Geferson Santana (São Félix, 2 de julho de 1990) é um historiador público e escritor brasileiro, especializado em História Pública Negra e Humanidades Digitais, História do Livro e da Edição e História do Brasil. Pesquisador pioneiro no desenvolvimento de um movimento sobre História Pública Negra nas universidades brasileiras e na sistematização e ampliação do conceito a partir de atividades acadêmicas e de práticas de edição e curadoria de dados em mídias digitais.

É autor do romance Mar Grande - As águas que correm para a Baía de Todos os Santos (2016), que foi objeto de estudo de cursos, conferências, workshops, aulas de pós-graduação e de pesquisas internacionais. Com a publicação do livro, em 2019, foi considerado uns dos 5 escritores baianos mais jovens, com menos de 30 anos de idade.

Biografia Geferson Santana nasceu no dia 2 de julho de 1990, em São Félix, cidade do Recôncavo Baiano. Cresceu no distrito de Coqueiros, Maragogipe, sendo filho de Raimundo Pereira de Jesus, pescador e mestre de saveiro, e de Edna Santos Santana, marisqueira e burnideira. É sobrinho-neto de Ricardina Pereira da Silva, conhecida como Dona Cadu, ceramista considerada Tesouro Humano Vivo nos termos propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU) e Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).

Carreira acadêmica e profissional Estudou no ensino público em sua educação básica, e, durante sua formação acadêmica, foi bolsista da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB) na graduação e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) no mestrado e no doutorado. Iniciou sua formação acadêmica no curso de Licenciatura em História pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, formando-se em 2014. Em 2017, concluiu seu mestrado em História e Historiografia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), e, em 2024, seu doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo (USP), tornando-se referência nacional e internacional nos estudos da obra de Jorge Amado.

Neste mesmo ano, criou o laboratório de pesquisa História Editorial, onde desenvolve projetos editoriais e práticas de História Pública Negra. Em outubro de 2024, vinculou seu laboratório ao projeto Wikiversidade da Wikimedia Fundation. Atua como pesquisador vinculado ao Laboratorio de Investigación en Literatura y Cultura del Océano y Catástrofes, da Cátedra Fernão de Magalhães da Universidad de Playa Ancha (Chile) e do Instituto Camões (Portugal), coordenado pela pesquisadora Daiana Nascimento dos Santos e à Red Latinoamericana de Cultura Gráfica (RED-CG).

Alargou as experiências no campo da editoração, atuando, durante vários anos, como editor de livros científicos e de livros didáticos e de revistas acadêmicas, destacando-se o trabalho que desenvolveu em editoras como a FTD Sistema de Ensino, Editora Multifoco e a Geekie da Arco Educação. Como editor independente, em 2022, criou o Selo História da América Latina, no qual fez a editoração de duas coletâneas internacionais: Políticas Culturais dos Partidos Comunistas na América Latina (Selo História da América Latina, 2020), como organizador juntamente com a professora Adriana Petra, da Argentina; e Gerencia deportiva en America Latina: escenario y formación académica (Selo História da América Latina, 2022), primeira obra sobre o tema em espanhol.

Participou em revistas acadêmicas colaborando na criação de dois periódicos. O primeiro foi a Revista Eletrônica Discente História.com, que foi a primeira revista de História da UFRB e o primeiro periódico discente desta universidade, onde atuou como editor-chefe entre os anos de 2013 e 2019. O outro foi a Revista Nordestina de História do Brasil (RNHB), no qual foi um dos fundadores e editor-chefe, atuando desde 2018, período de criação do periódico, até 2024. A RNHB foi uma revista nichada em História do Brasil que ampliou as fronteiras do país e consolidou uma rede internacional de pesquisadores neste campo. Em 2020, a RNHB criou o canal do YouTube de divulgação científica História do Brasil TV, que recebeu a honraria Selo Saberes Históricos da Associação Nacional de História (ANPUH) por sua contribuição para a difusão de um conhecimento em História, especialmente História do Brasil, em 2023. Atua em alguns periódicos internacionais como membro de Conselho Editorial e parecerista, como da revista Amoxtli: Historia de la Edición y la Lectura, da Universidad Finis Terrae e Ariadna Ediciones, Chile.

Em 2026, criou o selo editorial de seu laboratório, que leva o mesmo nome, publicando, neste mesmo ano, o primeiro volume do Almanack Afro-Brasileiro de História Pública (História Editorial, 2026), obra pioneira ao contribuir nos debates sobre História Pública Negra no Brasil. Além do livro, tem debatido de forma pioneira e inserido no contexto das universidades brasileiras o conceito de História Pública Negra no país, e numa perspectiva transnacional, ao desenvolver várias atividades acadêmicas e demais práticas de edicação e curadoria em mídias digitais, como conferências, workshops e a apresentação de comunicações em eventos da área. Em março, ministrou na Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) o primeiro workshop dedicado à História Pública Negra no país, intitulado Crowdsourcing e as práticas de História Pública Negra nos projetos Wikimedia, como uma das oito propostas selecionadas no Brasil para representar o país no Open Data Day [Dia dos Dados Abertos 2026] (ODD), com o apoio financeiro da Open Knowledge Brasil (OKBR). Em abril, ofertou o workshop de mesmo nome na III Jornada de Estudos Históricos e História Pública da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).

Carreira como escritor No período em que cursou o mestrado, Geferson Santana escreveu seu primeiro romance, intitulado Mar Grande - As águas que correm para a Baía de Todos os Santos, publicado pela Editora Multifoco, em 2016. Neste livro, o jovem autor mergulha na cultura local de comunidades ribeirinhas, tecendo como plano de fundo a comunidade de Beira Mar, no Recôncavo Baiano. Em 18 de fevereiro de 2017, ocorreu o lançamento de seu livro no Baian’a Point, em Cachoeira. Com a publicação do romance, foi considerado uns dos 5 escritores baianos mais jovens, com menos de 30 anos de idade.

Seu livro foi objeto de estudo de cursos, conferências, workshops, aulas de pós-graduação e de pesquisas internacionais. Em 2022, seu romance inspirou a escrita da obra En las entrañas do mar / Nas entranhas do mar (Editorial Puntángeles, 2022), da escritora premiada e poetisa angolana Kanguimbu Ananaz, no qual foi o prefaciador, e foi publicada em espanhol e português pela editora chilena Editorial Puntángeles.

Obras Eu seu trabalho como historiador, publicou livros, alguns traduzidos para outros idiomas, e organizou coletâneas internacionais de forma independente pelo seu selo-laboratório. Em 2016, enveredou pela literatura, publicando seu primeiro romance, o livro Mar Grande - As águas que correm para a Baía de Todos os Santos.

Livros publicados

Raça e classe: a agenda política dos intelectuais comunistas baianos, Novas Edições Acadêmicas, 2018. Políticas Culturais dos Partidos Comunistas na América Latina, Selo História da América Latina, 2020. Almanack Afro-Brasileiro de História Pública, Selo História Editorial, 2026.

Livros traduzidos

Raza y clase: La agenda política de los intelectuales comunistas bahianos, Ediciones Nuestro Conocimiento, 2024. Race and Class: The political agenda of Bahian communist intellectuals, Our Knowledge Publishing, 2024. Race et classe: L'agenda politique des intellectuels communistes bahianais, Editions Notre Savoir, 2024. Razza e classe: L'agenda politica degli intellettuali comunisti bahiani, Edizioni Sapienza, 2024. Ethnie und Klasse: Die politische Agenda der kommunistischen Intellektuellen in Bahia, Verlag Unser Wissen, 2024.

Romance

Mar Grande - As águas que correm para a Baía de Todos os Santos, Editora Multifoco, 2016.

Antologia

Além da terra, além do céu: Antologia de poesia brasileira contemporânea, volume 4, Chiado Books, 2019.

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