A viagem apostólica de Leão XIV à França aconteceu entre 25 e 28 de setembro de 2026, ocasião em que visitou as cidades de Paris, Lourdes e Metz. Foi a quarta viagem pela Europa e a sexta viagem internacional de Leão XIV desde sua eleição em maio de 2025.

A viagem foi oficialmente anunciada em 16 de maio de 2026 pelo porta-voz da Santa Sé, Matteo Bruni, em um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé. É o aceite do convite do Chefe de Estado francês Emmanuel Macron e das autoridades eclesiásticas do país, bem como do Diretor-Geral da UNESCO, Khaled al-Anani.

Lema e logotipo O lema escolhido é "Para que o mundo tenha vida" (Pour que le Monde ait la vie), um convite a reconhecer o maior presente que nos foi dado por Cristo Salvador. É também um apelo à esperança e à comunhão, que nos encoraja a superar as divisões para partilhar a paz, a reconciliação e a fraternidade, sinais de vida nova no mundo.

Conforme divulgado pela Sala de Imprensa da Santa Sé, "o logotipo da visita do Santo Padre à França retrata um vitral circular, que remete às rosáceas das catedrais góticas, simbolizando a beleza da comunhão e da unidade na Igreja. No centro, o arco ogival e a Cruz expressam a dimensão apostólica e litúrgica da viagem. A pomba, que paira no coração da composição, evoca o Espírito Santo e traz consigo um ramo de oliveira, sinal de paz para toda a humanidade. Os tons de azul, branco e vermelho, o amarelo-laranja da luz e o verde da esperança entrelaçam as cores da França com as do Vaticano, destacando ao mesmo tempo a dimensão espiritual da visita".

Itinerário Em Paris, nos dias 25 e 26 de setembro, ele visita a Catedral de Notre-Dame de Paris e faz um discurso na sede da UNESCO.

No dia 27 de setembro, ele visitou o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes, em Lourdes...

No dia 28 de setembro, ele foi à Catedral de Santo Estêvão em Metz, em homenagem a Robert Schuman, que é titulado como "Pai da Europa", em vias da beatificação.

Programação +Itinerário oficial da viagem apostólica (25-28 de setembro de 2026)Data de lançamentoCidadesPrincipais atos25 de setembroParis → Saint-Denis → ParisChegada ao Aeroporto de Paris-Orly (10h); cerimônia de boas-vindas no Palácio do Eliseu, com visita de cortesia ao presidente Emmanuel Macron (11h); encontro com autoridades, sociedade civil e corpo diplomático (11h45); visita à sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (15h); celebração das Vésperas com os bispos, padres, diáconos, consagrados e seminaristas na Catedral de Notre-Dame de Paris (17h15); vigília de oração com jovens no Stade de France (21h) 26 de setembroParis → LourdesVisita ao Centro de Apoio Social e Integração Maison Bakhita (9h); encontro com os membros da Assembleia Sinodal Provincial, os Catecúmenos e os Neófitos no Instituto Católico de Paris (10h15); Santa Missa na Praça da Concórdia (15h); partida de avião do Aeroporto de Paris-Orly para Lourdes (17h45); chegada ao Aeroporto de Tarbes-Lourdes-Pirenéus (19h05); oração na Gruta das Aparições de Massabielle no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes (19h40)27 de setembroLourdesEncontro com os bispos da Conferência Episcopal da França no hemiciclo "Sainte-Bernadette" do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes (9h); Santa Missa no Prado do Santuário de Nossa Senhora de Lourdes (11h); encontro com os trabalhadores e hóspedes do Acolhimento Notre-Dame no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes (15h30); encontro privado com as religiosas contemplativas no Mosteiro Carmelita de Lourdes (16h45); oração do Terço e a procissão das Velas no Santuário de Nossa Senhora de Lourdes (21h) 28 de setembroLourdes → MetzPartida de avião do Aeroporto de Tarbes-Lourdes-Pirenéus para Metz (7h40); chegada ao Aeroporto de Metz-Nancy-Lorena (9h20); encontro inter-religioso no Centro de Conferências Robert Schuman em Metz (10h); encontro “Nas raízes da Europa pela paz e unidade” no Centro de Conferências Robert Schuman em Metz (11h); Santa Missa na Catedral de Santo Estêvão em Metz (16h); cerimônia de despedida no Aeroporto de Metz-Nancy-Lorena (18h30) e retorno a Roma.

Paris (25 e 26 de setembro) O Airbus A321 da ITA Airways, aterrisou no Aeroporto Internacional de Paris/Orly às 9h56, após ter percorrido cerca de 1.152 quilômetros. O núncio apostólico, Celestino Migliore, e o chefe do Protocolo francês subiram as escadas do avião para saudar o Santo Padre, que é então recebido pelo presidente da República Francesa, Emmanuel Macron, aos pés da escada dianteira do avião.

No Palácio do Eliseu, sede da Presidência da República, o Pontífice encontrou autoridades políticas e religiosas, representantes da sociedade civil, da cultura e do corpo diplomático. Leão se pronunciou logo após o presidente do país, Emmanuel Macron, na Salle des fêtes. Junto às saudações oficiais, também recordou o povo francês, formado por uma "diversidade de origens" que ajuda a "enriquecer a convivência e a vida democrática" em um país que é "patrimônio cultural e religioso". Um povo que também faz parte das origens familiares do Papa, bem recordadas por Leão, ao citar as raízes nas regiões francesas da Normandia e de Béarn. O Papa discursou sobre a proteção à vida no discurso às autoridades, alertando sobre "a tentação de esperar da ciência solução e conforto para todos os nossos sofrimentos" e sobre a importância de se respeitar também a laicidade, que "não exclui a dimensão religiosa, mas, pelo contrário, sabe valorizá-la como um recurso educativo". Leão XIV citou o exemplo das escolas católicas presentes na França, que ajudam a dialogar e a respeitar dentro da sociedade. O Papa, ao citar o lema da viagem ao país, "Para que o mundo tenha vida", insistiu sobre o respeito ao próximo e a serví-lo com dignidade, "independentemente da sua origem", constitui um contributo valioso para o diálogo entre os povos, para a defesa dos direitos das pessoas, bem como ao serviço da paz. thumb|220px|Sede da UNESCO em Paris O segundo discurso do Santo Padre na França foi na sede da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, a UNESCO. Leão XIV pronunciou um longo discurso, partindo da carta constitucional da própria UNESCO, que nasceu em 1946: “Uma vez que as guerras se iniciam nas mentes dos homens, é nas mentes dos homens que devem ser construídas as defesas da paz”. A Paz não pode ser construída apenas com tratados, mas “é verdadeira quando brota da virtude da justiça, mais do que de um mero contrato”. Analisou que formas de barbárie fomentam rivalidades e conflitos. E as novas tecnologias podem se tornar um novo instrumento de domínio e injustiça. Na diversidade de perspectivas, a UNESCO é chamada a criar harmonia entre as nações, num cenário atual que o Pontífice descreveu entre Torre de Babel e Pentecostes. Por fim, manifestou confiança no papel da UNESCO e das instituições internacionais e destacou a educação, a ciência orientada pela ética, a proteção de crianças e jovens e o diálogo entre povos e religiões como caminhos para promover a justiça, preservar a dignidade de cada pessoa e construir um futuro comum. thumb|left|200px|Catedral de Notre-Dame Durante as Vésperas na Catedral de Notre-Dame, o Papa Leão XIV exortou a Igreja na França a priorizar a conversão missionária, inspirando-se na reconstrução da catedral após o incêndio como símbolo de renovação, acolhimento e esperança. O Pontífice afirmou que a comunidade cristã não deve ser um refúgio diante das mudanças do mundo, mas uma Igreja “em saída”, viva, próxima e aberta a todos, especialmente às periferias, aos estrangeiros e aos marginalizados, contribuindo para superar diferenças culturais e curar as feridas da sociedade. Ressaltou ainda que a falta de recursos não deve limitar a missão, valorizou o papel essencial dos fiéis leigos como presença da Igreja na vida cotidiana e conclamou bispos, sacerdotes, diáconos e consagrados a serem guardiães de uma Igreja que pratica a hospitalidade, testemunha o amor de Deus e enfrenta o futuro com confiança, tendo Maria como guia da missão da Igreja francesa.

Finalizando o primeiro dia, em encontro com cerca de 80 mil jovens no Stade de France, o Papa Leão XIV incentivou os presentes a viverem a fé com coragem, confiança e respeito, especialmente diante daqueles que não compartilham das mesmas crenças. Ao responder a perguntas sobre testemunho cristão e discernimento, destacou que a amizade com Jesus, a oração, o silêncio, a ação e a Palavra de Deus são fundamentais para reconhecer o caminho que cada pessoa é chamada a seguir, lembrando que, em Cristo, “Deus nunca é indiferente ao homem”. Para enfrentar a ansiedade e as incertezas, recomendou cultivar a gratidão e não ter medo de acolher os planos de Deus. A vigília terminou em clima de oração, com uma reflexão sobre a cruz e a Santa Túnica de Argenteuil como sinais da Paixão de Cristo e, ao mesmo tempo, de esperança e da vida de Deus oferecida ao mundo.

No segundo dia de viagem, Leão XIV iniciou com uma visita a um centro de acolhimento para migrantes, intitulado "Maison Bakhita", um projeto da Arquidiocese de Paris e administrado pelas Irmãs Scalabrinianas. Ali destacou a importância de acolher, proteger, promover e integrar aqueles que chegam em busca de uma nova vida. Inspirando-se em Santa Josefina Bakhita, religiosa sudanesa que foi escravizada antes de conquistar a liberdade, o Papa ressaltou especialmente o papel das mulheres na construção de uma sociedade mais fraterna e solidária e defendeu a necessidade de enxergar aqueles que permanecem invisíveis, combater novas formas de escravidão e reconhecer a dignidade de cada pessoa. Leão XIV lembrou ainda que ninguém é tão pobre que não tenha algo a oferecer, nem tão rico que não tenha algo a receber, e agradeceu aos que trabalham diariamente em favor dos migrantes e refugiados, apresentando esse serviço como expressão concreta da esperança, da paz e da caridade cristã. thumb|220px|Praça da Concórdia. Durante a Missa celebrada na Praça da Concórdia, em Paris, diante de mais de 800 mil fiéis, o Papa Leão XIV refletiu sobre a busca humana por felicidade, sentido e realização, afirmando que bens materiais, prazeres e conquistas são incapazes de preencher plenamente o vazio interior do ser humano, cuja sede mais profunda encontra resposta em Deus. Apresentando Cristo como a verdadeira “fonte de água viva”, o Pontífice incentivou especialmente os católicos franceses a não guardarem a fé para si, mas a transformá-la em esperança para aqueles que enfrentam o desânimo e a aridez espiritual. Leão XIV também dirigiu palavras de incentivo às famílias, aos jovens e aos novos cristãos, valorizando o compromisso daqueles que trabalham pela vida, pela paz, pela fraternidade e pela justiça, e concluiu confiando a França à intercessão de Nossa Senhora, para que a fé, a esperança e a caridade continuem florescendo no país.

Lourdes (26 a 28 de setembro) thumb|left|220px|Imagem de Nossa Senhora de Lourdes na Gruta das Aparições de Massabielle. Em Lourdes, encerrando o dia 26 de setembro, o Papa Leão XIV viveu um momento de oração na Gruta das Aparições de Massabielle, onde repetiu gestos tradicionais dos peregrinos, rezando diante da imagem de Nossa Senhora, tocando a rocha, bebendo da água da fonte e acendendo uma vela. Em sua prece, confiou à Virgem o povo francês e pediu uma sociedade marcada pela concórdia, capaz de afastar o ódio e a violência, amparar os mais pobres e defender a dignidade e os direitos fundamentais de todos. O Papa também rezou para que os governantes atuem com sabedoria e espírito de serviço, promovendo o bem comum e a paz e rejeitando a lógica da guerra, além de pedir a renovação da fé das famílias, atenção especial aos jovens, doentes e sofredores e novas vocações para a Igreja. Ao final, ofereceu uma Rosa de Ouro, rezou o Pai-Nosso e concedeu a bênção apostólica.