A eritrodisestesia palmoplantar, comummente conhecida como síndrome das mãos e pés, é uma reação adversa dermatológica severa que decorre de tratamentos oncológicos sistémicos, afetando doentes submetidos a certos agentes quimioterápicos (como a capecitabina, 5-fluorouracilo ou doxorrubicina lipossómica) e a terapias moleculares direcionadas (inibidores da quinase de tirosina). A sua fisiopatologia envolve a extravasação e acumulação destes fármacos citotóxicos nos microcapilares das palmas das mãos e das plantas dos pés — áreas expostas a constante fricção, pressão e maior temperatura —, desencadeando um processo inflamatório local que se manifesta por eritema simétrico, edema, parestesias, dor ardente e, em estágios avançados, descamação, fissuras ou ulcerações debilitantes. A classificação clínica da Organização Mundial da Saúde e do National Cancer Institute (NCI-CTCAE) varia entre o Grau 1 (alterações cutâneas mínimas sem dor) e o Grau 3 (lesões severas e dolorosas que impedem o autocuidado e as atividades diárias), exigindo uma abordagem de suporte multidisciplinar que inclui a aplicação de emolientes espessos (cremes à base de ureia), evicção de calor e atrito mecânico, crioterapia profilática durante as perfusões, analgesia e, nos quadros mais graves, a redução temporária da dose ou suspensão do protocolo oncológico sob estrita supervisão médica.https://www.bccancer.bc.ca/nursing-site/Documents/Palmar%20Plantar%20Erythrodysesthesia%20NCI%20v.5%20Update.pdf

Categoria:Oncologia