Passinho do Jamal é um grupo de coreografia e dança brasileiro de brega funk criada em 2020 pelos amigos Romero Silva Oliveira Júnior (conhecido como Jamal ou Jamal da Capital) e Pedro Henrique (conhecido como Eo Chapa). Surgida nas ruas do bairro de Santo Amaro, no Recife, Pernambuco, caracteriza-se por movimentos dos braços e das pernas executados de forma sincronizada, acompanhados por um leve balanço do quadril e um senso de ritmo apurado.
A dança ganhou repercussão nacional e internacional, impulsionada pela viralização em plataformas de vídeos curtos, como o TikTok e o Instagram, alcançando diversos artistas, influenciadores e atletas. O sucesso da coreografia também gerou uma disputa pública sobre sua autoria entre Jamal e o influenciador Arthur Lima, após este último publicar um vídeo comemorando a repercussão do passinho na Tailândia sem mencionar Jamal.
Origem e contexto cultural O Passinho do Jamal surgiu no bairro de Santo Amaro, na região central do Recife, Pernambuco, onde os amigos de infância Romero Silva Oliveira Júnior (Jamal) e Pedro Henrique (Eo Chapa) criaram a coreografia. A criação ocorreu em 2020, mas a dança só passou a repercutir nas redes sociais cerca de cinco anos depois. Inicialmente, Jamal e os amigos ensaiaram a coreografia no quintal de casa antes de ele compartilhá-la nas redes sociais. Com o tempo, os vídeos passaram a circular em diversos estados brasileiros e a conquistar o mundo, e a dança começou ser reconhecida juntamente com a música "Toma Botada", de Eo Chapa e MC Rogê. Segundo Eo Chapa, a intenção inicial não era viralizar, pois os amigos começaram a dançar como uma brincadeira.
A coreografia foi criada a partir de movimentos já presentes nos passinhos do brega funk e da cultura dos passinhos populares do Recife. Segundo Jamal, a inspiração veio de um passo que era realizado apenas com os pés, com movimentos de um lado para o outro — "dois prum lado e dois pro outro" ou "um, dois, um, dois, três" — ao qual ele acrescentou movimentos dos braços acompanhando os pés. A dança também tem raízes nos encontros de dança do brega funk conhecidos como "muvucão". O diferencial do passo foi a forma como Jamal reorganizou esses movimentos, incorporando gestos dos braços e uma dinâmica própria à coreografia.
A dança está relacionada ao contexto do brega funk pernambucano, gênero musical que surgiu nas periferias do Grande Recife entre 2008 e 2010 e que utiliza as redes sociais como uma de suas formas de divulgação. Segundo o pesquisador Thiago Soares, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o brega funk representa um processo de "jovialização" do brega, caracterizado por uma dimensão jovial e por um processo de "coreografização" que dialoga com as redes digitais, sendo uma expressão voltada ao consumo nas plataformas online. Segundo Jamal, o passinho contribuiu para ampliar a visibilidade do brega funk, gênero que, segundo ele, ainda sofre julgamentos e estigmas.
Características A coreografia combina movimentos sincronizados dos braços e das pernas, acompanhados por um balanço do corpo e um senso de ritmo apurado. A sequência tem como base um passo para um lado, outro para o outro e três passos de volta, com os braços acompanhando os movimentos dos pés.
O Passinho do Jamal apresenta uma dinâmica marcada pelo trabalho rápido dos pés, mudanças de direção e pelo balanço do corpo seguindo o ritmo do brega funk. O resultado é um passo simples de reproduzir, mas extremamente marcante visualmente, uma combinação que favorece sua circulação nas redes sociais. A dança se encaixa em diversas músicas, não se limitando à faixa que a tornou viral.
Diferentemente de outras coreografias de brega funk, o foco do passinho não está nos movimentos do quadril, mas na sincronia entre braços e pernas de forma rítmica, quase como uma marcha. Ao deslocar elementos presentes no passinho tradicional para os ombros e os braços, Jamal criou uma dança mais lúdica e menos erotizada.
Repercussão A dança virou uma tendência global nas redes sociais, com milhões de visualizações em plataformas como TikTok e Instagram, alcançando crianças e adultos, além de artistas, influenciadores e atletas, e sendo reproduzida ao som de diversas músicas do gênero. Em outubro de 2025, a música "Toma Botada", de Eo Chapa e MC Rogê, chegou ao Top 3 Virais do Spotify por sua associação com a dança. Em junho de 2026, o jogo eletrônico Fortnite adicionou o emote "Passinho do Jamal", vendido por 500 V-Bucks e embalado ao som da música "Taka La Dentro". Em novembro de 2025, o jogo eletrônico Free Fire também adicionou a animação.
No Brasil, celebridades como João Gomes, Ivete Sangalo, Chico César, Adriane Galisteu, Léo Santana, Péricles, Felipe Amorim, Zé Vaqueiro, Tarcísio do Acordeon e MC Don Juan aderiram à tendência. Durante o Big Brother Brasil 26, o passinho apareceu em diferentes dinâmicas do programa, como a Prova do Líder, a Casa de Vidro e o Quarto Branco, nas quais os participantes dançaram ao som de "Toma Botada". Durante o Rio Fashion Week de 2026, influenciadores digitais reproduziram a dança em meio ao desfile, o que gerou críticas e debates nas redes sociais sobre os limites entre performance, influência e respeito ao universo da moda.
A coreografia ganhou notoriedade no futebol. Durante a Copa do Mundo FIFA de 2026, o zagueiro Chad Riad apareceu dançando o Passinho do Jamal durante a apresentação oficial da seleção marroquina; os jogadores da seleção de Cabo Verde comemoraram sua classificação para a fase de mata-mata com o passinho; o jogador Nico Williams dançou o passinho no palco montado para a festa da Espanha em celebração ao título mundial, em Madrid. O jogador espanhol Lamine Yamal comemorou a última conquista do Barcelona na La Liga fazendo a coreografia. O atacante brasileiro Endrick comemorou dançando após marcar o último gol na vitória do Lyon por 4 a 2 sobre o Rennes, pela Ligue 1, e depois ensinou o passinho ao repórter e ex-futebolista Guillaume Hoarau. O jogador Vinícius Júnior também levou a dança para os gramados europeus.
O passinho também alcançou o mundo da música. Felix, integrante do Stray Kids, e J-Hope, integrante do BTS, publicaram um vídeo nas redes sociais fazendo a coreografia. O grupo sul-coreano NTX dançou o passinho durante sua apresentação no 2.º Festival da Srta. Kim, em Belém, Pará. Joe Jonas, da banda Jonas Brothers, publicou vídeos dançando o passinho em duas ocasiões, uma antes e outra após desembarcar no Brasil para um show com os irmãos Kevin e Nick Jonas.
A repercussão se estendeu a outros países, especialmente na Ásia. Nas Filipinas, o Passinho do Jamal apareceu no Sangyaw Festival de Tacloban, conhecido como Festival das Luzes, onde a dança ficou conhecida como "Brazilian Dance". Na Tailândia, um grupo de participantes apresentou uma coreografia sincronizada durante o Festival de Velas de Ubon Ratchathani, chamando a atenção de brasileiros devido à semelhança com o Passinho do Jamal.
Disputa de autoria Em agosto de 2026, Jamal e o influenciador Arthur Lima se envolveram em um embate público após este último publicar um vídeo nas redes sociais reagindo a alunos de uma escola da Tailândia reproduzindo a dança e comemorando que ela havia chegado ao país. Arthur foi acusado por internautas de "roubar" os créditos pela dança e ganhar fama por algo que não havia criado. O influenciador carioca vinha sendo apontado há algum tempo por publicar vídeos recriando a coreografia sem mencionar Jamal, apontado por muitos como o criador do passinho.
Na publicação, Jamal comentou: "O criador sou eu pae calma ai!!" e acrescentou: "O cara fala até em estrangeiro pra os pessoal dos EUA pensarem que foi ele que criou a dança (risos) meu Deus". Em um desabafo posterior, Jamal declarou: "De novo, essa polêmica de Arthur Lima querendo se apropriar de uma coisa que ele não criou, minha tropa. Fico muito chateado de ver a audácia desse cara, meu irmão. Isso não se faz, não, mano. Nada demais a pessoa dar os créditos a uma dança que a outra pessoa criou". Ele também pontuou que outras pessoas utilizam a dança para fins comerciais, como divulgação de marcas, sem que haja retorno financeiro ou de publicidade para ele: "Por que não chama o criador do passinho?".
Arthur Lima, por sua vez, se pronunciou negando ter afirmado ser o criador e rebateu as críticas: "Infelizmente pessoal não gosta de ver a felicidade de ninguém, eu só reagi ao pessoal da gringa dançando o passinho. E querendo ou não eu quem trouxe o passinho aqui para fora, onde eu vou o pessoal me reconhece pela dança". Ele afirmou que em nenhum momento citou que a dança era sua, que já havia publicado um story informando não ser o criador e marcando Jamal, e que chegou a tentar gravar com ele, mas recuou por conta das críticas. "Não pode mais dançar esse passinho. É proibido dançar o passinho agora? Eu não tô sabendo", questionou.
Jamal respondeu dizendo não ter problemas com quem faz o passinho, mas acusou Arthur de associar a dança a si como se fosse o dono dela: "A moral da história é: ele está associando como se fosse criador da parada tá ligado? Pode fazer o passinho à vontade, mas o problema é que ele está querendo se manter como se fosse o dono da dança". Em seguida, abriu espaço para reconciliação: "Não tenho raiva de você. Por mim eu fazia as pazes, a gente fazia um vídeo, pode frisar aí que o passinho é meu em rede social, TikTok e sem estresse". A polêmica mobilizou internautas e criadores de conteúdo pernambucanos em defesa do reconhecimento a jovens negros da periferia que impulsionam a cultura nacional.
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Categoria:Danças Categoria:Brega funk Categoria:Fenômenos da Internet no Brasil