Esta é uma lista de pesquisas eleitorais para a eleição estadual de 2026 no estado de Santa Catarina. Desde as eleições de 2022, empresas de pesquisa de opinião publicam informações que rastreiam a intenção de voto para a eleição para governador e senador em 2026. Os resultados estão listados abaixo em ordem cronológica reversa. Todas os cenários se referem a pesquisas estimuladas, quando uma lista de candidatos é apresentada ao entrevistado.
Contexto
As pesquisas eleitorais realizadas em Santa Catarina em 2026 apresentaram diversidade de institutos, métodos de coleta, contratantes e desenhos amostrais. O estado recebeu levantamentos de empresas como Neokemp, Instituto de Pesquisa Catarinense (IPC), Instituto Mapa, Futura Inteligência, Veritá, Real Time Big Data e Quaest, abrangendo principalmente as disputas pelo Governo de Santa Catarina e pelo Senado Federal, além de pesquisas nacionais com recorte estadual.
A diversidade dos levantamentos também se refletiu nos métodos utilizados. O Instituto de Pesquisa Catarinense realizou pesquisa presencial, domiciliar e em pontos de fluxo populacional, enquanto a Neokemp utilizou entrevistas telefônicas automatizadas. A Futura Inteligência também utilizou entrevistas por telefone, e outros institutos empregaram métodos próprios de coleta.
O Instituto de Pesquisa Catarinense realizou em julho levantamento contratado pela Associação Catarinense de Jornais. A pesquisa foi realizada presencialmente, de forma domiciliar e em pontos de fluxo, entre 9 e 13 de julho, com 1.050 entrevistados em 54 municípios distribuídos pelas regiões da Grande Florianópolis, Norte, Serra, Sul, Vale do Itajaí e Oeste. A margem de erro foi de três pontos percentuais e o nível de confiança de 95%.
A Neokemp também realizou sucessivos levantamentos estaduais. Uma pesquisa realizada entre 22 e 23 de julho ouviu 1.008 eleitores em 100 municípios catarinenses e utilizou entrevistas telefônicas automatizadas. O levantamento foi contratado pelo OCP News e registrado no Tribunal Superior Eleitoral.
A diferença entre os métodos de coleta tornou-se um elemento importante na comparação das pesquisas catarinenses. O IPC realizou entrevistas presenciais em 54 municípios, enquanto a Neokemp empregou entrevistas telefônicas automatizadas em uma amostra distribuída por 100 municípios. As duas pesquisas, portanto, utilizaram desenhos de campo distintos, ainda que ambas tenham produzido estimativas sobre a mesma disputa estadual.
Em agosto, a Quaest realizou sua primeira pesquisa registrada em Santa Catarina. O instituto foi contratado pela NSC Comunicação por R$ 106,3 mil, valor que, segundo a imprensa catarinense, era aproximadamente o dobro do custo dos levantamentos do IPC e do Instituto Mapa e cerca de quatro vezes o custo das pesquisas da Neokemp.
A entrada da Quaest no mercado catarinense foi destacada pela imprensa local como um acontecimento relevante porque o instituto, apesar de possuir atuação nacional, ainda não havia realizado pesquisa registrada no estado em 2026. A comparação entre seus levantamentos e os de institutos que já vinham realizando pesquisas em Santa Catarina permitiu ampliar a diversidade de metodologias e empresas presentes no estado.
O ano eleitoral também foi marcado por questionamentos judiciais sobre a regularidade de pesquisas. Entre junho e julho, a Justiça Eleitoral de Santa Catarina determinou a suspensão de três levantamentos diferentes destinados a medir a intenção de voto para o Governo do Estado, envolvendo os institutos Veritá, Futura Inteligência/100% Cidades e Mapa.
O primeiro desses episódios envolveu a pesquisa do Instituto Veritá registrada sob o número SC-02747/2026. O Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina determinou sua suspensão em 11 de junho após identificar que o arquivo original apresentado à Justiça Eleitoral incluía municípios do Maranhão, como São Luís, Imperatriz e Barra do Corda, entre as localidades relacionadas à amostra de uma pesquisa destinada ao eleitorado catarinense.
Segundo o Instituto Veritá, a presença dos municípios maranhenses decorreu de um erro material na geração do arquivo e as cidades não teriam participado da coleta. O tribunal, contudo, considerou relevante o fato de o arquivo ter sido substituído somente depois do prazo para a apresentação das informações e depois da divulgação dos resultados.
A decisão relativa à pesquisa do Veritá teve caráter liminar. O caso chamou atenção não apenas pela inclusão de municípios de outro estado no arquivo da pesquisa, mas também porque a alteração do documento ocorreu depois de o levantamento já ter sido divulgado.
O segundo caso envolveu a pesquisa registrada sob o número SC-01761/2026, realizada pela Futura Consultoria e Assessoria em parceria com a 100% Cidades. O levantamento foi suspenso pelo TRE-SC em 12 de junho porque o registro apresentava os municípios e macrorregiões abrangidos, mas não informava os bairros ou áreas específicas onde as entrevistas haviam sido realizadas.
O TRE-SC posteriormente julgou procedente, por unanimidade, a representação contra as duas empresas. Em decisão de 1º de julho, a Corte proibiu definitivamente a divulgação da pesquisa SC-01761/2026 e aplicou multa individual de R$ 53.205,00 à 100% Cidades e à Futura Consultoria.
A decisão considerou que a ausência dos dados inframunicipais impedia a fiscalização da distribuição geográfica da amostra. Segundo o TRE-SC, a indicação dos bairros ou setores censitários permite verificar se as entrevistas foram distribuídas de maneira compatível com o plano amostral e impede que uma eventual concentração artificial dos entrevistados permaneça sem possibilidade de auditoria.
As empresas alegaram que a realização de entrevistas por telefone dificultaria a identificação dos bairros e também invocaram questões relacionadas à proteção de dados pessoais. O TRE-SC rejeitou os argumentos, entendendo que a informação exigida é estatística e territorial, e não envolve a identificação pessoal dos entrevistados. A Corte também afirmou que, caso houvesse impossibilidade técnica de identificação das localidades, deveria ter sido apresentada justificativa técnica no sistema oficial dentro do prazo previsto.
A decisão sobre a pesquisa Futura/100% Cidades teve consequências financeiras além da proibição de divulgação. As duas empresas foram condenadas individualmente ao pagamento de R$ 53.205,00, valor correspondente ao mínimo legal considerado aplicável pelo tribunal.
O terceiro caso ocorreu em julho e envolveu o Instituto Mapa. Em 27 de julho, o TRE-SC determinou liminarmente a suspensão da pesquisa registrada sob o número SC-02249/2026, contratada pela Jovem Pan News. Entre os problemas apontados estavam a utilização de denominações de bairros que não correspondiam à divisão oficial de Florianópolis e Balneário Camboriú, a presença de grande número de entrevistas classificadas como realizadas em localidade não identificada ou não informada e divergências na apresentação dos candidatos no questionário.
A decisão sobre o levantamento do Instituto Mapa, entretanto, teve desfecho diferente dos casos anteriores. Em agosto, o próprio instituto informou que o TRE-SC julgou improcedente a representação e reconheceu a regularidade da pesquisa SC-02249/2026, revogando os efeitos da liminar de 27 de julho e restabelecendo a possibilidade de divulgação dos resultados.
Assim, embora três pesquisas tenham sido suspensas liminarmente em Santa Catarina durante junho e julho, nem todas tiveram o mesmo resultado judicial. A pesquisa Futura/100% Cidades acabou proibida definitivamente, com aplicação de multas, enquanto a pesquisa do Instituto Mapa teve a liminar posteriormente revogada após o julgamento de mérito que reconheceu sua regularidade. O caso do Veritá teve inicialmente decisão liminar de suspensão relacionada às inconsistências do arquivo de amostragem.
Os episódios judiciais tiveram como elemento comum a preocupação com a possibilidade de fiscalização da amostra. No caso do Veritá, a controvérsia envolveu a presença de municípios de outro estado no arquivo de amostragem; no caso da Futura/100% Cidades, a ausência de detalhamento territorial; e, no caso do Mapa, a identificação das localidades e inconsistências no questionário.
As decisões ocorreram em um contexto de reforço das exigências de transparência das pesquisas eleitorais. Os registros disponibilizados pela Justiça Eleitoral contêm informações sobre metodologia, plano amostral, municípios e localidades de coleta, contratantes, valores e origem dos recursos, além dos questionários utilizados pelos institutos.
O Portal de Dados Abertos do TSE disponibiliza, para 2026, arquivos separados com os registros das pesquisas, contratantes, pagantes, notas fiscais, questionários e detalhamento de bairro e município. A base tem atualização diária, permitindo acompanhar alterações e novos registros ao longo do processo eleitoral.
A questão da identificação territorial ganhou importância especial em Santa Catarina em razão dos processos judiciais envolvendo as pesquisas Futura/100% Cidades e Mapa. A exigência de detalhamento não se destina apenas à localização geográfica em sentido abstrato, mas permite que partidos, candidatos, Ministério Público Eleitoral e outros interessados fiscalizem a distribuição efetiva das entrevistas e a correspondência entre o plano amostral registrado e a coleta realizada.
O mercado de pesquisas catarinense também apresentou diferenças expressivas de custos. A Quaest foi contratada pela NSC Comunicação por R$ 106,3 mil, enquanto levantamentos do IPC, Mapa e Neokemp foram apontados pela imprensa local como tendo custos inferiores. A diferença foi relacionada principalmente às características dos institutos, ao método de coleta e ao desenho das pesquisas.
Outro aspecto do financiamento aparece nos registros da empresa 100% Cidades. Levantamento baseado nos dados do TSE identificou 35 pesquisas registradas pela empresa entre janeiro e agosto de 2026, envolvendo diferentes estados, incluindo Santa Catarina. Em 33 desses levantamentos, a contratante indicada foi a Futura Consultoria e Assessoria, com valor conjunto declarado de R$ 3,312 milhões.
Segundo a mesma análise dos registros do TSE, os levantamentos da 100% Cidades tinham como origem dos recursos os recursos próprios do contratante, embora o campo específico sobre realização com recursos próprios do instituto estivesse preenchido negativamente. A empresa realizou pesquisas em diferentes estados, incluindo Santa Catarina, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Bahia e Ceará.
A presença da Futura e da 100% Cidades em diversos estados demonstra que parte das pesquisas realizadas em Santa Catarina integra operações de abrangência nacional, e não apenas institutos locais. Isso diferencia o mercado catarinense de pesquisas exclusivamente regionais, como aquelas realizadas pelo IPC, e contribui para a diversidade de empresas e métodos presentes nos registros.
As pesquisas do IPC, por sua vez, apresentam uma característica regional mais evidente. O levantamento de julho foi contratado pela Associação Catarinense de Jornais e distribuído territorialmente por todas as principais regiões do estado, com entrevistas presenciais em 54 municípios.
A pesquisa da Neokemp de julho também apresentou ampla distribuição territorial, abrangendo 100 municípios, embora utilizando método de entrevistas telefônicas automatizadas. A comparação entre os dois levantamentos mostra que uma amostra territorialmente ampla pode ser obtida por métodos de coleta diferentes, desde que sejam observados os critérios estatísticos e as regras de registro.