A Copa do Mundo FIFA de 2026 foi objeto de grandes debates e controvérsias relacionados tanto à sua organização do evento quanto a questões políticas e diplomáticas envolvendo países participantes e anfitriões. Entre os temas discutidos estiveram mudanças no formato da competição, políticas migratórias, restrições de entrada em território estadunidense e a participação de determinadas seleções. Esses episódios geraram repercussão na imprensa e motivaram manifestações de autoridades, entidades esportivas e organizações da sociedade civil ao longo do período de preparação e realização do torneio. Os preparativos para o torneio geraram controvérsias, principalmente devido às rígidas políticas de imigração e vistos dos Estados Unidos, que afetam as equipes classificadas e seus torcedores, à participação do Irã durante o seu conflito, ainda em curso, com os EUA e Israel, e ao uso de preços dinâmicos de ingressos pela FIFA.

Oposição ao aumento no número de países A Associação Europeia de Clubes e seus clubes membros se opuseram à proposta de expansão da Copa do Mundo, dizendo que o número de jogos já estava em um nível "inaceitável" e instaram o órgão governante a reconsiderar sua ideia de aumentar o número de equipes que se classificam. Alegaram que se tratava de uma decisão tomada por razões políticas porque Infantino satisfaria assim o seu eleitorado, e não por razões esportivas. O presidente da Liga Nacional de Fútbol Profesional (La Liga), Javier Tebas, concordou, afirmando a inaceitabilidade do novo formato. Ele disse ao Marca que a indústria do futebol se mantém graças aos clubes e ligas, não à FIFA, e que Infantino usou a promessa de mais países jogando na Copa do Mundo para ganhar sua eleição. O à época técnico da seleção alemã, Joachim Löw, alertou que a expansão, como ocorreu na Euro 2016, diluiria o valor do torneio mundial porque os jogadores já atingiram seu limite físico e mental. Até mesmo durante o torneio, o presidente da União das Associações Europeias de Futebol (UEFA), o esloveno Aleksander Čeferin, manifestou-se contra o aumento, gerando forte oposição de nota conjunta de federações de África, da Ásia e do Caribe.

Imigrantes muçulmanos As ordens executivas do presidente dos EUA, Donald Trump, relativas à imigração de certos países de maioria muçulmana implementadas em 2017 foram apresentadas como um risco potencial, com Infantino dizendo: "Qualquer seleção, incluindo os seus torcedores e dirigentes, que se qualifique para uma Copa do Mundo precisa ter acesso ao país anfitrião; caso contrário, não há Copa do Mundo." Em resposta, o governo Trump enviou cartas à FIFA que diziam, em parte, que Trump estava "confiante" de que "todos os atletas, funcionários e torcedores elegíveis de todos os países todo o mundo seriam capazes de entrar nos Estados Unidos sem discriminação." Em 2018, Trump questionou os países que pretendiam apoiar a candidatura de Marrocos para sediar a Copa do Mundo de 2026, twittando: "Os EUA montaram uma FORTE candidatura com Canadá e México para a Copa do Mundo de 2026. Seria uma pena se os países que sempre apoiamos fizessem lobby contra a candidatura dos EUA. Por que deveríamos apoiar esses países quando eles não nos apoiam (inclusive nas Nações Unidas)?" Em janeiro de 2021, a proibição de viagem foi revertida por seu sucessor, Joe Biden.

Preocupações em torno da realização do torneio também foram levantadas devido à política de imigração do segundo governo Donald Trump. Em resposta, o vice-presidente JD Vance disse: "É claro que todos são bem-vindos para vir e ver este evento incrível, mas quando o tempo acabar, eles terão que ir para casa. Caso contrário, eles terão que falar com a secretária Kristi Noem". Em junho de 2025, uma segunda proibição de viagens foi promulgada, embora contenha uma isenção para atletas e suas equipes de apoio que entram nos Estados Unidos para eventos como a Copa do Mundo FIFA, Olimpíadas ou outros grandes eventos esportivos, conforme determinado pela Secretaria de Estado.

Alegação de falta de segurança nos estádios mexicanos Em março de 2022, o presidente da Liga MX, Mikel Arriola, afirmou que o envolvimento do México como co-anfitrião poderia estar em risco se a liga e a federação não tivessem respondido rapidamente a Tragédia no Estádio da Corregidora entre torcedores rivais que deixou 26 espectadores feridos e resultou em 14 prisões. Arriola disse que a FIFA ficou "chocada" com o incidente, mas Infantino ficou satisfeito com as sanções impostas contra o Querétaro.

Questões climáticas Em janeiro de 2025, a Queen's University Belfast alertou sobre os potenciais riscos de calor para a maioria das cidades-sede e instou a FIFA a agendar o início das partidas para o final da tarde ou da noite, afirmando que a temperatura do globo de bulbo úmido em certas cidades-sede era mais alta do que a do Catar no inverno. Preocupações também foram levantadas por ativistas climáticos sobre o impacto ambiental tanto da expansão para 48 equipes quanto das viagens entre as cidades-sede, a maioria das quais exigiria viagens aéreas extensas e aumentaria as emissões de carbono, um contraponto a uma das metas da FIFA sobre sustentabilidade. Durante a Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2025, que também foi sediada nos Estados Unidos, várias partidas relataram altas temperaturas variando de 32 a 39 °C (90 a 102 °F) e atrasos climáticos. Um relatório dos Cientistas pela Responsabilidade Global de julho de 2025 calculou que a quantidade de emissões de gases com efeito de estufa do torneio o tornaria um dos eventos mais poluentes do mundo, já que seria quase o dobro da média dos últimos quatro torneios (2022 teria tido 5,25 milhões de toneladas métricas (5,79 milhões de toneladas curtas)), aproximadamente a mesma quantidade que 6,5 milhões de carros dirigidos por um ano.

Direitos humanos

México Em março de 2025, o sindicato Building and Wood Workers' International (BWI) acusou a FIFA de bloquear uma inspeção trabalhista planejada no Estádio Azteca, na Cidade do México, que estava passando por reformas em preparação para a Copa do Mundo FIFA de 2026. De acordo com a BWI, a intervenção da FIFA impediu que os inspetores avaliassem as condições de trabalho no local, levantando preocupações sobre potenciais violações de direitos trabalhistas semelhantes a supostos casos de trabalho escravo na Copa do Mundo de 2022 no Catar.

Estados Unidos Em 11 de junho de 2025, a Sports & Rights Alliance, a Human Rights Watch e a Anistia Internacional apelaram à FIFA para garantir que os direitos humanos nos Estados Unidos fossem respeitados durante o torneio, especialmente à luz do uso da força durante os protestos anti-ICE em Los Angeles, onde jornalistas e manifestantes foram atacados pela polícia local. Os grupos também apelaram aos Estados Unidos para garantir que os direitos LGBTQIAP+ fossem respeitados durante o torneio, à luz da erosão desses direitos pela administração Trump.

Presença de Israel Questões envolvendo a Guerra de Gaza desde 2023, fizeram com que países como a Espanha ameaçassem boicotar a Copa do Mundo em caso de uma classificação de Israel. A medida, vista como inédita na história do torneio, repercutiu após a participação do país nas eliminatórias pelo Grupo I junto com Noruega, Estônia e Moldavia, gerando debates pela mídia ocidental. Com a repercussão, tendo até comparações com a punição envolvendo a Rússia e a Bielorrússia, que foram automaticamente eliminadas das eliminatórias de 2022 e de 2026 por conta da Invasão na Ucrânia, representantes da ONU chegaram a pedir para que a UEFA e a FIFA excluíssem Israel da competição. Uma reportagem do jornal britânico The Times, do dia 25 de setembro de 2025, relatou que a UEFA realizaria uma reunião de emergência para discutir a permanência de Israel nas eliminatórias, tendo também maioria favorável pela sua desclassificação, além de aumentar a pressão na FIFA, que estaria alinhada politicamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, através do presidente da entidade, Gianni Infantino. O caso não seria inédito na história do campeonato já que além de Rússia e Bielorrússia em 2022, a África do Sul ficou suspensa entre as décadas de 1960 a 1990 por conta do regime de Apartheid, e demais seleções como Colômbia, a própria Espanha, Japão e Alemanha por outros incidentes, no caso dos três últimos, a suspensão aconteceu por situações envolvendo guerras de alcance internacional.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, rejeitou os pedidos para suspender Israel de competições internacionais. Ele afirmou: “A FIFA não pode resolver os crescentes problemas geopolíticos, mas pode e deve promover o futebol em todo o mundo, explorando os seus valores unificadores, educativos, culturais e humanitários.” Infantino destacou ainda que “o poder do futebol está em unir as pessoas num mundo dividido. Queremos continuar enviando uma mensagem de paz e de unidade.”

A decisão marcou uma diferença em relação à postura adotada em 2022, quando FIFA e UEFA suspendeu a Rússia de torneios após a invasão da Ucrânia. Neste caso, a entidade defendeu que sua função é manter o esporte como espaço de integração, sem intervir em disputas políticas.

Mesmo diante da repercussão, não houve nenhuma ação prática de boicote, visto que Israel ficou em terceiro em seu grupo, não indo nem diretamente à Copa nem à repescagem.

"Jogo do Orgulho" entre Irã e Egito Antes do sorteio dos grupos, a partida marcada para ocorrer no dia 26 de junho na cidade de Seattle foi definida para ser a "Partida do Orgulho" em virtude da coincidência com a Parada LGBT local. O planejamento inicial era a presença de celebrações LGBTQ+ e exposições de arte ao redor do estádio. No entanto, pelo sorteio, o referido jogo seria disputado entre as seleções do Egito e do Irã, ambos países majoritariamente muçulmanos nos quais a homossexualidade ainda é criminalizada por lei. Em virtude disto, a Associação Egípcia de Futebol enviou uma carta à FIFA pedindo para impedir quaisquer manifestações em prol da comunidade LGBTQIA+ no jogo, alegando ser "essencial evitar atividades que possam gerar tensão ou mal-entendidos entre torcedores do Egito e do Irã". Em nota, a EFA requisitou: "pedimos à FIFA que garanta que a partida ocorra em uma atmosfera focada exclusivamente no esporte e livre de manifestações que contradigam as crenças das nações participantes". Por sua vez, o presidente da Federação de Futebol da República Islâmica do Irã, Mehdi Taj, informou à agência local ISNA que apresentou uma objeção ao evento, classificando a iniciativa como um “ato irracional que apoia um determinado grupo”.

Apesar dos protestos de ambas as equipes, a "Partida do Orgulho" foi mantida, conforme informou o comitê de organização local, SeattleFWC26. Na ocasião, foi esclarecido que as celebrações e exposições se limitariam ao exterior do estádio. O evento resgatou o incidente da Copa do Mundo de 2022, no qual as braçadeiras de capitão com o símbolo do arco-íris e a inscrição "OneLove", adotadas como protesto à proibição das relações homoafetivas no país sede Catar, foram proibidas sob pena de cartão amarelo aos jogadores que a utilizassem.

Ameaça de boicote da Alemanha

Com as tensões causadas pelo presidente Donald Trump em suas ameaças de invasão à Gronelândia, o governo alemão anunciou no dia 20 de janeiro de 2026 que iria boicotar a Copa do Mundo e retirar a sua seleção do torneio caso se concretizase a anexação da ilha dinamarquesa pelos Estados Unidos. Em uma pesquisa realizada pelo jornal Bild, 47% dos alemães se mostraram favoráveis a saída do país da competição e 35% se mostraram contrários. A Federação Alemã de Futebol e a FIFA informaram que estavam monitorando a situação.

Participação do Irã