A 7-hidroximitraginina é um alcaloide indólico lipofílico altamente potente derivado das folhas da Mitragyna speciosa (kratom), uma árvore perene nativa do Sudeste Asiático, e desempenha um papel central na farmacologia e toxicologia desta planta. Embora a mitraginina seja o componente quantitativamente dominante no vegetal, a 7-hidroximitraginina atua como o principal mediador dos seus efeitos analgésicos e psicoativos mais intensos, sendo também gerada no organismo humano através do metabolismo hepático de primeira passagem da própria mitraginina por via da enzima CYP3A4. Farmacodinamicamente, o composto funciona como um agonista parcial dos recetores de opioides mu (μ) no sistema nervoso central, exibindo uma afinidade de ligação e uma potência terapêutica significativamente superiores às da morfina. O seu grande interesse neurofarmacológico reside no facto de ser um agonista funcional enviesado (biased agonist), o que significa que ativa predominantemente a via de sinalização intracelular da proteína G em detrimento do recrutamento da via da beta-arrestina 2; esta seletividade molecular reduz a probabilidade de efeitos adversos fatais comuns aos opioides clássicos, como a depressão respiratória grave e a disfunção intestinal, embora o risco de dependência física, tolerância e síndrome de abstinência permaneça elevado após o uso crónico. Devido a este perfil complexo e à proliferação de extratos purificados no mercado digital global, a substância foi classificada como uma Nova Substância Psicoativa e proibida por lei em múltiplas jurisdições internacionais, incluindo Portugal, o que restringe o seu manuseamento atual a laboratórios de investigação científica e ao isolamento químico para fins de toxicologia forense.https://www.fda.gov/files/drugs/published/7-hydroxymitragynin_7-oh_an_assessment_of_the_scientific_data_and_toxicological_concerns_around_an_emerging_opioid_threat.pdfhttps://diariodarepublica.pt/dr/legislacao-consolidada/decreto-legislativo-regional/2012-115917097
Categoria:Opioides