thumb|200px|Boneco de Bobo da corte por Olina Ventsel (1938-2007) Bobo da corte, bufão ou bufoSinônimo de bobo Sinônimo Online - acessado em 2 de outubro de 2020, era o "funcionário" da monarquia encarregado de entreter o rei e rainha e fazê-los rir. Muitas vezes eram as únicas pessoas que podiam criticar o rei sem correr riscos, uma vez que sua função era fazê-lo rir, assim como os palhaços fazem nos dias atuais.
História
Origens Os bobos da corte iniciais eram populares no Egito Antigo e entretinham os faraós egípcios. Os antigos romanos tinham uma tradição de bobos profissionais, chamados balatros.Hor. Sat. i. 2. 2. (cited by Allen) Eles eram pagos por seus gracejos, e as mesas dos ricos geralmente eram abertas a eles por causa da diversão que eles proporcionavam.
Na Europa Em diversas cortes ao redor da Europa empregavam indivíduos como bobos da corte para realizar diversos serviços de entretenimento, isso incluía comedia, cantar, dançar, tocar instrumentos, contar histórias, fazer poesias, realizar acrobacias, malabarismos e entre outras coisas. Em alguns casos eles também eram empregados em outros serviços secundários, o bobo da corte Perkeo, por exemplo, realizava além de suas funções como bobo as de copeiro, mordomo e cuidava do armazenamento de vinho do castelo.
Bobos da corte muitas das vezes também seguiam seus reis para o campo de batalha, ocupando diversas funções como mensageiro entre os lideres militares, entreter e acalmar as tropas com musicas e piadas, provocar as tropas inimigas na tentativa de os fazer atacar prematuramente. Em certos casos os bobos até acompanhavam seus mestres para a luta, como no caso das tribos celtas irlandesas onde eram esperado que o bobos lutassem ao lado de seus lordes ou os seus representantes.
Inglaterra miniaturadaimagem|304x304px|Jane Foole, pedaço da pintura Família de Henrique VIII, c. 1545. Diversas cortes durante a história britânica tiveram bobos da corte, um dos mais conhecidos é o bobo do rei Henrique VIII, William Sommers, um bobo da corte natural muito popular não só com o rei mas também com suas filhas, continuando na corte após a morte de Henrique VIII se aposentando apenas durante o reinado de Isabel I. A filha de Henrique, Maria I da Inglaterra também tinha um bobo da corte, uma mulher chamada de Jane Foole, mesmo com as crueldades da corte Tudor, Maria mostraria ser bastante carinhosa com Jane. Não há registros sobre Jane Foole após a morte de Maria I.
Durante o reinado de Isabel I e Jaime I, William Shakespeare escreveu e atuou diversas de suas peças teatrais, muitas delas incluíam bobos da corte. O bufo shakespeariano é conhecido por serem camponeses inteligentes que usam de sua sabedoria para superar pessoas de posição social acima, semelhantes a alguns bobos da corte de sua época mas muito engradecidas para efeito teatral.
França Enquanto sem muitas provas que diferencie os bobos da corte franceses do resto da Europa, é possível notar um certo favorecimento em relação aos que serviam a reis franceses ganhando quartos luxuosos, muitos presentes e recebiam salários mensais.
Um dos bobos da corte franceses mais famosos, Triboulet, serviu na corte de Francisco I de França, ele era conhecido por fazer piadas insultuosas que se não fosse pelo senso de humor do rei, Triboulet provavelmente seria punido. O nome Triboulet também foi usado por outros 2 bobos da corte antes do que serviu Francisco I, inclusive seu antecessor, Luís XII, possuía um bufo com o nome Triboulet, o que fez com que ambos fossem posteriormente confundidos como a mesma pessoa.
Mathurine de Vallois é outro exemplo de um grande bobo da corte francês, servindo aos reis Henrique III de França, Henrique IV de França e Luís XIII de França. Conhecida por usar roupas extravagantes semelhantes a uma guerreira amazona, um dos episódios mais famosos em que esteve presente foi na tentativa de assassinato do rei Henrique IV em 1594, onde Mathurine teria prendido Jean Châtel, o jovem que tentou assassinar o rei:Foi Mathurine quem prendeu o jovem que tentou assassinar Henrique IV, no dia 28 de dezembro. Este jovem, que entrou despercebido no apartamento, atacou o rei com sua adaga. “O diabo leve essa tola com seus truques”, gritou Sua Majestade… Mathurine saltou para a porta e, barrando a passagem, impediu a fuga do agressor do rei.
Espanha Na Espanha o uso de anões dentro das cortes era extremamente popular, tanto para entretenimento quanto para companhia. Entre os vários anões da corte podemos citar Eugenia Martínez Vallejo bufão de Carlos II, Maria Bárbola anã da corte de Maria Ana de Áustria e acompanhante de Margarida Teresa de Habsburgo.
Itália Na Itália a commedia dell'arte originaria nos teatros italianos e que mais tarde se popularizou pelo resto da Europa entre os séculos XVI e XVIII possuía personagens semelhantes aos bobos da corte, entre um exemplo famoso é o Arlecchino ou Arlequim como ficou conhecido.
O Papado renascentista também possuía bufões empregados na corte papal em Roma. No entanto, a partir do Papa Pio V o bobo da corte parou de ser empregado no papado.
Rússia Ivã IV e seus sucessores são conhecidos por terem em suas cortes vários anões, bufos e pessoas com características grotescas. É dito que Pedro I em um momento teve noventa e nove bobos em um corredor tendo espaço para caso um centésimo chegasse.
Na Ásia
China Os bobos da corte chineses surgiram inicialmente da cultura musical presente nas cortes, realizando diversas esquetes musicais, danças e teatro como formas de entretenimento inicialmente. Os bufões chineses recebiam bastante treinamento vindos do Jiaofang (uma academia real dedicada a musica, dança e teatro) e do Liyuan (Uma academia dedicada a artes performáticas e musicas), sendo o ultimo responsável por treinar centenas de músicos, acrobatas e outros tipos de artistas que entretinham a corte.
You Zhan, o bobo da corte do imperador Qin Shihuang é um dos mais antigos bufões chineses nomeados, ele é conhecido por seu estilo único de dizer que uma ideia era ruim ao imperador de uma forma humorada, um exemplo seria a vez que Shihuang quis laquear a Grande Muralha da China, uma decisão que seria não só um desastre economicamente mas também custaria a vida de muitos trabalhadores, seus conselheiros ficaram sem palavras no momento restando ao bobo da corte fazer a intervenção:"É uma ideia esplêndida", entusiasmou-se prontamente o tolo. 'Laquear a Grande Muralha toda lisa e brilhante, ela então ficará muito escorregadia para qualquer invasor escalar. Agora vamos ao lado prático do trabalho. A laqueagem é bastante fácil, mas construir uma sala de secagem pode apresentar um ou dois problemas.Outro grande exemplo é o de Dongfang Shuo, um burocrata acadêmico, Fangshi, autor e bobo da corte do imperador Wu de Han, ele também é considerado na mitologia chinesa um ser iluminado daoista (um ser imortal). Ele era conhecido pelo seu grande conhecimento e ótima oratória. Um dos episódios mais humorados de Shuo ocorreu em um dia quente onde o imperador ordenou presentear carne para seus convidados:[...] durante os dias mais quentes do verão, o imperador ordenou que fosse dado um presente de carne aos seus convidados. Mas, embora passasse o dia e já fosse tarde, o ajudante do mordomo imperial não conseguiu distribuir o presente. Shuo então decidiu desembainhar a espada e cortar uma porção de carne, falando para seus colegas oficiais: "Nestes dias quentes, é preciso ir para casa mais cedo. Com sua permissão, portanto, aceitarei meu presente." Então ele colocou a carne no peito do manto e saiu. O mordomo imperial relatou isso ao imperador, e quando Shuo apareceu na corte, o imperador disse: “Ontem, quando o presente de carne estava sendo distribuído, você não esperou pela ordem imperial, mas cortou um pedaço de carne. com sua espada e foi embora com ela. O que você quer dizer com tal comportamento!"
Shuo tirou o chapéu e pediu desculpas, mas o imperador disse: "Levante-se, senhor, e confesse suas falhas!"
Shuo curvou-se duas vezes e disse: "Tudo bem, Shuo! Você aceitou o presente sem esperar pelo comando imperial - que quebra de etiqueta! Você desembainhou sua espada e cortou a carne - que ousadia singular! Quando você a cortou , você não pegou muito - que abstêmio da sua parte. Você levou para casa e deu para uma garotinha - que grande coração!"
O imperador riu e disse: “Eu disse para você confessar suas falhas e aqui está você se elogiando!” Depois presenteou-o com um galão de vinho e cem catties de carne e disse para levar para casa, para "as garotinhas".
Japão miniaturadaimagem|205x205px|Um exemplo de apresentação feita por um Taikomochi. O Taikomochi serviam aos daimiôs (lordes feudais japoneses) entre os séculos XIII e XVIII. Entretinham principalmente através de danças e contando histórias engraçadas, fornecendo também conselhos pessoais. No século XVI eles também começaram a dar conselhos militares e participar de batalhas junto a seus senhores. Os Taikomochi começaram a entrar em declínio a partir do século XVII quando um período de paz se instalou no Japão e as primeiras gueixas começaram a aparecer, já no século XVIII o número de gueixas superava e muito o de Taikomochi.
Na América
Civilização Maia A civilização maia possuía palhaços ritualísticos semelhantes a bufões, segundo suas representações presentes em peças de arte clássicas como estatuas e em vasos, eles seriam pessoas com aparência grotesca e com características animalescas. Eles dançavam com chocalhos e leques, usavam mascaras e roupas de animais e os personificavam durante suas apresentações, não na tentativa de aparentar imitar eles mas para se tornarem eles. Um dos animais que tendiam a personificar mais eram os macacos aranha, um animal bastante identificado com o humor na civilização maia.
Civilização Asteca Bobos da corte também podem ser encontrados na civilização asteca, eles eram muitas das vezes completamente deformados. Na visita de Barnal Díaz del Castillo na corte de Montezuma II ele relatou ter observado a presença de bufos no local:“Às vezes alguns pequenos anões corcundas estavam presentes em suas refeições, cujos corpos pareciam estar quase quebrados ao meio. Esses eram seus bobos.”
Fim da tradição Na Inglaterra a tradição do bobo da corte teve como fim definitivo durante a restauração, onde Charles II após assumir o trono não reinstalou a tradição sob seu governo. No restante da Europa o declínio da tradição só foi começar no século XVII, durante esse período o cargo de bobo da corte e similares começaram a perder espaço nas cortes ao redor da Europa, o Filipe V de Espanha por exemplo aboliu em seu reinado vários cargos considerado desatualizados na sua época, neles incluía o bufão. No século XVIII o cargo de bobo da corte já teria desaparecido de grande parte da Europa, restando poucos lugares como no Império Russo.
Características
Processo de seleção A forma como alguém era escolhido a se tornar um bobo da corte variava muito, principalmente pelo fato de qualquer pessoa poder assumir a função. Bufos poderiam surgir de qualquer lugar e posição, poderiam ser tanto alguém com experiência com poesia e musicas quanto o filho de um camponês sem experiência com entretenimento. Eles também poderiam ser encontrados de variáveis formas, poderiam ser entregues como presentes, encontrados durante viagens ou até recomendados por pessoas próximas da corte.
Relação com o rei