Fredric Michael Litto (Nova York, 8 de janeiro de 1939 - 23 de outubro de 2024) naturalizado brasileiro, foi professor do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP).

Fundou a Escola do Futuro, laboratório de pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), voltado ao estudo das aplicações educacionais das novas tecnologias da informação e comunicação (TICs). Fundou a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), sendo presidente até 2023. Foi membro do World Bank Working Group (2003-2004), que definiu critérios para a educação a distância voltada a comunidades rurais, isoladas e nômades, e atuou, em 2004, como avaliador de um projeto do Commonwealth of Learning em Moçambique, com apoio do Banco Mundial.

Ganhou o primeiro Prêmio Jabuti em 2009, por seus livros sobre educação a distância, e, em 2011, recebeu o segundo Prêmio Jabuti pelo livro Aprendizagem a Distância, na categoria “Tecnologia e Informática”. Em 2019, entrou para a Academia Brasileira de Educação.

Foi nomeado professor emérito da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP) em 2012.

Formação Fredrich se formou em Radio & TV, em 1960, pela Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, e em 1969 concluiu seu Ph.D. em Comunicações e Drama pela Universidade de Indiana. Alcançou a livre docência na Universidade de São Paulo em 1977.

Carreira Fredric construiu uma carreira acadêmica internacional de destaque no campo da educação a distância e das tecnologias educacionais. Formado em Radio & TV pela UCLA e Ph.D em Comunicações e Drama pela Universidade de Indiana, atuou como docente em instituições americanas antes de se estabelecer no Brasil, como por exemplo no Bowdoin College (1964-1965) e na Universidade de Kansas (1965-1971). Ao longo de sua trajetória, orientou mais de 35 teses de mestrado e doutorado, contribuindo para a formação de pesquisadores e profissionais da área.

Na Universidade de São Paulo, foi professor titular de Comunicações de 1971 a 2003, fundou e coordenou a Escola do Futuro, laboratório dedicado à pesquisa sobre tecnologias digitais aplicadas à educação, permanecendo à frente da instituição até o ano de 2006. Em 1995, criou a Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED), da qual foi presidente por sucessivos mandatos, permanecendo até 2023, e desempenhando papel central na consolidação da educação a distância no Brasil como uma modalidade reconhecida e amplamente acessível.

Escreveu inúmeros livros e artigos, e foi convidado a participar de conferências internacionais e a aconselhar governos e instituições sobre políticas educacionais inovadoras.

Atuou em conselhos editoriais de renomadas revistas acadêmicas como a Open Learning do Reino Unido, a International Review of Research in Open & Distance Learning do Canadá, a American Journal of Distance Education dos Estados Unidos e a Revista Ibero-Americana de Educación a Distância da Espanha.

Foi pesquisador visitante na Japan Society for the Advancement of Science em 1983, e no Departamento de Comunicações da Universidade de Stanford entre 1987 e 1988. Conseguiu bolsa no programa Cátedra Rio Branco e estudou no Instituto de Educação da Universidade de Londres entre 2007 e 2008. Foi eleito para o Comitê Executivo do International Council of Open & Distance Education (ICDE), em Oslo, e posteriormente entrou para o Conselho de Curadores durante o período de 2013 a 2016.

Escola do Futuro Em 1989, Fredrich foi um dos fundadores do Laboratório de Tecnologias de Comunicação, hoje conhecido como NACE Escola do Futuro-USP, um dos núcleos de pesquisa e extensão mais antigos da Universidade.

O NACE Escola do Futuro-USP, é um think tank da Universidade de São Paulo, criado em 1989 como Laboratório de Tecnologias de Comunicação atrelado ao Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), dedicado à pesquisa dos impactos das tecnologias da informação e comunicação nos processos de ensino e aprendizagem. Atualmente, investiga os efeitos da Internet das Coisas (IOT), do Big Data e da Inteligência Artificial (AI) na educação, atuando por meio de pesquisas teóricas, produção científica e projetos de pesquisa-ação vinculados ao Observatório da Cultura Digital (OCD). Doação Especial Fredric Michael Litto Parte do acervo pessoal de Fredric foi doada e a outra parte comprada pela Universidade Federal de Uberlândia em julho de 1995. O acervo é composto por obras teatrais, peças, livros e outros. As obras doadas se encontram na Coleção Especial de Teatro e na Coleção Especial de Arte da Universidade Federal de Uberlândia.

EAD e ABED Lito iniciou suas atividades em Educação a Distância (EAD) em 1957. Em 1989 foi inaugurado o Laboratório de Tecnologias de Comunicação, do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes (ECA), e anos mais tarde, o mesmo foi elevado a condição de Núcleo de Apoio à Pesquisa, vinculado à Pró-Reitoria de Pesquisa e seu nome passou a ser Núcleo das Novas Tecnologias de Comunicação Aplicadas à Educação - Escola do Futuro-USP (NAP EF/USP).

Desde sua criação, sob a direção do professor Fredric, o laboratório teve como objetivo explorar e implementar propostas inovadoras e eficazes que, por meio de recursos como a internet e a multimídia, contribuíssem para o aprimoramento das práticas de ensino. Essa missão estava plenamente alinhada à Educação a Distância (EAD).

Dessa forma, A Escola do Futuro se consolidou como um centro de discussões sobre a EAD, sendo considerada o berço da ABED, tanto por seu estímulo intelectual à área quanto por ter sediado a associação durante os seis primeiros anos após sua fundação.

A ABED constitui-se como uma sociedade científica sem fins lucrativos e econômicos, apartidária, não governamental, que tem como finalidade o estudo, a pesquisa, o desenvolvimento, a promoção e a divulgação da educação aberta, flexível e a distância. Sua criação teve como premissa central organizar e articular o meio acadêmico, fomentando a apresentação, a discussão e a investigação das tecnologias que, naquele momento, mediavam os processos educacionais. Pretendia-se, então, propor uma alternativa moderna, de qualidade e inclusiva, capaz de ampliar o acesso da população à educação.

De modo geral, as ações da associação deveriam concentrar-se em: explicar e divulgar a Educação a Distância; incentivar a formação de recursos humanos para a EAD; adequar a legislação educacional brasileira às características específicas da EAD; e enfatizar a importância da EAD na qualificação dos trabalhadores.

Em 1995, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) não reconhecia a EAD. Segundo Litto "eles escreveram uma carta para o ministro da Educação pedindo para não permitir a EAD em pós-graduações." O professor então escreveu para a SBPC em nome da ABED repudiando o posicionamento e sugeriu um encontro para debater em âmbito científico acerca do assunto. O encontro aconteceu durante uma reunião anual da SBPC, no qual dois especialistas defenderam posições opostas sobre a utilização da EAD. De um lado, contra a EAD, participou o cientista político José Arthur Giannotti, e, de outro, a favor, professor Alexander Joseph Romiszowski, um dos especialistas com mais conteúdo publicado na língua inglesa sobre tecnologia educacional. Litto atuou como moderador.

Dois meses após o evento, a ABED recebeu um convite para integrar o Conselho das Sociedades Científicas Brasileiras.

A ABED tornou-se membro oficial da SBPC em 1998 e desde então participa das atividades na programação das Reuniões Anuais da sociedade.

Ainda no ano de 2016, a associação realizou, conforme previsto, o III Congresso Internacional de Educação a Distância, entre os dias 15 e 17 de maio, integrando a programação do evento EDUCADOR 96, no Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo. Para encerrar a assembleia de 1996, os presentes decidiram acolher as recomendações do III Congresso de Educação a Distância e formalizaram um compromisso que ficou conhecido como I Epístola de São Paulo sobre Educação a Distância.

Em quatro recomendações, foram reafirmados os objetivos que levaram à criação da associação, destacando a necessidade de se esclarecer “o que realmente seja Educação a Distância e a importância de sua utilização num Brasil em que se torna inadiável educar, no sentido mais amplo da palavra, toda a sua população”. Ainda em 1996, foi criada a Secretaria de Educação a Distância (SEED), no Ministério da Educação, para dar suporte a esse novo ambiente.

No ano seguinte, foi promulgada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB 9.394, que estabeleceu as diretrizes e bases da educação nacional. O texto legal tratou diretamente da Educação a Distância (EAD), reconhecendo-a como modalidade legítima em todos os níveis de ensino, inclusive no fundamental, em que poderia ser utilizado como complementação da aprendizagem ou em situações emergenciais.

Em 1998, a SEED elaborou uma proposta de padrões de qualidade que serviu como base para as instituições que pretendiam oferecer cursos de graduação a distância.

Apesar do crescimento da educação a distância no ensino profissionalizante, em 1998 apenas a Universidade Federal do Mato Grosso oferecia graduação nessa modalidade, em caráter experimental e voltada à formação de professores da rede pública. Com a criação de referenciais pela SEED, o número de pedidos de credenciamento aumentou, oito em 1998, e quatorze em 1999, sendo 80% destinados à formação docente. Essa concentração relacionava-se à diretriz que determinava que, a partir de 2006, apenas professores com formação superior ou treinamento em serviço poderiam atuar, o que, segundo o Ministério da Educação, gerou demanda por cerca de 700 mil novas vagas.

Em 1999, a ABED realizou nova eleição com chapa única. Após a posse, o vice-presidente Marcos Formiga destacou o crescimento do Congresso, mas ressaltou a necessidade de a ABED ampliar sua representatividade política. Nesse contexto, a ABED participou da criação da Frente Parlamentar de Educação a Distância no Congresso Nacional, instalada em 14 de setembro de 1999, com adesão de 73 parlamentares. Assim, a EAD começava a consolidar sua representatividade institucional no país.

Obras

(2015) - ABED 20 anos. (2012) - Educação a distância: o estado da arte. (2010) - Aprendizagem a distância. (2008) - Educação a distância. o estado da arte - Volume 1.

Prêmios (2014) - Prêmio por Conquistas ao Longo da Vida pelo OpenCourseWare Consortium (MIT). (2013) - Prêmio Personalidades da Tecnologia na categoria Empreendedorismo e Inovação na Educação. (2011) - Prêmio Jabuti. (2009) - Prêmio Jabuti. (2009) - Educador Internacional do Ano pela Associação Americana de Tecnologias Educacionais. Prêmio Personalidade do Ano em Educação a Distância da Associação Brasileira de Educação a Distância (ABED). Medalha de Honra ao Mérito Educacional, concedida pelo Ministério da Educação do Brasil.

Categoria:Professores da Universidade de Santo Amaro