O Art déco em Portugal corresponde à manifestação, em território português, do estilo Art déco de artes decorativas, arquitetura e design, com maior expressão entre as décadas de 1920 e 1930. Em Portugal, a arte nova teve presença limitada, ao passo que o art déco — frequentemente associado à primeira fase do modernismo arquitetónico nacional — se difundiu de forma considerável, sobretudo em Lisboa e no Porto.
Contexto O estilo afirmou-se em Portugal a partir de meados da década de 1920, trazido por uma geração de arquitetos formados nas escolas de belas-artes e atentos às correntes europeias, em particular ao impacto da Exposição Internacional de Artes Decorativas e Industriais Modernas, realizada em Paris em 1925, da qual o termo art déco viria a derivar. A sua divulgação foi condicionada por algum isolamento cultural do país e pela resistência dos meios académicos e oficiais à inovação.
A esta geração pertenciam, entre outros, Cassiano Branco, Cristino da Silva, Pardal Monteiro, Cottinelli Telmo, Carlos Ramos, Jorge Segurado e Rogério de Azevedo, a que se juntou, no Porto, José Marques da Silva.
Características À semelhança do que sucedia internacionalmente, as obras portuguesas de inspiração art déco privilegiavam o jogo de formas geométricas, a verticalidade, a ornamentação estilizada e a ostentação de volumes, recorrendo a materiais modernos como o betão armado. Na produção do período convivia uma vertente mais decorativa, próxima das "artes decorativas" importadas de Paris, com outra de pendor mais geométrico e depurado, então designada por "cubista".
Exemplos notáveis Lisboa O Cine-Teatro Capitólio (1925–1931), de Cristino da Silva, é apontado como a primeira obra modernista construída em Portugal. Inovador no emprego do betão armado, reunia teatro, cinema e cervejaria e refletia influências do Movimento Moderno e do art déco. O Cineteatro Éden (1930–1933) e o Hotel Vitória (1934–1935), ambos de Cassiano Branco, contam-se entre os exemplos mais reconhecidos da primeira modernidade lisboeta.
Porto O Coliseu do Porto (1939), de Cassiano Branco, é considerado uma obra de síntese e de grande maturidade estilística, encerrando a sua atividade projetual nessa década. A Garagem do Comércio do Porto, de Rogério de Azevedo, distingue-se pela sua forte expressão depurada.
Declínio A partir da década de 1930, e sobretudo durante o Estado Novo, afirmou-se uma corrente de cariz nacionalista, o chamado Português Suave, que procurava uma arquitetura "genuinamente portuguesa" e que se sobrepôs progressivamente às linguagens modernas e déco. Vários arquitetos da geração modernista, incluindo Cassiano Branco, viriam a aproximar-se, em maior ou menor grau, dessa estética oficial.
Ver também Art déco Arquitetura de Portugal Modernismo Português Suave
Referências
Categoria:Arquitetura de Portugal Categoria:Arte de Portugal Categoria:Modernismo em Portugal