Retatrutide é um fármaco experimental utilizado no tratamento da obesidade, caracterizado como um agonista triplo de receptores hormonais envolvidos na regulação metabólica. Trata-se de um peptídeo sintético administrado por via subcutânea, com meia-vida aproximada de 6 dias, permitindo aplicação semanal.

Seu desenvolvimento está inserido em uma nova geração de terapias baseadas em hormônios intestinais (“incretínicos”), voltadas ao controle do peso corporal e do metabolismo energético. Em estudos clínicos de fase 2, demonstrou reduções significativas do peso corporal em adultos com obesidade, com efeito dependente da dose.

Mecanismo de Ação A retatrutida atua como agonista simultâneo dos receptores do peptídeo semelhante ao glucagon tipo 1 (GLP-1), do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP) e do glucagon (GCG), todos pertencentes à classe de receptores acoplados à proteína G. Essa ação tripla permite a modulação integrada de diferentes vias fisiológicas envolvidas na homeostase energética e no metabolismo glicídico.

A ativação do receptor de GLP-1 promove aumento da saciedade, redução da ingestão alimentar e retardo do esvaziamento gástrico, além de estimular a secreção de insulina de forma dependente da glicose. O agonismo do receptor de GIP potencializa o efeito insulinotrópico e contribui para a regulação metabólica. Já a ativação do receptor de glucagon está associada ao aumento do gasto energético e à mobilização de substratos energéticos, o que pode potencializar a perda de peso.

Além disso, a retatrutida apresenta maior potência relativa no receptor de GIP e menor potência nos receptores de GLP-1 e glucagon quando comparada aos ligantes endógenos, o que contribui para um perfil farmacodinâmico equilibrado entre eficácia e tolerabilidade.