Andréa Pontes e Silva (Pelotas, 15 de fevereiro de 1983) é uma advogada, paracanoísta e ativista brasileira pelos direitos das pessoas com deficiência. Atleta da Seleção Brasileira de Paracanoagem, é fundadora e presidente da União Nacional de Acessibilidade (UNA) e idealizadora do UNA Parque, em Brasília, espaço de esporte e lazer voltado à inclusão de pessoas com deficiência.
Antes de iniciar a carreira no esporte paralímpico, praticou voleibol, modalidade na qual foi campeã estadual nas categorias de base. Em 2007, aos 24 anos, ficou paraplégica em decorrência de uma lesão medular causada por um acidente automobilístico. Durante o processo de reabilitação, em Brasília, teve contato com a canoagem e passou a competir pela seleção brasileira, ao mesmo tempo em que se dedicava ao ativismo pela acessibilidade.
A partir de sua trajetória esportiva, estruturou um conjunto de projetos sociais e culturais voltados a pessoas com deficiência, reunidos sob a UNA, entre eles o UNA Parque, o cinema acessível Cine Una e ações de turismo acessível na capital federal. Em 2026, ganhou repercussão nacional ao obter uma condenação judicial da Uber por discriminação, após um motorista do aplicativo se recusar a transportar sua cadeira de rodas. No mesmo ano, apresentou-se como pré-candidata a deputada distrital pelo Partido Liberal (PL) no Distrito Federal.
Biografia
Infância e formação Andréa Pontes nasceu em Pelotas, no Rio Grande do Sul, em 15 de fevereiro de 1983. Descreve a infância como muito ativa e marcada pela prática esportiva, alimentando desde cedo o objetivo de tornar-se atleta profissional. Ainda jovem, dedicou-se ao voleibol, modalidade na qual chegou a ser campeã estadual nas categorias de base. Posteriormente, formou-se em Direito e fixou residência em Brasília.
Acidente e reabilitação Em 2007, aos 24 anos, Pontes sofreu um acidente automobilístico que resultou em lesão medular e paraplegia, com perda dos movimentos abaixo do quadril. Durante o tratamento médico, esteve internada no Hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, período em que teve o primeiro contato com a canoagem, atividade à qual atribui papel central na recuperação física e emocional.
Carreira esportiva
Início na paracanoagem O contato de Pontes com a canoagem ocorreu de forma fortuita, durante o período de reabilitação em Brasília. Em uma visita ao lago da cidade, foi observada pela treinadora Diana Nishimura, a mesma que introduziu o atleta Fernando Fernandes na modalidade, que a incentivou a fazer um teste na paracanoagem. Pontes passou a treinar e, a partir de 2012, foi convocada para competições pela Seleção Brasileira de Paracanoagem.
Seleção brasileira e títulos Em 2014, Pontes sagrou-se campeã brasileira e campeã sul-americana de paracanoagem, ano em que, contudo, não conseguiu vaga para os Jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro. Após um período afastada das competições, retornou em 2021, quando conquistou o título brasileiro de velocidade, em Cascavel, e o campeonato sul-americano da modalidade, em Montevidéu.
Em 2023, alcançou o título mundial de paracanoagem, que considera a principal conquista de sua carreira. Também representou o Brasil no Campeonato Mundial de 2015, disputado em Milão, na Itália.
Título mundial de 2023 A conquista do título mundial de 2023 é apontada por Pontes como a realização de um sonho pessoal de longa data.
Ativismo e acessibilidade
União Nacional de Acessibilidade Após ingressar na Seleção Brasileira de Paracanoagem, Pontes passou a ser procurada por outras pessoas com deficiência interessadas na modalidade. Reconhecendo o papel do esporte em sua própria recuperação, idealizou um projeto de canoagem voltado à reabilitação e à inclusão. De início pequeno, o projeto deu origem à União Nacional de Acessibilidade (UNA), entidade que Pontes fundou e preside. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro tornou-se madrinha da iniciativa. A UNA chegou a manter unidades em outras localidades, como Marabá, no Pará, onde oferecia paracanoagem e stand up paddle às margens do rio Tocantins; o projeto na cidade foi encerrado após a prefeitura não renovar o termo de fomento.
UNA Parque O UNA Parque, idealizado por Pontes em Brasília, é um espaço de esporte e lazer inclusivo descrito pela imprensa como o primeiro parque totalmente acessível do país. O local oferece, com agendamento prévio, práticas esportivas adaptadas a pessoas com e sem deficiência, entre elas canoagem, stand up paddle, tiro com arco, escalada, ioga e tênis de mesa, além de infraestrutura como rampas, pisos adaptados e sinalização em braile. Segundo Pontes, o parque funciona por temporadas e, em uma delas, atendeu cerca de 3 mil pessoas gratuitamente no Parque da Cidade.
Cine Una Em abril de 2026, a UNA lançou o Cine Una, projeto de sessões de cinema gratuitas e acessíveis voltadas a pessoas com deficiência, com recursos como audiodescrição. Entre os títulos exibidos esteve a animação Moana 2.
Almoço das Mães Atípicas Em maio de 2026, o UNA Parque promoveu um almoço gratuito em homenagem às chamadas "mães atípicas", mães de pessoas com deficiência, no Distrito Federal, como ação de acolhimento e valorização das redes de apoio familiar.
Brasília Turismo Acessível À frente da UNA, Pontes participou do programa de turismo acessível da capital federal, em parceria com a Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur-DF), o Ministério do Turismo e a Embratur, voltado a tornar pontos turísticos da cidade acessíveis a pessoas com deficiência. No âmbito da iniciativa, foi elaborado um guia de turismo arquitetônico acessível que mapeou atrativos do eixo central de Brasília, como o Memorial JK, a Torre de TV, o Museu Nacional Honestino Guimarães, a Catedral Metropolitana e a Praça dos Três Poderes.
Acessibilidade em parques nacionais Em 2021, durante a gestão do ministro Ricardo Salles à frente do Ministério do Meio Ambiente, Pontes participou do programa Parque+, voltado à acessibilidade em parques nacionais. A iniciativa incluiu a implementação de cadeiras de rodas adaptadas a trilhas (modelo Julietti), e Pontes foi a primeira a inaugurar o equipamento na Floresta Nacional de Brasília. Em abril do mesmo ano, esteve em Fernando de Noronha para inaugurar o uso da cadeira adaptada no Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha.
Atuação jurídica
Caso Uber Em 2026, Pontes obteve na Justiça do Distrito Federal a condenação da Uber ao pagamento de indenização por danos morais, após um motorista do aplicativo se recusar a transportá-la em razão de sua cadeira de rodas. O caso teve ampla repercussão na imprensa nacional, com cobertura de veículos como G1, CNN Brasil, Correio Braziliense e Metrópoles, e foi noticiado como referência em discussões sobre discriminação contra pessoas com deficiência no transporte por aplicativo. Advogada de formação, Pontes afirmou que a decisão representa uma resposta às situações de discriminação enfrentadas cotidianamente por pessoas com deficiência.
Carreira política Em abril de 2026, Andréa Pontes apresentou-se como pré-candidata a deputada distrital pelo Partido Liberal (PL) no Distrito Federal, movimento que contou com o apoio da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, descrita como sua madrinha política.
A pré-candidatura tem como eixo central a defesa dos direitos das pessoas com deficiência e a ampliação de políticas públicas de acessibilidade e inclusão no Distrito Federal.
Honrarias e reconhecimentos Troféu ouro na categoria Experiências Acessíveis do 1.º Prêmio Brasília, da Secretaria de Turismo do Distrito Federal, em 2021, pela participação no guia de turismo acessível da capital. Ordem do Mérito Princesa Isabel, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, em dezembro de 2022, pela atuação em prol dos direitos das pessoas com deficiência por meio da UNA.
Ver também Paracanoagem Acessibilidade Direitos das pessoas com deficiência
Referências
Ligações externas
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