Arthur George "Art" Smith (Cuba, 1917–1982, Nova York) foi um dos principais designer de joias modernistas de meados do século XX e um dos poucos afro-caribenhos que trabalhavam na área a alcançar reconhecimento internacional.

Biografia miniaturadaimagem|Colar em espiral por volta de 1958.|306x306px Art Smith nasceu em Santa Lúcia, Cuba, depois que seus pais emigraram da Jamaica. Eles se mudaram para Bedford-Stuyvesant, no Brooklyn, Nova York quando Art tinha três anos de idade. Seu pai havia sido militante, um oficial do movimento de Marcus Garvey e sua mãe foi amorosa e dedicada. Por conta dos apagamento de histórias negras, não se sabe muito sobre a infância, nem como se deu seu interesse pelas artes e design.

Após se estabelecer em Nova York, Art Smith formou-se na Cooper Union em 1945, com foco em escultura. Durante sua formação, foi incentivado pelo reitor da instituição a seguir a carreira de arquitetura, considerada uma opção profissional mais segura para um homem negro na década de 1940. No entanto, suas dificuldades com a matemática aplicada à construção civil contribuíram para que abandonasse essa área.

Posteriormente, Smith trabalhou como supervisor de artesanato na Child Welfare League do Harlem, onde desenvolvia e ministrava programas de arte para crianças da comunidade. Paralelamente, continuou a aperfeiçoar suas habilidades artísticas ao frequentar cursos noturnos de design de joias na Universidade de Nova York (NYU). Um momento decisivo em sua trajetória ocorreu quando passou a atuar como assistente de Winifred Mason, considerada uma das primeiras designers de joias negras de destaque nos Estados Unidos. Mason, que estava abrindo seu estúdio em Greenwich Village, convidou Smith para integrar sua equipe. Sob sua orientação, ele aprimorou técnicas de joalheria, desenvolveu seu repertório estético e adquiriu conhecimentos fundamentais sobre gestão e negócios no campo do design.

Na vida adulta, Art Smith estabeleceu-se em Greenwich Village, em Manhattan, onde manteve seu estúdio de joias entre 1946 e 1979. Homem afro-caribenho e gay, enfrentou episódios de discriminação e violência logo após a inauguração de seu primeiro ateliê. Apaixonado por jazz e dança moderna, circulava entre importantes figuras da cena cultural norte-americana, mantendo relações com artistas como Lena Horne, Harry Belafonte, Eartha Kitt, Talley Beatty e Duke Ellington. Além de vender em seu estúdio, ele começou a vender seus produtos para lojas de artesanato em Boston, São Francisco e Chicago, e em meados da década de 1950 já tinha parcerias comerciais com a Bloomingdale's e a Milton Heffing em Manhattan, a James Boutique em Houston, a L'Unique em Minneapolis e a Black Tulip em Dallas.

Em 1946, Smith abriu seu próprio estúdio de joias, inicialmente localizado na Rua Cornelia, na região da Little Italy, onde permaneceu por cerca de quatro anos. A recorrência de ataques raciais e o desrespeito enfrentado como artista negro e gay motivaram sua mudança de endereço. Com o apoio do Congresso dos Direitos Civis e após a divulgação de sua situação pelo jornal The New York Times, recebeu proteção policial para seu estabelecimento. Posteriormente, com auxílio financeiro da Craftsmen's Equity, transferiu seu estúdio para Greenwich Village, onde consolidou sua carreira e permaneceu trabalhando até sua morte, em 1979.miniaturadaimagem|Modern Cuff, bracelete de Art Smith, 1948.|353x353px|centro Art desenvolveu suas habilidades técnicas em ourives por conta própria, durante o período em que trabalhou com a Winifred Mason. Seus designs eram produzidos em diferentes materiais, como latão, cobre, prata e ouro, permitindo que suas joias alcançassem públicos com distintas condições econômicas e estilos de vida. Paralelamente, ampliou sua rede de atuação por meio de colaborações com músicos, companhias de dança, como a de Claude Marchant, grupos teatrais e iniciativas ligadas à defesa dos direitos da população negra e da comunidade LGBTQIA+.

Sua produção é frequentemente descrita como marcada por influências do surrealismo, do biomorfismo e do chamado primitivismo, destacando-se pelo dinamismo das formas e pelo caráter escultórico das peças. Assim como o bracelete Modern Cuff, a peça é composta por formas ondulantes que evocam ondas ou relevos naturais, articuladas por linhas curvas que reforçam o caráter orgânico e dinâmico característico do trabalho de Art Smith. Com esse intuito, muitas de suas joias foram concebidas para serem utilizadas por dançarinos de vanguarda, aspecto que influenciou diretamente sua linguagem estética. Como resultado, suas criações frequentemente apresentavam dimensões amplas e formas sinuosas, concebidas para interagir com o movimento do corpo e transformar a joalheria em uma extensão da performance.

Em entrevista para Paul Cummings (1971), Art diz que:"Uma joia é, em certo sentido, um objeto incompleto em si mesmo. A joia é um "o que é isso?" até que você a relacione ao corpo. O corpo é um componente do design, assim como o ar e o espaço. Como a linha, a forma e a cor, o corpo é um material com o qual se pode trabalhar. É uma das inspirações básicas na criação da forma."Entre suas encomendas mais conhecidas estão um broche criado para Eleanor Roosevelt, presenteado pela NAACP de Peekskill, e um par de abotoaduras para o músico Duke Ellington, incorporando as cinco primeiras notas da composição ''Mood Indigo''. Smith também foi influenciado pelo escultor Alexander Calder e manteve relações com diversos artistas e profissionais da cena cultural de Nova York, entre eles a fabricante de sandálias Barbara Shaum e Sara Penn, fundadora da loja Knobkerry.

Embora não seguisse tendências da moda, suas joias alcançaram ampla popularidade por aliarem impacto visual e usabilidade. Suas peças eram concebidas para interagir diretamente com o corpo, característica que atraiu um público interessado em formas de expressão pessoal por meio dos adornos. Em 1979, problemas cardíacos o levaram a encerrar as atividades de seu estúdio em Greenwich Village. Smith faleceu em 1982 em decorrência de uma doença cardíaca.

Exposições e acervos miniaturadaimagem|Colar Galaxy, por volta de 1962, da coleção do Museu do Brooklyn.|280x280px A trajetória de Art Smith esteve estreitamente ligada aos círculos artísticos, culturais e musicais de Nova York. Uma de suas influências iniciais foi o dançarino e coreógrafo Talley Beatty, que o introduziu a uma rede de artistas negros que incluía personalidades como James Baldwin, Billy Strayhorn, Brock Peters e Charles Sebree. Por meio dessa aproximação, Smith passou a produzir joias para companhias de dança de vanguarda, como as de Talley Beatty, Pearl Primus e Claude Marchant, experiência que influenciou a escala e a teatralidade de muitas de suas criações.

Na década de 1950, seu trabalho recebeu destaque em revistas como ''Vogue'' e ''Harper's Bazaar'', além de ser mencionado na coluna de compras da revista ''The New Yorker''. Ao longo dos anos 1960, passou a utilizar prata com maior frequência em suas peças e ampliou sua produção de encomendas personalizadas.

Em 1969, Smith foi homenageado com uma exposição individual no Museum of Contemporary Crafts, em Nova York. No ano seguinte, participou da exposição itinerante ''Objects: USA'', organizada por Lee Nordness. Após sua morte, sua obra foi tema de diversas exposições retrospectivas, entre elas ''Arthur Smith: A Jeweler's Retrospective'' (1990), ''Sculpture to Wear: Art Smith and His Contemporaries'' (1998) e ''From the Village to Vogue'' (2008), realizada no Brooklyn Museum.

Após a morte de Art Smith, a preservação e a difusão de sua obra passaram a contar com a atuação de Mark McDonald, representante de seu espólio e especialista em suas joias. Ao longo de mais de duas décadas de trabalho com o acervo de Smith, McDonald colaborou para a incorporação de suas peças em importantes instituições museológicas dos Estados Unidos, entre elas o National Museum of African American History and Culture, o Museum of Fine Arts de Houston, o Museum of Fine Arts de Boston, o Los Angeles County Museum of Art, o Museum of Arts and Design de Nova York, o Dallas Museum of Art, o High Museum of Art, o Cleveland Museum of Art e o Milwaukee Art Museum. Obras de Smith também passaram a integrar coleções particulares em diferentes países.

Após sua morte, a preservação e a difusão da obra de Art Smith passaram a contar com a atuação de Mark McDonald, representante de seu espólio e especialista em suas joias. Ao longo de mais de duas décadas, McDonald colaborou para a incorporação de peças de Smith em importantes instituições museológicas dos Estados Unidos, entre elas o National Museum of African American History and Culture, o Museum of Fine Arts de Houston, o Museum of Fine Arts de Boston, o Los Angeles County Museum of Art, o Museum of Arts and Design de Nova York, o Dallas Museum of Art, o High Museum of Art, o Cleveland Museum of Art e o Milwaukee Art Museum.

As obras de Smith integram coleções permanentes de diversos museus norte-americanos, incluindo o Cooper Hewitt Smithsonian Design Museum, o Museum of Arts and Design, o Museum of Fine Arts de Boston e o National Museum of African American History and Culture, instituição que também preserva seus arquivos pessoais. Além das coleções públicas, suas joias passaram a integrar importantes coleções particulares em diferentes países. O reconhecimento de sua contribuição para a joalheria moderna norte-americana também se reflete na valorização de suas peças no mercado de arte e design.

Referências