Eufêmia da Rúgia (c. 1280 – 1 de maio de 1312) foi rainha consorte da Noruega como esposa de Haakon V da Noruega. Ela foi responsável pela introdução da literatura da cavalaria medieval na corte, após ter encomendado a tradução de romances do tipo para a língua norueguesa. Uma coletânea de três romances leva o seu nome. Era mãe da primeira regente mulher da Suécia, Ingeborg da Noruega, e avó do rei Magno IV da Suécia e VII da Noruega.

Família Eufêmia era filha do poeta Vitislau II, o príncipe da Rúgia, um principado do Reino da Dinamarca, hoje localizado na Alemanha, e de Inês de Brunsvique-Luneburgo.

Os seus avós paternos eram Jaromar II, Príncipe da Rúgia e Eufêmia da Pomerânia. Os seus avós maternos eram Otão I, Duque de Brunsvique-Luneburgo e Matilde de Brandemburgo.

Ela teve sete irmãos, entre eles: Vitislau III, sucessor do pai; Jaromar, bispo de Cammin; Sambor, sucessor do pai junto ao irmão, Vitislau; Margarida, esposa de Bogislau IV, Duque da Pomerânia, e mãe de Eufêmia da Pomerânia, consorte do rei Cristóvão II da Dinamarca; Helena, cujo primeiro marido foi João III de Meclemburgo, e o segundo foi Bernardo II, Príncipe de Anhalt-Bernburgo, etc.

Biografia Eufêmia era parecida com o pai, instruída e obstinada.

thumb|left|Busto do rei Haakon V na Catedral de Stavanger.

Eufêmia se casou com o então príncipe Haakon, o duque da Noruega, na primavera de 1299. Ela tinha por volta de 18 a 19 anos, e ele tinha por volta de 29 anos. O noivo era filho de Magno VI da Noruega e de Ingeborg da Dinamarca. O casamento foi provavelmente acordado em uma reunião de conciliação dinamarquesa-norueguesa no outono de 1298, na qual seu pai, o príncipe Vitislau participou como mediador e fiador. A tentativa de encontrar uma esposa inglesa e, posteriormente, francesa para o duque foi então definitivamente abandonada. Ele já havia sido casado com Isabel de Joigny, porém ela morreu pouco tempo depois, em 1295 ou 1297.

Como dote, Eufêmia recebeu 3.000 marcos de prata pura, e a maior parte dessa quantia foi usada para promover os interesses noruegueses na Dinamarca. O presente matinal de Haakon para a nova rainha foi uma renda fixa de 1.200 marcos de prata, além da fazenda Bygdøy, perto de Oslo, com todos os direitos associados.

Vida como rainha Poucos meses após o casamento, o irmão do príncipe, o rei Érico II, morreu no dia 15 de julho. Apesar de ter sido casado duas vezes, não teve filhos legítimos, mas teve duas filhas. Assim, Haakon sucedeu ao trono com Eufêmia ao seu lado. A coroação do casal, que passou a morar na Fortaleza de Akershus, ocorreu no dia 1 de novembro de 1299, em Oslo ou em Nidaros. O rei ofereceu um grande banquete e concedeu muitos privilégios e multas à Igreja.

Na primavera de 1300, a rainha acompanhou o marido em sua procissão até os confins do país, e então selou a grande escritura de doação emitida para a Igreja de Santa Maria, em Oslo. No natal de 1302, o pai da rainha foi hóspede do casal real em Oslo, para participar da celebração do noivado da princesa Ingeborg, de um ano de idade, com o príncipe Érico Magnusson, Duque da Sudermânia, filho do rei Magno III da Suécia. Vitislau II faleceu durante essa estadia, e o testamento, lavrado em 27 de dezembro, nomeia Eufêmia como uma das executoras. O pai da rainha foi enterrado na Igreja de Santa Maria. Como parte de sua herança, ela recebeu duas tigelas de prata.

A rainha, juntamente com o marido e a rainha viúva Isabel Bruce, esteve presente na Igreja de São João, em Bergen, em dezembro de 1305, quando Arne Sigurdsson foi consagrado como o novo bispo de Bergen. Na mesma ocasião, 16 senhores, clérigos e seculares, emitiram uma carta de testemunho na qual prometiam respeitar as disposições do rei relativas à manutenção da rainha. Em 1307, o cabido da catedral de Nidaros anunciou que, em retribuição à benevolência e às doações do rei Haakon, uma missa de réquiem seria celebrada perpetuamente por ele e pela rainha em seus leitos de morte. Disposições detalhadas para uma celebração semelhante na Igreja de Santa Maria, em Oslo, constam do testamento do rei.

Eufêmia ganhou do marido o Palácio de Oscarshall, para que ela desse festas para os nobres da corte. Anos depois, a rainha deu a propriedade para um mosteiro, que mais tarde foi revertido à coroa.

Assim como o pai, Vitislau, Eufêmia se interessava pela cultura e literatura de cavalaria, e introduziu uma etiqueta meticulosa na corte norueguesa, assim como vestimentas extravagantes e festividades esplêndidas. Ela e Haakon também patrocinaram a tradução de romances cavalheirescos do original em alemão e francês para o norueguês, e encorajou a escrita de obras similares por poetas dinamarqueses. Três romances de cavalaria em francês e alemão do século XII foram traduzidas e enviadas a corte sueca. As três baladas se chamavam Herr Ivan lejonriddaren (1303), Hertig Fredrik av Normandie (1301 ou 1308) e Floris e Brancaflor (provavelmente de 1312). Cada poema possui uma declaração final que foi traduzida pela iniciativa da própria rainha. Essas obras ficaram conhecidas em sueco como Eufemiavisorna, as "Baladas de Eufêmia", e eram populares na Suécia e Noruega. Acredita-se que a mesma pessoa escreveu os três poemas.

O volume central da Crônica de Érico, em sueco, que trata do genro de Eufêmia, Érico, e que provavelmente foi escrito na década de 1320, retrata a vida na corte em torno da rainha durante o banquete de natal, em Oslo, em 1302. A descrição é permeada por ideais cortesãos e cenas fantasiosas, mas, ao mesmo tempo, possui um estilo narrativo realista que a torna historicamente interessante. Ao que parece, Eufêmia era uma admiradora romântica do duque Érico, e isso, por vezes, criava problemas para o rei na relação bastante instável que mantinha com o duque.

Morte A rainha Eufêmia faleceu em 1 de maio de 1312, com cerca de 32 anos, e foi sepultada na Igreja de Santa Maria. O rei Haakon morreu em 1319 e também foi enterrado na Igreja. Em 1982, o casal foi reenterrado na capela real da Fortaleza de Akershus.

A Igreja de Santa Maria deve ter sido um ponto permanente e central na vida do rei e da rainha. A igreja também é mencionada no testamento de Eufêmia, e a importante ordenança de 1314, que determinou que o deão da Igreja de Santa Maria seria, dali em diante, o chanceler do rei, justifica a medida como um auxílio espiritual para o casal real.

No século XXI, uma rua no centro de Oslo foi renomeada em homenagem a rainha Eufêmia.

Descendência Ingeborg da Noruega (1301 - 17 de junho de 1361), foi esposa de Érico Magnusson, Duque de Sudermânia, com quem teve dois filhos: Magno IV da Suécia e Eufêmia da Suécia, mãe do rei Alberto da Suécia. Ela foi regente da Suécia e Noruega durante a menoridade do filho. Anos depois da morte do marido no Banquete de Nyköping, Ingeborg se casou com Canuto Porse, Duque de Halland, com quem teve dois filhos;

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