A Casa do Rádio é um imóvel adjacente à estação ferroviária em Formiga, Minas Gerais, e que servia como posto telegráfico. Posteriormente, com o advento da radiotelegrafia, o equipamento foi transferido para dentro da estação ferroviária, e o imóvel passou a ser utilizado como alojamento pelos trabalhadores da via permanente.

Histórico e função A Casa do Rádio foi edificada no início do século XX como um imóvel anexo e operacional do complexo ferroviário de Formiga, que integrava a Linha do Oeste da Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM).

A função primária e específica desta edificação era abrigar o posto telegráfico e a central de radiotelegrafia do pátio ferroviário. Devido à necessidade de isolamento acústico para a operação dos aparelhos de rádio e à importância estratégica da comunicação na segurança dos trens, o imóvel foi construído como uma estrutura independente e separada do prédio principal da estação. Do interior da Casa do Rádio, os agentes operacionais coordenavam as ordens de tráfego, cruzamentos de composições e sinalização de via.

Após a transferência dos equipamentos de radiotelegrafia para as salas internas do edifício de passageiros da estação, a Casa do Rádio perdeu sua função técnica original. O imóvel foi então readequado pela administração ferroviária para servir como alojamento residencial e base de apoio para os operários da via permanente, responsáveis pela manutenção física dos trilhos na região.

Características e preservação Diferenciando-se do prédio principal da estação por sua escala reduzida, a Casa do Rádio apresenta tipologia de arquitetura industrial ferroviária de apoio. Possui planta baixa simplificada e implantação linear paralela aos trilhos, desenhada estritamente para a funcionalidade do posto telegráfico.

Como elemento integrante do patrimônio ferroviário local, o imóvel é protegido por duas esferas de salvaguarda: Proteção Municipal: Está inclusa no tombamento do conjunto da estação por meio do Decreto Executivo Municipal n.º 2730, de 2004. Proteção Federal: O imóvel recebeu a chancela de bem de relevância histórica nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), inventariado sob o número NBP 2006158-0, conforme as diretrizes de proteção da malha ferroviária extinta da RFFSA.

A Estação Ferroviária de Formiga A Casa do Rádio integra o complexo da estação ferroviária de Formiga, inaugurada em 7 de dezembro de 1905, situada a cerca de 820 metros de altitude e localizada no quilômetro 544 da linha-tronco da Rede Mineira de Viação. A linha pertencia à Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), que, a partir da estação de Ribeirão Vermelho — alcançada em bitola estreita em 1888 —, buscava ligar o sul de Goiás a Angra dos Reis, em bitola métrica. A ligação foi concluída por trechos: em 1928 a linha atingiu Angra dos Reis, na ponta sul, e, no início dos anos 1940, Goiandira, em Goiás, na ponta norte, já então incorporada à Rede Mineira de Viação (RMV). A falência da Estrada de Ferro Goiás levou o governo a incorporar à EFOM a linha Formiga–Patrocínio, que passou a integrar a sua linha-tronco. Nos anos 1970, o trecho norte entre Monte Carmelo e Goiandira foi erradicado em razão da construção de uma represa no rio Paranaíba, e a linha foi desviada para o oeste, em direção a Araguari.

Patrimônio ferroviário de Formiga A estação de Formiga foi recuperada e passou a abrigar o museu municipal; ao seu lado preservam-se uma vila de antigos trabalhadores, uma oficina e a própria Casa do Rádio, reconhecível por seus detalhes em verde-claro. A linha-tronco, eletrificada no trecho entre Barra Mansa e Ribeirão Vermelho, transportou passageiros até o início da década de 1990. Atualmente, já sem eletrificação, é operada para o transporte de cargas pela concessionária Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). O conjunto remanescente — estação, oficinas, vila operária e Casa do Rádio — é considerado um importante testemunho da era ferroviária na região centro-oeste do estado de Minas Gerais.

O complexo ferroviário Além da Casa do Rádio, o complexo ferroviário de Formiga reunia diversas edificações de apoio. O prédio da estação, inaugurado em 1905, tinha um único pavimento, cobertura em telhas francesas e porta central ladeada por janelas amplas, abrigando bilheteria e café. Próximo à Lagoa do Fundão localizavam-se as caixas-d'água que abasteciam as locomotivas a vapor, as chamadas marias-fumaças. A oficina, originalmente construída em 1911 pela Estrada de Ferro Goiás, passou ao controle da EFOM com a encampação do trecho Formiga–Patrocínio em 1920, enquanto o antigo armazém de mercadorias viria a abrigar o museu municipal. Hoje recuperado, o conjunto funciona como espaço de memória da cidade, com um vagão exposto junto ao prédio do museu.

Ligações externas

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