Une bonne farce (le chiffonnier) (em português: Uma Boa Farsa (o trapeiro)) é um curta-metragem francês de filme mudo e comédia de 1896, dirigido e produzido por Georges Méliès.Hammond, Paul (1974). Marvellous Méliès. London: Gordon Fraser. p. 134. . Distribuído pela Star Film, o filme é registrado com o número 9 em seu catálogo, sob o título principal Une bonne farce e o subtítulo descritivo le chiffonnier.Seguin, Jean-Claude. "MEL 0009 — Une bonne farce". GRIMH — Groupe de Réflexion sur l'Image dans le Monde Hispanique, Université Lyon 2. Acessado em 17 de janeiro de 2026. Atualmente, o filme é considerado presumidamente desaparecido.Frazer, John (1979). Artificially Arranged Scenes: The Films of Georges Méliès. Boston: G. K. Hall & Co. p. 241. .

O filme

O título do catálogo indica que o filme era uma cena cômica protagonizada por um trapeiro — em francês, chiffonnier. A figura do trapeiro era uma das mais reconhecíveis da Paris do século XIX: eram coletores de trapos, papéis, ossos e outros resíduos que percorriam as ruas da capital, geralmente à noite, revendendo o material a empresas de reciclagem. Com cerca de 30 mil trapeiros atuando na cidade por volta de 1899, a profissão chegou a ser classificada como a sétima atividade de exportação da França, pela sua contribuição à indústria do papel.Ville de Paris. "Ces métiers oubliés du Paris d'autrefois". paris.fr. Acessado em 17 de janeiro de 2026.

A figura do trapeiro havia impregnado a cultura francesa do século XIX: aparecia nos escritos de Victor Hugo, Charles Baudelaire e Théophile Gautier, e nas obras de pintores como Honoré Daumier e Paul Gavarni.République des Savoirs — École Normale Supérieure. "Les Chiffonniers de Paris". Acessado em 17 de janeiro de 2026. Já em declínio desde a introdução das lixeiras obrigatórias pelo prefeito Eugène Poubelle em 1883, o trapeiro era em 1896 uma figura em vias de extinção — o que tornava o tema simultaneamente familiar e nostálgico para o público parisiense da época.Paris ZigZag. "Le chiffonnage, un petit métier autrefois indispensable dans les rues de Paris". Acessado em 17 de janeiro de 2026.

Como filme perdido, o conteúdo exato da cena não pode ser verificado. O subtítulo une bonne farce — "uma boa farsa" — sugere uma gag cômica envolvendo a figura do trapeiro, no estilo dos actuality films com incidente encenado que Méliès praticava naquele período. O gênero de comédia baseada em personagens de rua era corrente no cinema das origens, e o trapeiro, com sua aparência característica — capa, gancho e cesto nas costas —, prestava-se naturalmente ao registro cômico.

Status de conservação

Nenhuma cópia de Une bonne farce (le chiffonnier) é conhecida por ter sobrevivido. O filme integra o conjunto de títulos de Méliès destruídos em 1923, quando o diretor fundiu os negativos de sua coleção para recuperar a prata da emulsão, em meio à ruína financeira que marcou o fim de sua carreira cinematográfica.Malthête, Jacques; Mannoni, Laurent (2008). L'oeuvre de Georges Méliès. Paris: Éditions de La Martinière. .

Ver também

Georges Méliès Star Film Company Filme perdido Arrivée d'un train en gare de Vincennes

Ligações externas

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