Brasil: Mito Fundador e Sociedade Autoritária é um livro escrito pela filósofa brasileira Marilena Chauí. Lançada pela editora Fundação Perseu Abramo, em 2000, como parte da coleção História do Povo Brasileiro, a obra traz perspectivas históricas, culturais e críticas sobre as narrativas de fundação do país.
O livro foi eleito pela Folha de S. Paulo como um dos 200 mais importantes para entender o Brasil.
Conteúdo do livro O livro de 110 páginas é dividido em seis capítulos: Com fé e orgulho; A nação como semióforo; O Verdeamarelismo; Do IV ao V Centenário; O mito fundador; Comemorar?.
Escrito às vésperas do país completar 500 anos do descobrimento, o texto traz uma crítica sobre a visão do mito de fundação do Brasil que era vigente até o fim do século XX. O mito fundador consiste em explicar a origem de um determinado povo e o leva a ter sentimentos de pertencimento e exaltação nacional. O termo é uma fusão de ideias provenientes da antropologia, da psicanálise e da etimologia.
Para a autora, no caso brasileiro, este mito era cercado por uma série de ideologias e fatos lendários que privilegiavam uma elite seleta, servindo para explicar e justificar contradições e mascarar a realidade. Dessa forma, uma série de estereótipos sobre o Brasil foi criada a partir da política, da religião, da arte, da academia e da literatura, e incorporada pela sociedade.
miniaturadaimagem|left|Marílena Chauí, autora da obra.
Alguns exemplos de mito sobre o Brasil trazidos pela autora são o da miscigenação, a relação do país com a natureza, a ideia de uma sociedade sem preconceitos e o povo brasileiro como pacífico, ordeiro, generoso, alegre e sensual, e o país como um presente de Deus.
Segundo Chauí, a ideia de nação foi se construindo e modificando até o século XX como um semióforo (ou seja, algo que tem força simbólica para tornar algo comum entre todos), fazendo um apelo a uma identidade nacional, até se consolidar na década de 1980, passando a servir, então, como uma força legitimadora autoritária.
Em sua obra, a autora analisa o papel de algumas instituições e trabalhos que ajudaram na construção deste semióforo, como o IBGE, os textos porque me ufano de meu país (de Afonso Celso), Os Sertões (de Euclides da Cunha), O Caráter Nacional, As origens do povo brasileiro e a História da literatura brasileira (de Sílvio Romero).
Na sua conclusão, Chauí considera que não há muitos motivos para comemorar os 500.
Referências
Categoria:Livros de 2000 Categoria:Livros de sociologia do Brasil Categoria:Livros do Brasil Categoria:Livros escritos por mulheres