O cerco de Anzele foi uma operação armada travada entre Portugal e o Reino do Dongo em 1579 e a primeira acção militar das Guerras Angolanas, que continuariam por mais de um século.
História Em 1576, Paulo Dias de Novais assinou uma aliança comercial e militar com o angola, ou rei de Dongo, Ginga Angola Quilombo Quiacassenda, e fundou a cidade de Luanda. As relações entre o Dongo e Portugal eram tão amigáveis que Quiacassenda solicitou a envio de um embaixador para a sua capital e Novais enviou-lhe o seu primo Pero da Fonseca, acompanhado por uma guarda de 20 homens. No entanto, Paulo Dias era considerado um intruso indesejado pelos numerosos comerciantes portugueses independentes já estabelecidos na região, e alguns procuraram perturbar as relações entre o donatário e o angola.Anthony Disney: "Portuguese Expansion, 1400-1800: Encounters, Negotiations and Interactions" in Diogo Ramada Curto, Francisco Bethencourt: Portuguese Oceanic Expansion, Cambridge University Press, 2007, p. 299.
Em Cabassa, o influente comerciante Francisco Barbudo d'Aguiar persuadiu o rei Quiacassenda de que Paulo Dias de Novais pretendia conquistar o Dongo.Delgado, 1973-1978, p. 293. Após consultar os seus conselheiros, o angola decidiu mandar massacrar todos os portugueses no seu reino, incluindo Barbudo, pois o rei acreditava que "não era justo que vivesse quem tivesse causado a morte dos seus compatriotas".Delgado, 1973-1978, p. 294.Monteiro, 1875, p. 5. Cerca de 30 a 40 portugueses foram mortos em Cabassa, para além de outros por todo o reino e os seus bens foram confiscados, juntamente com 1000 a 2000 escravos africanos cristãos.José Augusto Duarte Leitão: "A Missão do Padre Baltasar Barreira" in Lusitania Sacra 2a Série - Tomo 5 (1993), p. 53.Anthony R. Disney: A History of Portugal and the Portuguese Empire, From Beginnings to 1807, volume 2, 2009, p. 72. 1000 congos que se encontravam então em Cabassa foram também assassinados, o que prejudicou as relações com o Reino do Congo.Sweet, James H., in Mancall, Peter C.: The Atlantic World and Virginia, 1550-1624,The Omohundro Institute of Early American History and Culture and University of North Carolina Press, 2007, p. 209. Quiacassenda começou então a reunir os seus guerreiros para destruir Luanda.Monteiro, 1875, p. 3.
Paulo Dias de Novais encontrava-se por então acampado com as suas tropas nas margens do Cuanza, num local conhecido como Rocha de São Pedro, a montante de Santa Cruz.Ralph Delgado: História de Angola, volume I, Banco de Angola, 1973-1978, p. 295. Recebeu um mensageiro do angola a exigir-lhe que não avançasse mais para o interior do Dongo. Alheio aos acontecimentos em Cabassa, por precaução Novais deslocou-se com os seus homens para Anzele, a cerca de 50 quilómetros de Luanda, entre os rios Cuanza e Bengo, na região de Ilamba, perto de Caxito.James Duffy: Portuguese Africa, Harvard University Press, 1961, p. 56. Ali, o donatário mandou construir um simples forte de madeira, equipado com dois canhões.Monteiro, Joachim John (1875). Angola and the River Congo. Macmillan. p. 4.
Vinte dias mais tarde, chegaram notícias do massacre em Cabassa e da aproximação do exército do Dongo, que contava com 12 000 homens. Paulo Dias não se deixou intimidar mas inspirou os seus homens com a esperança de vingar o massacre.Monteiro, Joachim John (1875). Angola and the River Congo. Macmillan. p. 4. A guarnição contava com 150 homens, segundo algumas fontes, 60 portugueses e 200 africanos, segundo outras.
Os portugueses foram sitiados pelos ambundos mas estes sofreram perdas inesperadas devido ao fogo de artilharia. Quando um dos comandantes de Dongo foi abatido por uma bala de canhão ao tentarem tomar o forte por assalto, os guerreiros africanos dispersaram de imediato, numa debandada desorganizada. Ao constatar a desordem, Paulo Dias mandou o sargento-mor Manuel João que levasse a cabo uma surtida e perseguisse os inimigos em fuga pelo campo. Manuel João matou ou aprisionou muitos, para além de ter capturado abundantes provisões no acampamento inimigo. miniaturadaimagem|Geografia da região entre o Cuanza e o Bengo, em Cacefo. O desaire em Anzele levou imediatamente o angola a propor a paz, mas Paulo Dias rejeitou-a e denunciou-o. Depois disto o rei do Dongo executou todos os seus conselheiros que o tinham encorajado à guerra.
Entretanto, uma frota chegou a Luanda com um reforço de 200 soldados comandados por Diogo Rodrigues dos Colos, que partiu para Anzele. Novais decidiu regressar ao Cuanza e lançar uma campanha contra o Dongo rio acima.Delgado, 1973-1978, p. 299. Para isto recebeu ainda o apoio dos sobas hostis ao rei Quiacassenda e que aliaram-se a Portugal.
Os soldados de Paulo Dias de Novais tiveram de forçar passagem para o Cuanza por entre quatro barricadas montadas no caminho por quatro sobas mas estas foram transpostas e grandes quantidades de provisões foram capturadas pelo caminho.
Ver também
História de Angola Angola Portuguesa
Catole Categoria:Batalhas do século XVI Categoria:História de Angola Categoria:Conflitos em 1579 Categoria:África Ocidental Portuguesa