O Parque Estadual Mata do Limoeiro (PEML) é uma unidade de conservação estadual localizada no distrito de Ipoema, no município de Itabira, inserida na região dos contrafortes da Serra do Espinhaço Meridional. A área protegida foi criada pelo Decreto Estadual nº 45.566, de 22 de março de 2011, com o objetivo de preservar remanescentes de vegetação nativa, recursos hídricos, paisagens naturais e a biodiversidade regional. O parque está situado em uma zona de transição entre os biomas Cerrado e Mata Atlântica, condição que contribui para a elevada diversidade de espécies da fauna e da flora registradas na unidade.

Com área aproximada de 2.056 hectares, o PEML integra os mosaicos de conservação da Serra do Espinhaço e de Itabira, fazendo divisa com a Área de Proteção Ambiental Morro da Pedreira e localizando-se a cerca de 7 km do Parque Nacional da Serra do Cipó. A paisagem da unidade é marcada principalmente pela presença de Floresta Estacional Semidecidual, além de formações como mata de candeia, áreas úmidas e campos antropizados.

O parque encontra-se em uma região historicamente influenciada pela mineração de ferro, expansão urbana e ocupação irregular do solo no município de Itabira. A criação da unidade de conservação ocorreu em meio às discussões sobre a necessidade de proteção ambiental da região, considerada relevante pela presença de nascentes, fragmentos florestais e atrativos naturais.

O plano de manejo do Parque Estadual Mata do Limoeiro foi elaborado entre 2012 e 2013 pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), sendo aprovado em 28 de novembro de 2014 pela Câmara de Proteção à Biodiversidade e Áreas Protegidas (CPB) do Conselho Estadual de Política Ambiental (COPAM). Geografia e hidrografia O parque localiza-se nos contrafortes da Serra do Espinhaço Meridional, no distrito de Ipoema, em Itabira, e constitui uma área de cabeceira com numerosas nascentes. O relevo é acidentado, com altitudes que alcançam cerca de 650 metros em alguns setores e cursos d'água que descem da serra formando corredeiras e quedas. Está inserido na sub-bacia do córrego do Macuco, pertencente à bacia do rio Doce.

Vegetação e fauna A cobertura vegetal é marcada pela floresta estacional semidecidual, com ocorrência de mata de candeia, ambientes úmidos e fragmentos em regeneração, refletindo a posição da unidade em zona de transição entre o cerrado e a Mata Atlântica. Entre a fauna registrada figuram o gambá-de-orelha-branca, a onça-pintada, a jaguatirica, os tamanduás-bandeira e -mirim e o bugio, além de espécies raras associadas tanto ao cerrado quanto à Mata Atlântica, como o rato-do-mato. Essa diversidade de ambientes abriga espécies de ambos os biomas, o que reforça o valor biológico da unidade. A mata de candeia, formação típica de altitude, ocorre associada aos solos rasos da região. Ocorrem ainda trechos de florestas de espécies exóticas e fragmentos isolados que vêm sendo recolonizados por espécies nativas.

Visitação O parque integra circuitos turísticos como a Estrada Real e o Circuito do Ouro e dispõe de estruturas de apoio como portaria, estacionamento e trilhas sinalizadas. Entre os atrativos estão cachoeiras — como as do Paredão, do Derrubado e do Gabriel —, percursos como a Trilha dos Sentidos e a Travessia das Capivaras, e a Gruta do Limoeiro. Há ainda mirantes, como os da Mata do Segredo, do Campestre e do Gigante, e cachoeiras de grande beleza cênica — uma delas com queda d'água de cerca de 69 metros —, além de poços propícios a banho e mergulho, reunidos em conjuntos como o Complexo Paredão, de relevante beleza cênica. A despeito da infraestrutura, a unidade recebe, em média, cerca de 4.500 visitantes por ano, número considerado baixo em relação ao seu potencial.

Conservação Numa região historicamente pressionada pela mineração de ferro e pela expansão urbana em Itabira, o parque protege fragmentos florestais e nascentes de relevância regional. Seu plano de manejo define o zoneamento interno da unidade e uma zona de amortecimento no entorno, instrumentos voltados a conciliar a conservação da biodiversidade com o uso público. Como área de cabeceira, o parque desempenha papel relevante na proteção das nascentes que alimentam a sub-bacia do córrego do Macuco. Sua integração a mosaicos de áreas protegidas da Serra do Espinhaço contribui ainda para a conectividade ecológica entre as áreas naturais do entorno da Serra do Espinhaço Meridional.

Mata do Limoeiro Mata do Limoeiro