A Fábrica de Aviões de Lagoa Santa foi criada em 1937 por iniciativa pessoal do presidente Getúlio Vargas. Por escolha governamental, o local seria Lagoa Santa. O interesse em instalá-la ao lado da lagoa estava relacionado à possível fabricação de hidroaviões.

Após uma série de gestões fracassadas, foram fabricados 81 aviões T-6 sob licença da North American Aviation, que fizeram o sucesso da Esquadrilha da Fumaça da Força Aérea Brasileira (FAB) de 1952 até 1977.

Em 1950, a Fábrica de Lagoa Santa foi desativada, tornando-se um centro de manutenção de aviões da FAB.

O futuro ministro da Aeronáutica, brigadeiro Eduardo Gomes, entre autoridades civis, à direita, marcados com tarja em vermelho, o engenheiro W. Stein Diretor de fabricação da Fábrica de Lagoa Santa e o brigadeiro Casimiro Montenegro Filho, fundador do ITA e CTA, na entrega do último NA T-6.

História Em outubro de 1937, foi aberta uma concorrência pública para a construção de uma grande fábrica de aviões no Brasil, iniciativa pessoal do presidente Getúlio Vargas. Por escolha governamental, o local definido foi Lagoa Santa, distante cerca de 50 km de Belo Horizonte. esquerda|miniaturadaimagem|342x342px|NA T6 na cabeceira da pista da Fabrica de Aviões de Lagoa Santa O setor aeronáutico foi selecionado como um dos prioritários dentro da política de industrialização do governo Vargas, dada sua importância para a estrutura de defesa da nação e como instrumento de integração nacional.

Um grupo de personalidades, juntamente com o projetista francês René Couzinet, convidado por Getúlio Vargas, fundou a empresa Construções Aeronáuticas S/A e participou da concorrência. Como única participante, a empresa venceu o processo, mas a licitação foi posteriormente anulada.

Novas concorrências foram realizadas, porém também acabaram anuladas devido a problemas políticos, falta de prioridades, a crise provocada pela guerra e outros fatores que fizeram com que a construção da Fábrica de Lagoa Santa se arrastasse por anos. A situação chegou ao ponto de o próprio presidente Getúlio Vargas pressionar seu ministro da Aeronáutica, Joaquim Pedro Salgado Filho, pois não interessava ao governo assumir compromissos com fabricantes de aviões antes que a fábrica estivesse construída e em pleno funcionamento.

Grupo Pignatari Com a pressão do presidente, a fábrica finalmente teve sua estrutura finalizada em 1943, com dez grandes pavilhões, uma central elétrica e todas as demais instalações.

Em 1944, uma comissão liderada pelo então tenente-brigadeiro-do-ar Raymundo Vasconcellos Aboim, diretor-geral do Material da Aeronáutica, responsável pelo sucesso da fabricação de aviões da Focke‑Wulf na Fábrica do Galeão juntamente com o engenheiro Stein — decidiu transferir a responsabilidade da fábrica para o Grupo Pignatari, de São Paulo.

O grupo mantinha, na época, a Companhia Aeronáutica Paulista, responsável pela fabricação de mais de 800 aviões de treinamento “Paulistinha”.

Depois de diversas gestões se mostrarem inviáveis, o Grupo Pignatari também fracassou. A Aeronáutica assumiu então a fábrica de Baby Pignatari, playboy e empresário brasileiro que possuía a licença para a fabricação dos T-6 da North American Aviation.

Engenheiro Stein miniaturadaimagem|379x379px|Brigadeiro Eduardo Gomes entre autoridades civis, a direita, marcados com tarja em vermelho, o engenheiro W. Stein e o Brigadeiro Montenegro, na entrega do último NA T¨6 fabricado em Lagoa Santa, Após essas experiências fracassadas, em 1946, o engenheiro aeronáutico Wilhelm Stein foi convidado pela Força Aérea Brasileira para assumir a diretoria de fabricação do avião norte-americano NA T-6 em Lagoa Santa.

O convite foi feito pelo então ministro da Aeronáutica do governo Eurico Gaspar Dutra, Brigadeiro Armando Figueira Trompowsky, seu conhecido da Fábrica do Galeão, que o reencontrou por acaso ao se hospedar no Hotel Quitandinha, em Petrópolis.

Com Stein como chefe de fabricação, a Fábrica de Lagoa Santa teve sua produção estruturada e foram produzidos os 81 aviões T-6-NA previstos no contrato com a North American Aviation. (2) A Força Aérea Brasileira operou essas aeronaves até 1977. esquerda|miniaturadaimagem|337x337px|A Esquadrilha da Fumaça da FAB iniciou as suas apresentações em 14 de maio de 1952 com os aviões NA T-6. A Esquadrilha da Fumaça se apresentou 1225 vezes com o famoso T-6 Os lendários T-6, conhecidos nos Estados Unidos como “pilot makers” (fazedores de pilotos), foram responsáveis também pelo sucesso da Esquadrilha da Fumaça de 1952 até 1977, quando foram substituídos pelo Neiva N621 Universal, da Indústria Aeronáutica Neiva, e posteriormente pelos Tucanos, da Embraer.

Com a entrega do último T-6-NA, em 1950, a Fábrica de Lagoa Santa foi desativada, tornando-se um centro de manutenção de aviões da Força Aérea Brasileira.

Logo após a entrega do último T-6, Wilhelm Stein foi convidado pelo idealizador e fundador do Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), o brigadeiro Casimiro Montenegro Filho, para participar de outro projeto: o IPD/PAR, núcleo de pesquisa de construção de aeronaves do CTA.

Com o fim da cerimônia, após o convite, Stein sugeriu a Casimiro Montenegro que convidasse também seu amigo Henrich Focke, fundador da Focke‑Wulf e um dos inventores do helicóptero. Devido às limitações do pós-guerra, o cientista e sua equipe de pesquisadores da antiga Focke‑Achgelis poderiam aceitar um convite para desenvolver no PAR o seu projeto do Convertplano Heliconer, um avião que decolaria na horizontal como um helicóptero e depois seguia voo na horizontal como um avião.

Categoria:Lagoa Santa (Minas Gerais)