A Geografia de São Geraldo do Araguaia refere-se às características naturais e territoriais deste município brasileiro localizado no sudeste do estado do Pará, incluindo aspectos relacionados ao relevo, hidrografia, clima, vegetação e composição física de seu território. Sua área corresponde a cerca de quilômetros quadrados, situando-se na Região Norte do Brasil, às margens do rio Araguaia, importante curso fluvial que estabelece a divisa natural entre os estados do Pará e Tocantins. A sede municipal localiza-se a aproximadamente 145 metros de altitude, nas coordenadas 06º 24' 03" de latitude sul e 48º 33' 18" de longitude oeste. Integrando as regiões geográficas Imediata e Intermediária de Marabá, o município apresenta área urbana conurbada com a cidade tocantinense de Xambioá, situada na margem oposta do rio Araguaia.

O relevo municipal apresenta variações altimétricas associadas à presença de depressões, serras e planícies fluviais, integrando a unidade morfoestrutural conhecida como Cinturão Araguaia. Embora parte do território apresente áreas relativamente planas, sobretudo próximas aos vales fluviais, destacam-se formações serranas como a Serra das Andorinhas, principal conjunto orográfico local, onde se concentram as maiores altitudes do município, com picos superiores a quinhentos metros. A região também possui expressivo patrimônio espeleológico, figurando entre os municípios brasileiros com maior concentração de cavernas associadas às formações geológicas locais. O clima é tropical semiúmido, caracterizado por temperaturas elevadas durante grande parte do ano, verão chuvoso e inverno seco bem definido.

O rio Araguaia constitui o principal curso d’água do município, exercendo papel central na paisagem, na mobilidade regional e nas atividades econômicas locais. Além dele, o território é drenado por diversos rios, ribeirões e córregos, entre os quais se destacam os rios Sororó, Gameleira e Itaipava, além dos ribeirões Perdidos e Gaúcho. A cobertura vegetal original insere-se em uma zona de transição entre a Amazônia oriental e áreas associadas ao cerrado amazônico, predominando formações de florestas tropicais úmidas, florestas abertas e vegetação savânica em serras e chapadas. Parte significativa do território encontra-se inserida em áreas protegidas, como o Parque Estadual Serra dos Martírios/Andorinhas, além de terras indígenas tradicionalmente ocupadas pelo povo Suruí-Aikewara, reconhecidas pela importância ambiental na preservação da cobertura florestal regional.

Localização Ocupando uma área de quilômetros quadrados, São Geraldo do Araguaia se situa na Região Norte do Brasil, no sudeste do estado do Pará. Da área total, constituem o perímetro urbano, que se situa entre os paralelos 06º 24' 03" latitude Sul e 48º 33' 18" longitude WGr (Oeste de Greenwich) e está a da capital paraense.

Segundo a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Marabá. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, pertencia à microrregião de Redenção, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sudeste Paraense. Limita-se com Brejo Grande do Araguaia, São Domingos do Araguaia e Marabá ao norte; Eldorado do Carajás a oeste; Palestina do Pará e Ananás (TO) a leste; e Piçarra e Xambioá (TO) ao sul. +Localização geográfica de São Geraldo do Araguaiaalt=|50x50pxBrejo Grande do Araguaia São Domingos do Araguaia Marabáalt=|50x50pxEldorado do CarajásNortePalestina do Pará AnanásOeste - São Geraldo do Araguaia - LesteSulPiçarra Xambioá

Organização regional No contexto regional, de acordo com os estudos de regionalização urbana do IBGE, especialmente a pesquisa ''Regiões de Influência das Cidades'' (REGIC), o município encontra-se inserido em um Arranjo Populacional de mesmo nome, o que denomina sua articulação com burgos vizinhos, como Piçarra, Xambioá e Araguanã. Sua área urbana forma conurbação com a cidade de Xambioá (TO), que fica localizada na margem oposta do rio Araguaia.

Inserido na área de influência de centros urbanos de médio porte, como Marabá, principal polo regional do sudeste paraense, o urbe também se encontra na região de influência de Araguaína, importante centro urbano do norte tocantinense com a qual mantém forte integração funcional. Essa relação manifesta-se por meio de intensos fluxos de deslocamento populacional, comércio e acesso a serviços especializados, caracterizando uma dinâmica regional integrada entre o sudeste do Pará e o norte do Tocantins.

Geologia e relevo

São Geraldo do Araguaia tem a altitude média de 145 metros de altitude. Apresentando variações associadas às irregularidades de seu relevo, caracterizado pela presença de áreas de depressão, serras e planícies. Nesse conjunto, destaca-se a Serra das Andorinhas, que constitui a principal formação orográfica local, onde se encontram as maiores altitudes locais, com picos isolados superiores a 500 metros enquanto as menores cotas altimétricas situam-se nas planícies associadas ao vale do rio Araguaia. miniaturadaimagem|382x382px|Caverna das Andorinhas,no PESAM. Suas formas de relevo estão englobadas pela unidade morfoestrutural denominada de Cinturão Araguaia, compartimento geológico originado durante o Neoproterozoico em decorrência dos eventos tectônicos da Orogênese Brasiliana. Resultado da dissecação diferencial de sequências metassedimentares compostas principalmente por quartzitos, filitos, xistos e intercalações carbonáticas, cuja resistência ao intemperismo condicionou a formação de serras residuais, vales encaixados e escarpamentos abruptos.

A geologia local é composta por sedimentos arenosos e argilo-carbonáticos, com grau metamórfico de fraco a médio, associados a formações geológicas antigas. Segundo a escala do tempo geológico, essas estruturas são datadas do Pré-Cambriano. Nas áreas de menor altitude predominam terrenos planos e suavemente ondulados, formados por sedimentos arenosos e argilo-carbonáticos. A presença dessas formações favoreceu o desenvolvimento de cavernas, se destaca por seu patrimônio espeleológico, colocando o município entre os dez brasileiros com maior concentração de cavidades naturais catalogadas.

Predominam no município dois tipos de solo. Os Latossolos amarelo e vermelho-amarelo apresentam baixa fertilidade natural (distrófico) e elevada acidez, exigindo correção por meio de calagem e adubação para uso agrícola. Em razão do relevo plano em parte do território, são amplamente utilizados em atividades mecanizadas, como o cultivo de grãos, cana-de-açúcar e pastagens. Já os Argissolos, caracterizam-se pela variação no teor de argila entre os horizontes, com fertilidade variável e maior suscetibilidade à erosão.

Hidrografia miniaturadaimagem|Vista do rio Araguaia com a Serra dos Martírios ao fundo.|200x200px São Geraldo do Araguaia está inserido na bacia hidrográfica Araguaia-Tocantins, com destaque para o rio Araguaia, um dos mais extensos do Brasil, com cerca de 2.114 km de comprimento. Em conjunto com o rio Tocantins, forma um dos principais sistemas hidrográficos do país, com regime fluvial influenciado pelo clima tropical sazonal. O Araguaia estabelece a divisa natural entre os estados do Pará e do Tocantins: São Geraldo do Araguaia situa-se na margem esquerda, enquanto Xambioá localiza-se na margem direita. miniaturadaimagem|200x200px|O rio Araguaia estabelece a divisa natural entre os estados do Pará e Tocantins.

A rede hidrográfica local apresenta padrão de drenagem predominantemente dendrítico, com cursos d’água de regime pluvial que drenam tanto para o Araguaia quanto para o Tocantins. Destacam-se os ribeirões Perdidos e Gaúcho; os córregos São Raimundo (ou Bazarreto), Rico, Santo Antônio da Grota Vermelha e São Domingos; além dos rios Itaipava e Gameleira, este último formando limite natural com Brejo Grande do Araguaia, a nordeste. Na porção centro-norte do território, os rios Sororó, Sorozinho e Cardoso integram a sub-bacia do rio Tocantins.

miniaturadaimagem|200x200px|Constitui como principal corpo hídrico do município e exerce papel central na paisagem, na mobilidade regional e nas atividades econômicas locais.

O regime hidrológico é fortemente sazonal, refletindo a alternância entre a estação chuvosa, de outubro a abril, e a estação seca, de maio a setembro. Durante o período seco, a retração do nível das águas expõe extensas barras e bancos de areia ao longo do leito fluvial. Na época das cheias, ocorre elevação significativa da lâmina d’água, com expansão lateral do canal e inundação de planícies aluviais. Nesse período, algumas cachoeiras ficam parcialmente submersas, enquanto corredeiras ganham destaque e favorecem atividades como a canoagem.

Do ponto de vista geomorfológico, o leito fluvial do rio Araguaia apresenta predominância de sedimentos arenosos, elevada mobilidade lateral e formação recorrente de barras e ilhas fluviais. Trata-se de um sistema dinâmico, sujeito a processos de assoreamento, migração de meandros e reconfiguração do canal. Nas últimas décadas, foram observadas alterações morfológicas, entre elas a redução do número de ilhas e variações na largura do canal, associadas a mudanças hidrossedimentológicas em sua bacia.

Clima esquerda|miniaturadaimagem|208x208px|Clima fechado visto a partir de uma das avenidas de São Geraldo do Araguaia. O clima em São Geraldo do Araguaia é Tropical semiúmido (Aw, segundo Köppen), em específico o Clima tropical de savana (ou Clima tropical com estação seca), caracterizado por temperaturas quentes durante todo o ano. Apresentando duas estações bem distintas, verão úmido (outubro a abril) e inverno seco bem acentuado (maio a setembro).

Com médias máximas que podem atingir cerca de 35 ºC (Graus Celsius) durante os meses mais quentes e raramente caindo abaixo de 18 ºC, uma nítida divisão entre a época de chuvas (inverno amazônico) e a seca. A umidade é alta, com pancadas de chuva frequentes, muitas vezes no formato de pancadas à tarde ou à noite, com alta nebulosidade em boa parte do ano. Com um índice pluviométrico médio anual em torno de 1.500mm a 2.000mm. Com a sensação térmica podendo superar a temperatura ambiente.

Ecologia e meio ambiente A região encontra-se inserido em área de transição ecológica entre formações da Amazônia oriental e ambientes associados ao cerrado amazônico. A cobertura vegetal original é composta predominantemente por florestas tropicais úmidas, especialmente formações de Floresta ombrófila densa e Floresta aberta, além de áreas de vegetação savânica em regiões mais elevadas, como serras e chapadas do território municipal. Estudos sobre uso e cobertura da terra também identificam a presença de formações secundárias e mosaicos vegetacionais em diferentes estágios de regeneração, associados às transformações na paisagem decorrentes da ocupação territorial e da expansão das atividades agropecuárias ao longo das últimas décadas.

Unidades de conservação miniaturadaimagem|267x267px|Paisagem marcada pela transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica, com mosaicos de savanas, matas densas e áreas de vegetação mista. miniaturadaimagem|300x300px|Imagem de satélite do Parque Estadual Serra dos Martírios/Andorinhas e sua APA.