Anna Alexandrina Cavalcanti de Albuquerque (Nazaré da Mata, 1860 - ) foi uma poetisa pernambucana do século XIX considerada uma das primeiras escritoras de destaque deste Estado. Integrante da geração de mulheres que passou a publicar de forma mais regular na imprensa brasileira, colaborou com periódicos de Pernambuco e de outros estados, abordando temas que incluíam experiências femininas, relações sociais e questões de sua época.Ferreira, Luzilá Gonçalves (1999). Anna Alexandrina Cavalcanti de Albuquerque. In: Muzart, Zahidé Lupinacci. Escritoras brasileiras do século XIX: antologia. I. Florianópolis: Editora Mulheres. pp. 903-908
Vida Anna Alexandrina nasceu em 1860 no Engenho Tamataúpe de Flores, na Zona da Mata pernambucana, em uma família ligada à aristocracia canavieira. Filha de Alexandrina Cavalcante de Albuquerque e Joaquim Cavalcanti de Albuquerque, que era tenente-coronel e proprietário da região onde Anna Alexandrina passou a infância. MELLO, Henrique Capitolino Pereira de. Pernambucanas illustres. Pernambuco: Typographia Mercantil, 1789. Estudou no colégio Villa Secca. Com a venda do engenho e a deterioração da situação econômica familiar, mudou-se para o Recife, onde permaneceu por décadas e ainda se encontrava em 1927.
Compôs seu primeiro poema aos quinze anos, chamado O que queres?. As leituras que fazia, dentre elas de Goethe e Balzac, além de obras históricas, contribuíram para sua formação intelectual e para a reflexão sobre as possibilidades da educação feminina. Sua correspondência mostra inquietações sobre a limitação de acesso das mulheres à educação formal e sua expectativa de que transformações sociais pudessem modificar esse cenário ao longo do tempo.
Tendo recebido apenas uma educação rudimentar, ainda muito jovem reuniu um volume de composições poéticas que, segundo testemunhos contemporâneos, destacavam-se pela suavidade e naturalidade expressiva. Em um momento posterior de sua juventude, teria atravessado uma crise pessoal que a levou a destruir esse conjunto de escritos, incluindo textos de caráter mais íntimo e confessional. Apesar desse episódio, Anna Alexandrina de Albuquerque continuou a dedicar-se à poesia e buscou ampliar sua formação intelectual, adquirindo uma formação literária considerada pouco comum para mulheres de seu tempo.
A data de sua morte permanece desconhecida.
Atuação literária miniaturadaimagem|Poema O que mais queres? de Anna Alexandrina Cavalcanti de Albuquerque publicado em Pernambucanas Illustres (1879) Albuquerque esteve ligada a redes de sociabilidade intelectual e colaborou com jornais recifenses como O Ensaio, A Lucta e Correio da Noite. Publicou também no Almanaque de Lembranças Luso-Brasileiro e no Jornal de Aracaju, contribuindo para a difusão de sua poesia em diferentes regiões do país.
Entre os textos atribuídos à Anna Alexandrina estão o romance O escravo, de caráter abolicionista, além de poemas que abordam temas afetivos, sociais e morais presentes na literatura brasileira da virada do século XIX para o XX.
No jornal A Família, periódico dirigido por Josephina Álvares de Azevedo e voltado ao debate sobre educação e direitos das mulheres, seus poemas foram publicados em meio a uma rede de escritoras que ampliavam o espaço literário feminino no país.OLIVEIRA, Karine. Josefina Álvares de Azevedo: a voz feminina no século XIX através das páginas do jornal A Família. [s.l.]: Fundação Biblioteca Nacional - MinC, 2009. Um de seus poemas publicados neste jornal foi Capricho, que vem sendo lido como um poema no qual a dinâmica afetiva entre os sujeitos é construída a partir do deslocamento de expectativas de gênero próprias da tradição da poesia amorosa. A voz lírica feminina, marcada por uma experiência de desilusão, adota uma atitude de contenção emocional e recusa o envolvimento afetivo, afastando-se do papel de entrega sentimental que lhe seria socialmente atribuído. Em contraste, a figura masculina é representada como aquela que idealiza, suspira e projeta possibilidades futuras de realização amorosa. Esses elementos levam a crer que o poema sugere a afirmação de uma subjetividade feminina consciente de seus limites emocionais e disposta a romper com vínculos sustentados por sentimentos reprimidos e pela adequação às normas sociais.
Temas e estilo Os poemas de Anna Alexandrina exploram dilemas afetivos, idealizações românticas, frustrações e questionamentos sobre os papéis reservados às mulheres no século XIX. A presença da subjetividade feminina, tratada ora com sensibilidade, ora com crítica, coloca sua obra em sintonia com discussões literárias e sociais do período. Em alguns poemas, é possível observar um deslocamento da figura feminina convencional, assumindo atitudes mais reflexivas diante de experiências amorosas e das restrições impostas pelo ambiente social.
De acordo com Luzilá Gonçalves Ferreira, Anna Alexandrina produziu textos de caráter abolicionista, incluindo o romance O escravo e composições poéticas, nos quais se manifesta uma posição favorável à população negra. Essa orientação aproxima sua produção da de Maria Firmina dos Reis, com quem compartilha afinidades temáticas e éticas no tratamento da questão da escravidão.
Obras O escravo (romance) O que mais queres (poesia) COSTA, Jéssica Fraga da. Entre a escrita e o silêncio: escritoras brasileiras do século XIX e história da literatura. 2022. 213 f. Tese (Doutorado) - Curso de Programa de Pós-Graduação em Letras, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2022. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/handle/10183/251708. Acesso em: 27 dez. 2025. Trovas (poesia) O negro (poesia)
Categoria:Escritoras do Brasil Categoria:Poetisas do século XIX Categoria:Naturais de Nazaré da Mata Categoria:Mulheres de Pernambuco