O Grupo Serra Grande é uma das unidades litoestratigráficas mais antigas da Bacia do Parnaíba, localizada no nordeste brasileiro, ocorrendo principalmente nos estados do Ceará, Piauí e Maranhão. Foi desenvolvida desde o final do período Ordoviciano, enquanto suas camadas mais superiores são da transição do Siluriano e do Devoniano. É constituída principalmente por arenito, com ocorrências de conglomerados, folhelho e diamictitos.
O Grupo Serra Grande possui uma espessura de até 900 metros, constituído de três formações: a Formação Ipu (mais basal), seguida pela Formação Tianguá e por fim, a Formação Jaicós (mais superior).
Nomeclatura O Grupo Serra Grande homenageia o relevo honônimo que divide os estados do Ceará e Piauí, também conhecido como Serra da Ibiapaba. Enquanto a Formação Ipu e a Formação Tianguá, são baseadas no munícipios cearenses de Ipu e Tianguá, situados no noroeste cearense. Por fim, a Formação Jaicós foi nomeada devido o munícipio piauiense Jaicós.
Estratigrafia A Formação Ipu foi depositada do final do Ordoviciano ao início do Siluriano constituída de principalmente de arenitos e também de diamictitos de origem glacial, correlacionados com a Formação Nhamundá, da Bacia Sedimentar do Amazonas. O paleoambiente era um leque deltaico de características glacio-fluvial, o que evidencia a glaciação ocorrida no final do Ordoviciano.
A Formação Tianguá é composta de folhelhos, arenitos e siltitos, contituídas do início do Siluriano ao Siluriano Superior. Foi depositada em ambiente marinho, durante o auge da regressão glacial mundial. Essa Formação correlaciona-se com a Formação Vila Maria, da Bacia do Paraná.
A Formação Jaicós é formada por arenitos e conglomerados, depositada em ambiente de leques aluviais e deltaicos. Sua datação é do Siluriano Superior ao início do Devoniano.
Paleontologia A paleontologia do Grupo Serra Grande possui grande riqueza de icnofósseis, que são os vestígios de animais e microrganismos que habitaram os ambientes aquáticos que existiam nessa região, durante o período Siluriano, há mais de 420 milhões de anos atrás.
Microfósseis A presença de microfósseis é pouco estudada no Grupo Serra Grande, sendo realizado pesquisas principalmente sobre a Formação Tianguá, essa que apresenta a presença de quitinozoários, acritarcas e esporos, que trazem características paleoambientais para essa unidade. Também foram encontrados graptólitos (animais hemicordados), como o Climacograptus innotatus.
Icnofósseis O Grupo Serra Grande possui quase trinta icnogêneros encontrados no noroeste do Ceará, incluindo na Área de Preservação da Serra da Ibiapaba e no Parque Nacional de Ubajara. Essa riqueza é mais encontrada na Formação Tianguá, que possuía um ambiente marinho e suas rochas são de granulometria mais fina. Entre os icnogêneros encontrados nessa unidade litoestratigráfica estão o Arthrophycus, Bergaueria, Circulichnis, Arenicolites e Didymauliponomos, que mostram a existência pretérita de assembleias de vermes marinhos, trilobitas, crustáceos, moluscos, braquiópodes e anêmonas-do-mar. Em 2017, foi descrito existência de moldes de equinodermos, moluscos e braquiópodes associados a icnofósseis na Formação Tianguá.
Na área preservada do Parque Nacional de Ubajara também há presença de esteiras microbianas (MISS).
Anêmonas-do-Mar Em 2025, foi descrita a primeira espécie de animal do Grupo Serra Grande no Ceará, a Arenactinia ipuensis (Barroso et al., 2025) ou "Anêmona-do-Ipu", uma anêmona do mar que viveu na transição do Ordoviciano e do Siluriano, na Formação Ipu. Inicialmente, esses fósseis foram confundidos com animais do período Ediacarano, em 2010, mas novos estudos mostraram que se tratavam de anêmonas.
Esse achado tornou-se a espécie mais antiga do estado do Ceará. Mundialmente, a preservação de fósseis de anêmonas do mar é muito rara, tornando essa a espécie de anêmona mais antiga da América Latina.
Histórico de pesquisas Os estudos paleontológicos do Grupo Serra Grande eram escassos, pois a formação era vista como pobre em fósseis. Em 1984, surgiram os primeiros registros de microfósseis, graças a estudos realizados pela Petrobras.
Em 2003, houve a criação do Laboratório de Paleontologia da Universidade Estadual Vale do Acaraú, em Sobral (Ceará) que iniciou pesquisas no noroeste do Ceará. Durante os anos 2000, a professora Maria Somália Viana esteve a frente das descobertas de ocorrências fossilíferas do Grupo Serra Grande, incluindo a anênoma Arenactinia ipuensis.
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