O Taquaryense é um jornal brasileiro fundado em 31 de julho de 1887 no município de Taquari, no estado do Rio Grande do Sul. É considerado o segundo jornal mais antigo em circulação no estado, atrás apenas da Gazeta do Alegrete, e um dos periódicos centenários ainda ativos no Brasil.
O periódico destaca-se por manter o sistema tradicional de impressão tipográfica, com composição manual e uso de maquinário histórico do início do século XX. Desde 2005, é reconhecido como Museu Vivo de Comunicação.
História A fundação do jornal foi registrada em 1887, sendo sua primeira edição publicada em 31 de julho do mesmo ano, nas oficinas tipográficas de Tristão de Azevedo Vianna. A iniciativa é atribuída ao jornalista Albertino Saraiva (1865–1928), que posteriormente adquiriu integralmente o periódico.
Inicialmente impresso em prelo manual, o jornal passou a utilizar, em 1910, uma impressora tipográfica francesa do tipo Marinoni, anteriormente utilizada pelo Correio do Povo.
Ao longo de sua trajetória, registrou acontecimentos históricos como a Lei Áurea (1888), a Proclamação da República (1889), a Revolução Federalista (1893), a ascensão de Getúlio Vargas (1930), as duas Guerras Mundiais, o regime militar brasileiro (1964–1985) e a redemocratização. Tradição familiar Desde sua fundação, O Taquaryense permaneceu sob direção da família Saraiva. Albertino Saraiva, fundador do jornal, esteve à frente do periódico de 1887 até 1928, com participação de seu filho Palemon Saraiva na administração e na rotina tipográfica.
Após sua morte, a direção passou a Mário Saraiva. Em 1947, Plínio Saraiva assumiu o comando do jornal, enquanto Pery Saraiva, filho de Mário, atuou na redação. Em 2004, Flávia Therezinha Saraiva Dias sucedeu Plínio na direção do semanário.
Desde 2015, Pedro Harry Dias Flores, neto de Flávia e trineto de Albertino Saraiva, representa a nova geração à frente de O Taquaryense, mantendo a continuidade familiar do periódico.
Processo de impressão
O jornal manteve, por mais de um século, o sistema de composição manual com tipos móveis de chumbo, no qual cada letra, número e símbolo era organizado manualmente para a montagem das páginas. Em 2021, foi incorporada uma linotipo ao maquinário, permitindo um sistema híbrido de composição, que passou a combinar a composição manual tradicional com a linotipia mecânica, preservando o método histórico de produção.
A impressão continua sendo realizada na impressora tipográfica francesa Marinoni Universelle, adquirida em 1910 e anteriormente pertencente ao Correio do Povo.
É considerado o único jornal em atividade no Brasil que ainda utiliza a impressão tipográfica como método principal de produção, sendo também um dos últimos do mundo a manter esse sistema de forma contínua, ao lado de periódicos como o francês Le Démocrate de l'Aisne e o norte-americano The Saguache Crescent.
Equipamentos históricos
Entre os equipamentos históricos utilizados pelo jornal está a impressora Marinoni Universelle, adquirida em 1910.
Também integra o maquinário um motor a querosene fabricado em 1901 pela firma Só & Filhos, de Porto Alegre, considerado o primeiro motor a querosene produzido no Brasil. O equipamento recebeu medalha de ouro na Exposição Agropecuária e Industrial do Rio Grande do Sul, realizada em 1901 nos Campos da Redenção (atual Parque Farroupilha).
Em 2025, após processo de restauração, o motor voltou a impulsionar a Marinoni. Inativo desde 1956, ele acionou a máquina na edição comemorativa dos 138 anos do periódico.
O acervo inclui ainda um prelo manual Dingler, no qual o jornal foi originalmente impresso, uma guilhotina Karl Krause e uma impressora de pedal Golding Official.
Em 2021, uma linotipo foi incorporada ao maquinário do jornal, que passou a ser produzido em um sistema híbrido, combinando composição manual e mecânica.
Preservação e reconhecimento
Em 16 de abril de 2005, o jornal foi transformado em Museu Vivo de Comunicação, mantendo seu funcionamento histórico e permitindo visitação pública mediante agendamento.
Em 2010, o Ministério Público do Rio Grande do Sul firmou Termo de Ajustamento de Conduta com a família Saraiva e o Município de Taquari para garantir sua preservação por meio de tombamento como patrimônio histórico e cultural.
Em 2013, os bens móveis e o acervo do jornal foram tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado (IPHAE).
Referências
Categoria:Jornais do Rio Grande do Sul