A Marcha foi um jornal semanal brasileiro editado no Rio de Janeiro entre 1953 e 1965, dirigido por Gumercindo Rocha Dorea. Constituiu o principal órgão de imprensa ligado ao Partido de Representação Popular (PRP) e o mais importante periódico Integralista no pós-Ditadura, sucedendo os jornais Reação Brasileira e Idade Nova.

História

Fundação e contexto

Com o fim da Ditadura Vargas, os antigos militantes da Ação Integralista Brasileira (AIB) reorganizaram-se politicamente através do Partido de Representação Popular (PRP), fundado em 1945. Durante os primeiros anos do partido circularam diversos periódicos nacionais, entre eles Reação Brasileira e Idade Nova. Com o encerramento deste último, em abril de 1951, o PRP passou a organizar uma campanha nacional de arrecadação de recursos para o lançamento de um novo jornal.

Ao longo de 1952 foram promovidas rifas, doações e campanhas financeiras em todo o país, culminando na fundação de A Marcha, em 20 fevereiro de 1953. O periódico tornou-se rapidamente o principal instrumento de divulgação do pensamento Integralista no pós-ditadura e permaneceu em circulação por cerca de doze anos, alcançando edições. Houve apenas uma interrupção entre janeiro de 1963 e setembro de 1964, quando voltou a circular até seu encerramento definitivo em 1965.

Embora afirmasse não ser "um jornal partidário no sentido comum da expressão", apresentando-se como um veículo voltado à formação de uma mentalidade cristã e nacionalista, A Marcha manteve estreita vinculação com o PRP. Seus principais redatores eram dirigentes do partido e os editoriais e matérias de maior relevância eram submetidos à apreciação de Plínio Salgado.

Circulação

Segundo informações divulgadas pelo próprio jornal, A Marcha alcançou expressiva circulação nacional. Em seu primeiro ano afirmava distribuir exemplares em mais de municípios, número que teria ultrapassado dois mil municípios em 1954.

No final daquele ano informava uma tiragem de aproximadamente 42 mil exemplares, crescendo durante a campanha presidencial de 1955 para números superiores a setenta mil exemplares, chegando a anunciar setenta mil exemplares em determinadas edições. A impressão era realizada pelo Diario Carioca, que chegou a confirmar publicamente tiragens superiores a setenta mil unidades. Nos anos finais, quando sua periodicidade passou a ser bimestral, o periódico ainda informava manter circulação em torno de cinquenta mil exemplares.

Linha editorial e conteúdo

A orientação editorial de A Marcha era fundamentada nos princípios do cristianismo, do nacionalismo e da doutrina integralista. O periódico defendia a formação moral, cívica e cultural da sociedade brasileira, atribuindo especial importância à juventude e à educação política. Foi dirigido por Gumercindo Rocha Dorea, contando com a colaboração de destacados intelectuais e dirigentes integralistas, incluindo Plínio Salgado e Wolfram Metzler.

Uma de suas principais características foi o forte anticomunismo, presente tanto nos editoriais quanto nas reportagens nacionais e internacionais. O jornal criticava sistematicamente a União Soviética, a China comunista e os regimes do Leste Europeu, além de denunciar a infiltração comunista em partidos e governos brasileiros.

Ao mesmo tempo, também dirigia críticas ao capitalismo internacional e ao chamado "espírito burguês", entendidos como manifestações de um mesmo materialismo contrário aos valores espirituais defendidos pelo Integralismo. Segundo editoriais de Plínio Salgado, o periódico pretendia constituir uma "trincheira" contra o comunismo, o capitalismo internacional e a decadência moral da sociedade contemporânea.

Além da divulgação da doutrina integralista, A Marcha possuía conteúdo bastante diversificado. Entre suas seções encontravam-se:

"Doutrina", dedicada à exposição dos princípios integralistas; "O PRP de Norte a Sul", com notícias da organização partidária em todo o país; "Atividades Parlamentares", acompanhando a atuação dos representantes do PRP; "A Semana Política" e "A Política e os Políticos", voltadas à análise da conjuntura nacional; "Resenha Internacional" e "Terra dos Homens", sobre política internacional; "A Marcha do Comércio e da Indústria", "Vida Agrária" e "À Margem da Questão Agrária", abordando temas econômicos e sociais.

O jornal também dedicava espaço às organizações vinculadas ao movimento integralista, como a Confederação dos Centros Culturais da Juventude (CCCJ), responsável pelas colunas "Movimento Águia Branca" e "Ergue-te, Mocidade!", e a União Operária e Camponesa do Brasil (UOCB), que mantinha a seção "A Marcha Operária e Camponesa".

Cultura

Uma das características marcantes d'A Marcha foi o amplo espaço reservado à cultura. A seção "A Marcha das Artes e das Letras", localizada inicialmente nas páginas centrais do jornal, ocupava posição de destaque e reunia crítica literária, poesia, filosofia, ensaios religiosos e comentários sobre artes plásticas, teatro e cinema.

Nesta área destacaram-se escritores e críticos como Tasso da Silveira, responsável por grande parte da seção literária, Ironides Rodrigues, crítico de cinema, e Walmir Ayala, que assinou textos sobre artes plásticas.

O periódico também publicava colunas dedicadas ao rádio, televisão, esportes, livros, revistas e humor, procurando alcançar um público mais amplo e contribuir para a formação cultural de seus leitores. Esse conjunto de seções refletia o propósito integralista de promover uma reforma moral e cultural que ultrapassasse a simples propaganda política.

Encerramento

Em 1965, mesmo ano do encerramento do PRP, A Marcha deixou de circular. Seu desaparecimento marcou o fim do principal periódico do integralismo no período democrático do pós-guerra.

Posteriormente, parte da atividade jornalística do movimento foi continuada em escala mais reduzida por Renovação Nacional, dirigido por Jader Medeiros, ligado à UOCB.

Ver também

A Offensiva Acção

Categoria:Jornais em língua portuguesa Categoria:Mídia do Rio de Janeiro (cidade) Categoria:Partido de Representação Popular Categoria:Publicações extintas em 1965 Categoria:Publicações fundadas em 1953 Offensiva