miniaturadaimagem|Nascente do Iquiririm, aberta na Vila Indiana. As Nascentes do Iquiririm ficam na Vila Indiana, pequeno bairro do distrito Butantã. É uma área verde localizada em uma via pública, mantida pela comunidade local em mutirões . Seu nome técnico é Pirajussara-mirim, de acordo com a base de dados Geo-Sampa. A água não é potável mas é limpa, sendo utilizada para regar plantas da Horta Comunitária local.
Em 2014, o urbanista José Bueno, criador da iniciativa Rios e Ruas com Luiz Campos Jr., descreveu a descoberta da nascente do Rio Iquiririm perto de sua casa, na Vila Indiana. A dupla abriu a nascente e fez dois lagos, em uma área que antes contia entulho.
Caminho da água A água do Iquiririm nasce em vários pontos, sendo os principais dentro do terreno da Universidade de São Paulo. O fio d'água corre por poucos metros dentro do campus e atravessa o muro por meio de um furo. O fio d'água segue mais alguns metros e forma um pequeno lago raso. Depois a água alimenta uma cacimba e por fim entra no bueiro.miniaturadaimagem|Córrego Pirajussara-mirim (Iquiririm) até o Rio Pinheiros|198x198px
A água segue dentro do cano subterrâneo, cortando a vila indiana em direção à EMEF Amorim Lima, passando debaixo da horta da escola. De lá, segue em uma rua escondida, paralela à Av. Corifeu de Azevedo Marques. Na esquina da Corifeu com a Vital Brasil, o Pirajussara-mirim já coletou água de outras nascentes e está volumoso. Nos fundos da Faculdade São Judas é possível ver o rio descoberto, canalizado e bem largo. De lá, o rio Pirajussara desemboca no Rio Pinheiros. Histórico do Iquiririm esquerda|miniaturadaimagem|Mapa da Vila Indiana em 1930, com o Rio Iquiririm visível e o território majoritariamente ocupado por vegetação
Mudanças no terreno Moradores antigos do bairro relatam que havia casas com poço artesiano na região da atual nascente. Não havia o muro da USP, e o bairro era bem menos urbanizado.
Décadas depois, a SABESP construiu a adutora de Cotia, uma tubulação de água muito larga e profunda. A adutora contorna o muro da USP na Vila Indiana, criando uma faixa de terreno público que não pode receber construções. Essa faixa verde passa pelo quintal de casas, condomínios e terrenos baldios.
Com a construção do muro da USP, formou-se um terreno baldio entre o muro e a rua Corinto. Esse terreno recebeu entulho das antigas versões do muro, formando um relevo acidentado, onde cresceram bananeiras e abacateiros. Na parte baixa ficou um brejo misturado com entulho.
O manejo comunitário miniaturadaimagem|185x185px|Cartaz do mutirão de 2014 Em 2010, o geógrafo Luiz Campos e o arquiteto José Bueno encontraram uma nascente neste brejo, e a partir dessa descoberta criaram a dupla Rios e Ruas. Fizeram o caminho de bicicleta até o rio Pirajussara e publicaram em seu blog. Pela proximidade da nascente com a Rua Iquiririm, batizaram essa nascente do Pirajussa-mirim com o nome Iquiririm
Em 2014, Rios e Ruas convocaram amigos e movimentos de defesa do verde para cavar o brejo, revelando os olhos d'água e formando o lago. Plantaram mudas de árvores nativas, com destaque para os palmitos-juçara. Fizeram mutirões esporádicos nos anos seguintes, para manutenção dos olhos d'água e da bacia de sedimentação logo antes do furo no muro. Os registros dessa época estão no facebook, no grupo "Nascentes do Iquiririm e Pça Rizzo - Revitalização" criado pelo Rios e Ruas. miniaturadaimagem|184x184px|Antes e depois (2014 e 2021) na Horta miniaturadaimagem|253x253px|Capivaras de Andréa Tolaini|esquerda Em 2014, o mutirão do Rios e Ruas também fez canteiros no terreno baldio do outro lado da rua Corinto, que depois se tornou a Horta do Iquiririm. Por iniciativa da Associação de Moradores do Jardim Rizzo, um grupo de vizinhos continuou cuidando do terreno durante muitos anos, criando novos canteiros, a cacimba e a composteira. Na época da pandemia, um prédio de contêineres foi construído ao lado da horta, bloqueando o sol.
Após a pandemia, o grupo de vizinhos da horta retomou a compostagem e passou a cuidar da Nascente de forma mais sistemática. Dessa época em diante, os registros estão na página do instagram "caminhosiquiririm". Em 2025 este grupo iniciou uma Agrofloresta na parte alta do terreno, com ajuda da prefeitura que plantou 30 espécies de árvores nativas, sendo a maioria frutíferas. miniaturadaimagem|181x181px|Cartaz de Mutirão em 2025
Biologia
Botânica Estima-se que existam mais de 100 espécies de plantas no local, entre árvores, arbustos e ervas. Dentre as espécies mais notáveis, é possível dividi-las em categorias de acordo com a época que entraram no Iquiririm:
Plantas comuns em terrenos baldios: Banana-prata, Abacateiro, Inhame-bravo (Araceae). Árvores plantadas em 2014: Palmito juçara, Araucária, Araucária, Suinã Plantas de brejo e corpos d'água: Lírio-do-brejo, Cana-do-brejo, Cruz-de-malta, Aguapé, Lentilha d'água, Salvinia
No terreno, crescem espontaneamente quatro espécies da família Piperaceae, com propriedades medicinais.
Ecologia A mata é secundária. Provavelmente foi um pasto e/ou plantação de café na época da fazenda Butantã, com derrubada da mata primária. Há muitas espécies de mata atlântica, misturadas com espécies exóticas. Não há espécies de campo-cerrado, como em algumas áreas altas da USP. miniaturadaimagem|185x185px|Cruz de Malta Após a pandemia, o grupo de vizinhos iniciou a capina seletiva de forma sistemática, arrancando o excesso de Lírio do Brejo e um tipo de Inhame que não é comestível. Com isso, outras plantas nativas já presentes ali ganharam espaço, como a Cruz de Malta, a Taioba (PANC), a Cana-do-brejo (PANC) e a Pariparoba (medicinal).
Todos os peixes do lago foram introduzidos. O monitoramento das espécies é feito anualmente por um vizinho. Há uma quantidade considerável de peixes pequenos, o que leva a pressupor que as larvas de Aedes aegipty sejam comidas por eles.
Água cor de ferrugem No iquiririm, a água é laranja cor de ferrugem, e por vezes se forma uma camada brilhante parecida com gasolina. Essa cor é bem forte nos olhos d'água, mais leve no fio d'água e ausente no lago. Isso é uma característica presente em muitas nascentes e córregos, e acontece devido a presença de bactérias do ferro. miniaturadaimagem|201x201px|Quimiossíntese das Ferrobactérias Estas Ferrobactérias são seres autótrofos quimiossintetizantes, ou seja se "alimentam" de reações químicas de oxidorredução do ferro disponível na água. Não causam doenças nem produzem substâncias tóxicas. A presença dessas bactérias produz um limo cor de ferrugem que gruda nas pedras e galhos onde a água passa, além de uma camada brilhante que flutua na água.
O ambiente preferido das ferrobactérias é a transição entre a água com pouco oxigênio (subterrânea) para a água com muito oxigênco (ao ar livre). No Iquiririm, é provável que a água subterrânea tenha pouco oxigênio devido a decomposição de matéria orgânica no terreno logo acima dos olhos d'água, uma mata secundária sem manejo dentro do campus da USP. Ainda não foi realizada nenhuma pesquisa no local sobre esse aspecto.
Fauna As nascentes são contíguas à área da Cidade Universitária Armando Salles de Oliveira, sendo visitadas pela fauna local, incluindo diversas espécies de aves.
Cultura no Iquiririm
Etimologia miniaturadaimagem|Visita do 1ºano de uma escola pública O nome técnico do Iquririm é Pirajussara-mirim, mesmo nome dado à meia-dúzia de córregos da região que alimentam o rio Pirajussara. Em 2014, a dupla Rios e Ruas batizou de Nascentes do Iquiririm pela proximidade da nascente com a Rua Iquiririm, apesar de ficar na rua Corinto, e pela etimologia.
No tupi antigo temos o termo "kyrirĩ", que pode ser traduzido como silencioso, tranquilo.
Música "iarinhas" A cantora Luiza Lian lançou em 2018 uma música intitulada "Iarinhas" onde cita o Iquiririm dentre outros rios canalizados de São Paulo. Em entrevista, ela conta que começou a compor a canção na Rua Iquiririm, após ter assistido o documentário Entre Rios.
Referências
Ver também
Vila Indiana Corredor Verde do Butantã Categoria:Butantã