Tomas Young (30 de novembro de 1979 – 10 de novembro de 2014) foi um veterano militar americano da Guerra do Iraque. Em 2004, foi ferido e ficou paralisado por um tiro na coluna vertebral cinco dias após chegar ao Iraque. Um dos primeiros veteranos a se posicionar publicamente contra a guerra, Young protestou ativamente após retornar aos Estados Unidos. Quando sua condição física piorou em 2013 devido a várias complicações médicas, optou por entrar em cuidados paliativos. Posteriormente, mudou de ideia e aceitou tratamento médico até sua morte em 2014.
Carreira militar Dois dias após os ataques de 11 de setembro de 2001, Young, inspirado pelo presidente George W. Bush, alistou-se no Exército dos Estados Unidos. Esperava tanto conseguir estudar na universidade por meio da quanto, em suas palavras, “exercer alguma forma de retaliação” contra os responsáveis pelos ataques.
Em 4 de abril de 2004, cinco dias após chegar ao Iraque, Young foi baleado enquanto estava em um caminhão aberto e sem blindagem durante uma emboscada realizada por rebeldes na . Uma das balas perfurou sua coluna vertebral, deixando-o paralisado do peito para baixo. Retornou para Kansas City, Missouri. Ingressou no grupo Veteranos do Iraque Contra a Guerra (sigla em inglês: IVAW) e tornou-se um dos primeiros veteranos a criticar publicamente a Guerra do Iraque.
Complicações de saúde Em 2007, sofreu um episódio de trombose venosa profunda no braço direito. Seis meses depois, o problema se repetiu, causando uma embolia pulmonar, e a consequente hipóxia cerebral o deixou parcialmente tetraplégico.
Body of War é um documentário dirigido por e Phil Donahue sobre Young enquanto ele se adaptava ao corpo paralisado e questionava seus motivos para ter se alistado no exército.
A Última Carta Escrevo esta carta, minha última carta, para vocês, Sr. Bush e Sr. Cheney. Não a escrevo porque acho que compreendam as terríveis consequências humanas e morais de suas mentiras, manipulações e sede por riqueza e poder. Escrevo porque, antes de minha própria morte, quero deixar claro que eu, e centenas de milhares de meus companheiros veteranos, junto com milhões de meus concidadãos, além de centenas de milhões no Iraque e no Oriente Médio, sabemos exatamente quem vocês são e o que fizeram. Vocês podem escapar da justiça, mas aos nossos olhos, são culpados de crimes de guerra graves, de saques e, por fim, de assassinato, incluindo o assassinato de milhares de jovens americanos — meus companheiros veteranos — cujo futuro vocês roubaram.—Tomas Young, A Última Carta Em março de 2013, o colunista do Chris Hedges publicou uma entrevista com Young sobre sua visão de mundo. Na época, Young estava em cuidados paliativos, e a entrevista foi realizada em sua casa em Kansas City. Embora Young tenha considerado o suicídio em várias ocasiões, decidiu “entrar em cuidados paliativos, parar de se alimentar e desaparecer. Dessa forma, em vez de cometer o suicídio convencional e sair de cena, as pessoas têm a oportunidade de passar ou ligar para se despedir”. Posteriormente mudou de ideia, dizendo: “Quero passar o máximo de tempo possível com minha esposa, e nenhum filho decente quer que seu obituário diga que sua mãe teve que enterrá-lo”.
No mesmo mês, no décimo aniversário da Guerra do Iraque, o Truthdig publicou “A Última Carta” de Young dirigida ao ex-presidente George W. Bush e a Dick Cheney. Na carta, Young acusou Bush e Cheney de crimes de guerra, afirmou que milhões de americanos e iraquianos sabem “quem vocês [Bush e Cheney] são e o que fizeram”, e condenou “o atendimento inadequado e muitas vezes ineficiente fornecido pela Administração de Veteranos”, dizendo: “Eu, como muitos outros veteranos com deficiência, percebi que nossas feridas mentais e físicas não interessam a vocês, talvez não interessem a nenhum político. Fomos usados. Fomos traídos. E fomos abandonados.” Ele disse acreditar que o governo Bush considerava os militares e veteranos dispensáveis e expressou esperança de que os líderes dos EUA tivessem a coragem de pedir desculpas pelos danos causados pela guerra.
Morte Young faleceu em 10 de novembro de 2014, em Seattle, Washington. Em novembro de 2014, Chris Hedges e Ralph Nader escreveram cada um uma coluna sobre a morte de Young. Hedges afirmou que “Young resistiu o quanto pôde. Agora ele se foi. Ele entendeu o que os mestres da guerra fizeram com ele, como foi usado e transformado em escória humana”.
Tomas Young's War O autor Mark Wilkerson entrevistou Tomas Young várias vezes em 2013 e 2014. Escreveu a biografia Tomas Young's War, publicada pela Haymarket Books em 2016. O livro também se baseia em entrevistas de Wilkerson com a mãe, o irmão e a esposa de Young, além de amigos próximos, incluindo celebridades como Eddie Vedder, Tom Morello e Phil Donahue. O artista criou a arte da capa do livro.
Referências
Categoria:Nascidos em 1979 Categoria:Mortos em 2014 Categoria:Estadunidenses contra a Guerra do Iraque Categoria:Soldados do Exército dos Estados Unidos Categoria:Pessoas com paraplegia