O Arco das Amoreiras, também referido como Arco Grande das Amoreiras, é um arco triunfal integrado no troço terminal do Aqueduto das Águas Livres, situado sobre a Rua das Amoreiras, em Lisboa, Portugal. O monumento assinala a entrada das águas do aqueduto na cidade, ocorrida em 1748, e constitui uma das peças arquitectónicas mais destacadas do sistema das Águas Livres na zona das Amoreiras.

O arco faz parte do conjunto do Aqueduto das Águas Livres, classificado como Monumento Nacional pelo decreto de 16 de junho de 1910, publicado no Diário do Governo de 23 de junho de 1910; em 2002, a protecção foi alargada ao conjunto do aqueduto, seus aferentes e elementos correlacionados.

História

A construção do Aqueduto das Águas Livres iniciou-se no reinado de D. João V, no contexto da necessidade de melhorar o abastecimento de água à cidade de Lisboa. Segundo o Centro Nacional de Cultura, os trabalhos decorreram a partir de uma proposta do procurador da cidade Cláudio Gorgel do Amaral, tendo a obra sido inicialmente confiada ao arquitecto italiano António Canevari e, pouco depois, a José da Silva Pais, Manuel da Maia e Custódio Vieira.

O aqueduto principal conduzia a água desde a nascente das Águas Livres, na zona de Caneças e Belas, até à Mãe de Água das Amoreiras, em Lisboa. No seu troço final, depois de um ângulo recto, surgia o Arco das Amoreiras, seguindo-se uma série de dez arcos até à Casa da Água ou Mãe de Água das Amoreiras. Este troço final teve como director, entre 1745 e 1756, o arquitecto e engenheiro militar Carlos Mardel.

A tradição olisipográfica associa o Arco das Amoreiras à celebração da chegada da água a Lisboa em 1748. Norberto de Araújo descreveu-o como um monumento comemorativo de perfil monumental e de ordem dórica, assinalando que as inscrições do arco evocavam D. João V e o ingresso das águas na cidade.

Arquitectura esquerda|miniaturadaimagem|265x265px|Arco das Amoreiras, visto do noroeste O Arco das Amoreiras apresenta a forma de arco triunfal e tem tratamento arquitectónico semelhante nas duas faces. É construído em cantaria de calcário lioz aparente e abre-se sobre a Rua das Amoreiras. A UNESCO caracteriza o Arco das Amoreiras e o Arco de São Bento, parte do mesmo conjunto hidráulico, como estruturas de linhas sóbrias, composição geométrica e afinidade com os arcos triunfais romanos, combinando uma leitura neoclássica com elementos decorativos barrocos.

O monumento integra a zona urbana do sistema das Águas Livres, na qual a arquitectura assumiu maior cuidado formal e simbólico do que nos troços de função predominantemente técnica. O mesmo documento da UNESCO destaca a área das Amoreiras, incluindo o reservatório terminal e os elementos arquitectónicos do aqueduto, como uma das partes de tratamento mais erudito e decorativo do conjunto hidráulico.

Inscrições O Arco das Amoreiras conserva duas inscrições comemorativas em português, colocadas em substituição das primitivas inscrições latinas, mandadas picar por aviso do marquês de Pombal de 20 de março de 1773, comemorando a chegada da água à cidade em 1748.

Segundo Júlio de Castilho, a inscrição do lado do Rato tem o seguinte texto:Do lado de São João dos Bemcasados, a inscrição é transcrita pelo mesmo autor nos seguintes termos:

Do lado de São João dos Bemcasados, a inscrição é transcrita pelo mesmo autor nos seguintes termos:Castilho transcreve também as inscrições latinas primitivas. Uma delas assinalava que, vencidas as dificuldades e apaziguadas as divergências, as Águas Livres tiveram o seu «ingresso triunfal» na cidade em 1748; a outra atribuía ao Senado e ao povo lisbonense a introdução das águas na cidade, durante o reinado de D. João V, após vinte anos de trabalhos.

Integração no Aqueduto das Águas Livres

O Arco das Amoreiras pertence ao troço final do Aqueduto das Águas Livres, imediatamente antes da Mãe de Água das Amoreiras. O sistema do aqueduto tinha como função transportar água por gravidade até Lisboa, terminando no reservatório das Amoreiras, de onde a água era distribuída pela cidade.

O conjunto do Aqueduto das Águas Livres compreendia o aqueduto principal, troços subsidiários, galerias e reservatórios, formando uma rede de cerca de 58 quilómetros. A UNESCO assinala que a estrutura principal começava na Mãe de Água Velha e terminava na zona das Amoreiras, na actual freguesia de Santo António, em Lisboa.

Iconografia

O Arco das Amoreiras foi representado em gravuras e fotografias desde o século XIX. A Biblioteca Nacional de Portugal conserva uma litografia intitulada Arco grande das Amoreiras em Lisboa, datada de cerca de 1850. O Arquivo Municipal de Lisboa conserva igualmente documentação fotográfica do aqueduto e do Arco das Amoreiras, incluindo negativos de vidro atribuídos ao fotógrafo José Artur Leitão Bárcia.

Bibliografia

Ligações externas

Categoria:Aqueduto das Águas Livres Categoria:Monumentos nacionais em Lisboa Categoria:Arcos triunfais de Portugal Categoria:Património edificado em Lisboa Categoria:Santo António (Lisboa) Categoria:Amoreiras