Karl Weissmann (Feldkirchen, Caríntia, 12 de dezembro de 1886 — Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 1932) foi um ferroviário e político austro-brasileiro. Funcionário das Ferrovias Imperiais Austríacas e membro eleito da representação municipal de Bregenz pelo Partido Social-Democrata da Áustria (SDAP),Stadtarchiv Bregenz, Gemeinderatswahlen — Wahlvorschlag sozialdemokratische Partei 1919, /2026/11.1/65. emigrou ao Brasil em 1921 com a família em um contexto de crescente tensão política na Áustria.DREIER, Werner. Colonia Austria — Bairro da Seda. p. 52. É pai do escultor Franz Weissmann, do psicanalista Karl Weissmann Jr. e do industrial Fritz Weissmann, fundador da Ciferal.
Origem e carreira ferroviária Karl Weissmann nasceu em 12 de dezembro de 1886 em Feldkirchen, na Caríntia, então parte do Império Austro-Húngaro. Trabalhou como Lackierer (pintor industrial) e posteriormente como Werkmeister (mestre de oficina) nas k.k. Österreichische Staatsbahnen (Ferrovias Imperiais Austríacas), percorrendo as cidades de Villach, Knittelfeld e Bregenz ao longo de sua carreira.Carta da Bundesbahndirektion Innsbruck, Zahl 9/400-I-24, 25 de junho de 1924.
Atividade política em Bregenz Em Bregenz, Karl Weissmann tornou-se membro ativo do Partido Social-Democrata da Áustria (SDAP). Nas eleições municipais de 1919, figurou na posição 8 da lista eleitoral social-democrata e foi eleito membro suplente da Representação Municipal de Bregenz (Stadtvertretung), cargo que exerceu de 18 de maio de 1919 até sua emigração em 1921.Stadtarchiv Bregenz, Gemeinderatswahlen — Wahlvorschlag sozialdemokratische Partei 1919, /2026/11.1/65. Residia à Quellenstraße 5, em Bregenz. Fontes do período indicam que era um membro bastante ativo do movimento social-democrata local.Stadtarchiv Bregenz, comunicação de Florian Guggenberger, 27 de maio de 2026.
Contexto político: tensão entre social-democratas e nacionalistas O período em que Karl exerceu seu mandato coincidiu com uma crescente polarização política em Bregenz e no Vorarlberg. Documentos do Stadtarchiv Bregenz registram intensa atividade da Großdeutsche Volkspartei (Partido Popular Alemão), movimento pan-germânico e principal adversário político do SDAP na região, incluindo assembleias de eleitores e manifestos de mobilização em 1920.Stadtarchiv Bregenz, VTB Wählerversammlung Großdeutsche Volkspartei, 14 de outubro de 1920; VV Signal zum Aufruhr, 5 de junho de 1920. Segundo a tradição familiar, Karl teria sido pressionado a abandonar suas convicções social-democratas, e a emigração representou também uma resposta a esse contexto de coerção política.Tradição oral da família Weissmann, transmitida entre descendentes brasileiros.
O destino dos que permaneceram A decisão de emigrar em 1921 adquire outro significado à luz do que ocorreu com os membros do SDAP que permaneceram na Áustria. Em fevereiro de 1934, o governo autoritário de Engelbert Dollfuss desencadeou a Guerra Civil Austríaca, bombardeando habitações operárias em Viena e declarando o SDAP ilegal. Líderes e funcionários eleitos do partido foram presos; o dirigente regional Koloman Wallisch foi executado por enforcamento em março daquele ano. Entre 1934 e 1938, milhares de membros do SDAP foram encarcerados ou forçados ao exílio. Após o Anschluss de março de 1938, ex-integrantes do partido tornaram-se alvos prioritários do regime nazista, sendo deportados em massa para os campos de concentração de Dachau e Mauthausen.TÁLOS, Emmerich; NEUGEBAUER, Wolfgang (org.). Austrofaschismus: Politik, Ökonomie, Kultur 1933–1938. Viena: LIT Verlag, 2005.
Emigração ao Brasil Em 1921, Karl Weissmann emigrou ao Brasil com a esposa Hedwig Zuber e os quatro filhos — Karl Jr. (11 anos), Franz Josef (10 anos), Stefan (9 anos) e Friedrich/Fritz (8 anos). A família integrou a Colônia Áustria, comunidade de imigrantes austríacos estabelecida em Itararé, São Paulo, no distrito conhecido como Bairro da Seda.DREIER, Werner. Colonia Austria — Bairro da Seda. p. 52.
O historiador Werner Dreier documenta, com base nos registros da administração colonial, que Karl Weissmann assumiu o lote nº 13, com 33 hectares. No primeiro ano de cultivo (1922/23), trabalhou com a esposa e os quatro filhos — então com idades entre 9 e 14 anos — cultivando um hectare de algodão e quatro hectares de milho. Colheu 1.241 kg de algodão bruto, vendido por 1.489 Milreis, e 7.200 kg de milho, dos quais vendeu 3.000 kg por 600 Milreis, obtendo receita total de 2.089 Milreis.DREIER, Werner. Colonia Austria — Bairro da Seda. p. 52. A precisão desses registros reflete o nível de documentação mantido pela administração colonial austríaca sobre cada família emigrada. A família Weissmann aparece na fotografia da capa da obra de Dreier.
Posteriormente, a família transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde Karl faleceu em 4 de dezembro de 1932, aos 45 anos.Certidão de óbito de Karl Weissmann, Rio de Janeiro, 4 de dezembro de 1932.
Família e legado Karl Weissmann casou-se com Hedwig Zuber (Knittelfeld, 23 de setembro de 1889 — Brasil, 17 de novembro de 1943).Certidão de óbito de Hedwig Zuber Weissmann, Brasil, 17 de novembro de 1943; Steiermärkisches Landesarchiv, GZ ABT03-LA-144351/2026-2. O casal teve quatro filhos, todos nascidos na Áustria:
Karl Weissmann Jr. (1910–1989) — psicanalista, pioneiro da psicanálise em Minas Gerais; correspondeu-se com Sigmund Freud em 1938. Franz Weissmann (1911–2005) — escultor, um dos fundadores do Neoconcretismo brasileiro; obras permanentes no MAM-RJ, MASP e Fundação Bienal. Stefan Weissmann (1912–?) — viajou pela América do Sul; durante a Segunda Guerra Mundial foi forçado a retornar à Áustria, sobreviveu e fundou família em Viena. Friedrich (Fritz) Weissmann (1913–2003) — industrial, fundador da Ciferal e pioneiro dos ônibus de alumínio no Brasil.
Referências
Ligações externas
Arquivo de jornais austríacos ANNO — menções a Weissmann em Bregenz (1909–1921) Landsturmevidenzschein de Karl Weissmann — FamilySearch