, não possui subespécies conhecidas.
Diferente doutros drosofilídeos, a D. serrata destaca-se no estudo da seleção sexual e da comunicação química. Pesquisadores utilizam a espécie para analisar a evolução de hidrocarbonetos cuticulares (CHCs), compostos químicos na superfície do corpo do inseto que atuam tanto como barreiras contra a desidratação quanto como feromónios para o reconhecimento de parceiros.
Taxonomia Drosophila serrata foi descrita formalmente em 1927 pelo entomologista escocês John Russell Malloch, em sua série de publicações científicas sobre a fauna australiana. O holótipo utilizado para a descrição taxonómica foi coletado na localidade de Eidsvold, no estado de Queensland.
O status evolutivo da espécie e a classificação mudou na década de 1960. Em 1961, os geneticistas Theodosius Dobzhansky e Ken Mather identificaram uma linhagem morfologicamente muito semelhante na Papua-Nova Guiné e ao norte australiano, classificando-a inicialmente como uma subespécie, batizada Drosophila serrata birchii.
No entanto, experimentos de isolamento reprodutivo comportamental conduzidos pelo biólogo evolutivo Francisco J. Ayala em 1965 provaram que as duas populações não realizavam hibridação natural devido ao isolamento sexual. Diante das evidências ecológicas, a antiga subespécie foi formalmente elevada ao status de espécie distinta (Drosophila birchii). Tal conjunto de organismos integra o complexo de espécies irmãs hoje conhecido como o grupo serrata (subgênero Sophophora).
Distribuição Habitat A espécie é endêmica da região da Australásia, distribuindo-se amplamente ao longo da costa leste da Austrália (desde o norte tropical de Queensland até ao sul temperado de Nova Gales do Sul) e também na Papua-Nova Guiné. Habita principalmente florestas tropicais húmidas.
Importância científica Seleção sexual A espécie possui variações na composição de hidrocarbonetos cuticulares (CHCs) na sua superfície corporal, os quais atuam como feromonas cruciais para a escolha de parceiros e isolamento reprodutivo face a espécies semelhantes. Nestes cruzamentos, os machos híbridos costumam apresentar alta esterilidade, que serve como barreira ao fluxo génico entre as espécies.
Estudos de evolução experimental demonstram que CHCs polimórficos sofrem forte pressão seletiva e evoluem rapidamente. Em regiões de simpatria com o grupo irmão Drosophila birchii, o perfil químico da D. serrata diverge de forma acentuada para evitar o acasalamento interespecífico, um fenômeno conhecido como efeito Wallace.
O ortólogo DsFAR2-B em específico regula a síntese dessas substâncias, gerando um equilíbrio dinâmico entre a preferência reprodutiva dos machos e a resistência climática das fêmeas.
Adaptação climática Sua variação genética ao longo das latitudes permite ser um organismo-modelo utilizado em ensaios laboratoriais para mapear os limites fundamentais da evolução de traços ecológicos em resposta a ambientes de dessecação e ao estresse térmico.
Bibliografia Gilbert, S.E. 2003. Developmental Biology, 7ª ed., pp 307-355 e pp 711-748, Sinauer Associates Inc., Sunderland. Hartfelder K. 2006. Genética do Desenvolvimento e Evolução dos Grandes Grupos de Animais. Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, USP. Lasko, P. 1999. RNA sorting in Drosophila oocytes and embryos. The FASEB Journal 13: 421-433. Palacios, I.M. 2007. How does na mRNA find its way? Intracellular localisation of transcripts. Seminars in Cell & Developmental Biology 18: 163-170.
Ligações externas
Categoria:Drosophila Categoria:Organismos modelo Categoria:Dípteros descritos em 1927 Categoria:Dípteros da Austrália Categoria:Insetos da Papua-Nova Guiné