A Rua das Amoreiras é um arruamento de Lisboa, situado nas freguesias de Santo António e Campo de Ourique, que liga o Largo do Rato à Avenida Engenheiro Duarte Pacheco. O arruamento atravessa a zona histórica das Amoreiras, junto ao Aqueduto das Águas Livres, ao Arco das Amoreiras, ao Jardim das Amoreiras e ao Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras.
O nome actual foi oficializado por edital do Governo Civil de Lisboa de 3 de fevereiro de 1874, que reuniu sob uma única denominação a Rua do Arco das Águas Livres, a Rua de São João dos Bem Casados e a Rua dos Arcos das Águas Livres, até então consideradas causa de «permanente confusão» toponímica. Segundo a Câmara Municipal de Lisboa, a designação «Amoreiras» relaciona-se com as amoreiras plantadas, entre 1761 e 1771, na praça próxima, no contexto do bairro pombalino das Águas Livres e da Real Fábrica das Sedas.
Traçado
A Rua das Amoreiras começa no Largo do Rato e termina na Avenida Engenheiro Duarte Pacheco. No seu percurso, passa junto ao Jardim das Amoreiras e ao Arco das Amoreiras, arco triunfal do Aqueduto das Águas Livres construído entre 1746 e 1748 segundo risco de Carlos Mardel, para assinalar a entrada das águas do aqueduto na cidade de Lisboa.
A Travessa das Águas Livres tem início na Rua das Amoreiras e termina na Praça das Amoreiras; o seu topónimo foi atribuído por edital de 7 de agosto de 1911, substituindo a designação anterior de Travessa das Bruxas às Amoreiras.
História
A zona das Amoreiras desenvolveu-se a partir de meados do século XVIII, em estreita relação com o Aqueduto das Águas Livres, a Real Fábrica das Sedas e o bairro pombalino das Águas Livres. O plano do Bairro das Águas Livres foi aprovado por decreto de 14 de março de 1759, no quadro da política de desenvolvimento manufactureiro promovida pelo marquês de Pombal.
A plantação de 331 amoreiras entre 1761 e 1771 destinou-se a servir a manufactura da seda e esteve na origem do topónimo das Amoreiras, primeiro associado ao largo e praça vizinhos e, mais tarde, à rua. Em torno da praça da fábrica, também referida como Largo das Águas Livres, foram rasgadas várias ruas e erguidos edifícios de estrutura pombalina destinados a fabricantes e aprendizes ligados à fiação.
A Rua das Amoreiras foi criada oficialmente em 1874 pela reunião de três arruamentos: a Rua do Arco das Águas Livres, a Rua de São João dos Bem Casados e a Rua dos Arcos das Águas Livres. Na tradição olisipográfica, Norberto de Araújo refere ainda designações antigas ou correntes como Rua do Rato para Campolide, Rua das Águas Livres e Rua do Arco do Carvalhão.
Após a oficialização do topónimo, a rua começou a ser alinhada e alargada a partir de 1875, através de compras, trocas e expropriações de terrenos; segundo a Câmara Municipal de Lisboa, essas intervenções prolongaram-se pelo menos até 1890, havendo ainda referências a obras ou processos de alinhamento em 1906 e 1908. Norberto de Araújo, escrevendo em 1939, antevia que a artéria viria a ser parcialmente transformada pelo avanço dos planos urbanos e pelas alterações do traçado.
Património e edifícios de relevo esquerda|miniaturadaimagem|335x335px|Rua Dom João V e Rua das Amoreiras, vistas do Largo do Rato
Aqueduto das Águas Livres e Arco das Amoreiras
A Rua das Amoreiras é atravessada pelo Arco das Amoreiras, arco triunfal integrado no troço terminal do Aqueduto das Águas Livres. A EPAL identifica este arco como o elemento que marca a entrada em Lisboa do Aqueduto das Águas Livres, construído entre 1746 e 1748 por Carlos Mardel, antes de o sistema terminar no Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras.
O conjunto do Aqueduto das Águas Livres está classificado como Monumento Nacional.
Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras
O Reservatório da Mãe d'Água das Amoreiras, situado na Praça das Amoreiras, junto à Rua das Amoreiras, foi concebido para receber e distribuir as águas aduzidas pelo Aqueduto das Águas Livres. O edifício, projectado no século XVIII, só viu concluído o remate da cobertura e outros pormenores em 1834, já no reinado de D. Maria II.
O reservatório integra actualmente o Museu da Água da EPAL e é descrito pela empresa como um espaço amplo e unificado, cujo interior sugere a planta de uma igreja-salão. No exterior, conserva três painéis de azulejos setecentistas provenientes da Igreja de São Lourenço de Carnide.
Capela de Nossa Senhora de Monserrate
Entre dois arcos próximos da Mãe d'Água encontra-se a Capela de Nossa Senhora de Monserrate, encaixada no conjunto do aqueduto e anterior à implantação final do reservatório. Segundo o Centro Nacional de Cultura, a capela conserva no interior painéis de azulejos alusivos à entrada das Águas Livres em Lisboa. Norberto de Araújo descreveu-a como uma pequena ermida de planta oitavada, voltada para o jardim, com cruz de azulejos visível da Rua das Amoreiras.
Palácio Anadia
O Palácio Anadia, também conhecido como Palácio dos Condes de Anadia, situa-se no gaveto da Rua das Amoreiras com a Rua Silva Carvalho, com o número de polícia 105 na Rua das Amoreiras. O imóvel define um quarteirão delimitado pelas ruas das Amoreiras, Silva Carvalho e Maria Ulrich, destacando-se pela sua dimensão e qualidade arquitectónica.
A propriedade onde se ergue o palácio era, no século XV, uma zona de olivais e vinhas, havendo referências, já no século XVI, a uma quinta e a um solar de São João dos Bem Casados. No final do século XVII, a propriedade pertencia a José Rebelo Palhares; em 1760 passou para Aires de Sá e Melo e, entre 1765 e 1785, foi ocupada por D. Joana Perpétua de Bragança, neta de D. Pedro II. Após um incêndio ocorrido em 1780, o imóvel foi reconstruído por D. João Rodrigues de Sá e Melo, primeiro conde da Anadia. miniaturadaimagem|258x258px|Rua das Amoreiras junto ao Edifício Entreposto, do arquitecto Fernando Silva.
Imóveis dos números 79 a 87
Durante obras de reabilitação nos prédios correspondentes aos números 79 a 87 da Rua das Amoreiras, foram realizados trabalhos de acompanhamento arqueológico que identificaram dez estruturas de cronologia contemporânea e recolheram materiais, sobretudo cerâmicos, enquadráveis no período moderno/contemporâneo. A intervenção permitiu identificar vestígios de alvenaria relacionados com a malha edificada que anteriormente ocupava a área, interpretados como restos de habitações, delimitações de propriedade, estruturas provisórias ou espaços de armazenamento.
A consulta de cartografia antiga feita no âmbito dessa intervenção permitiu confirmar a existência de edifício no local pelo menos desde 1857, com área e volumetria aparentemente semelhantes às observadas em cartografia posterior. O mesmo relatório refere também a tradição oral recolhida junto de moradores segundo a qual o prédio vizinho dos números 89 e 91 seria um dos mais antigos da rua, embora essa informação tenha sido apresentada pelos autores como tradição não comprovada documentalmente.
Transportes
A Rua das Amoreiras é servida pela carreira de eléctrico 24E da Carris, que liga Campolide à Praça Luís de Camões e inclui, no seu percurso oficial, as paragens Campolide, Amoreiras, Rua das Amoreiras, Jardim Amoreiras, Rato, Rua da Escola Politécnica, Príncipe Real, São Pedro de Alcântara, Ascensor da Glória, Largo Trindade Coelho e Praça Luís de Camões.
A ligação eléctrica entre o Príncipe Real, o Rato, as Amoreiras e Campolide foi aberta em 2 de novembro de 1907, no contexto da expansão inicial da rede de eléctricos de Lisboa. A actual carreira 24E recupera parcialmente esse eixo histórico entre o centro da cidade, o Rato, as Amoreiras e Campolide.
Código postal
A Rua das Amoreiras encontra-se abrangida por vários códigos postais, de acordo com a numeração das portas. As faixas indicadas em bases de pesquisa postal incluem 1250-021 para os ímpares de 1 a 25A, 1250-022 para os ímpares de 43 a 109, 1250-023 para os pares de 18 a 28, 1250-024 para os pares de 30 a 82, além de códigos específicos associados a entidades ou edifícios, como 1269-105 e 1269-271.
Bibliografia
Ligações externas
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