Maria do Pilar de Jesus Barata Mourão-Ferreira (28 de dezembro de 1937 - Lisboa, 30 de junho de 2018), foi uma filóloga, política e dirigente portuguesa. Deputada à Assembleia Constituinte (1975), foi assessora e chefe de gabinete de governantes, bem como diretora do Gabinete de assuntos europeus e relações internacionais do Secretariado nacional da reabilitação e integração das pessoas com deficiência. Destacou-se quer na defesa e promoção dos direitos dos mais vulneráveis, em Portugal e no quadro Conselho da Europa (onde presidiu a Comités), da União Europeia e das Nações Unidas, quer a divulgar a obra e a preservar o vasto espólio literário do escritor e poeta David Mourão-Ferreira, com quem foi casada. Biografia Em 1965, conclui a licenciatura em Filologia Germânica pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Um ano depois casou com o escritor e poeta David Mourão-Ferreira, que, em 1959, havia sido seu professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, e com quem começou a namorar em 1964. Em 1975 e 1976, foi deputada à Assembleia Constituinte, eleita, nas primeiras legislativas em democracia, no sufrágio de 25 de abril de 1975, pela lista do Partido Socialista no círculo eleitoral de Lisboa. De 1976 a 1978, foi chefe de gabinete dos Secretários de Estado da Orientação Pedagógica e da Educação, e de 1979 a 1993, assessora do Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros do governo de Mota Pinto, tendo trabalhado na problemática da reabilitação e integração das pessoas com deficiência e na Comissão da Condição Feminina, tendo, a partir de novembro de 1982, integrado, como técnica superior principal, o quadro do Secretariado Nacional da Reabilitação, sendo de destacar ter, nesse contexto, organizado em 1983 o XV Congresso Mundial de Rehabilitation International, e, por esse motivo e «pelos conhecimentos , entusiasmo e muito esforço que vem dedicando» a tal evento recebeu, em 30 de setembro desse ano, Louvor do Secretário nacional do Secretariado Nacional da Reabilitação, no qual mais se acrescentou «É de justiça realçar a sua leal e continuada colaboração e o trabalho despendido na elaboração do programa preliminar do congresso já referido». De março de 1993 a março de 2001, exerceu, em comissão de serviço, o cargo de chefe de divisão no extinto Secretariado nacional da reabilitação e integração das pessoas com deficiência, e a partir dessa data e até 2004 (por decisão governamental dos Secretários de Estado adjunto do ministro do trabalho e da solidariedade e da administração pública e da modernização administrativa), como assessora principal da carreira técnica superior, do Secretariado nacional da reabilitação e integração das pessoas com deficiência, foi diretora do Gabinete de assuntos europeus e relações internacionais. No exercício desse cargo, representou Portugal no Conselho da Europa (onde presidiu a vários Comités), na União Europeia e nas Nações Unidas. . No âmbito da sua atividade internacional, merece particular menção a sua participação na Conferência Ministerial Europeia sobre Direitos humanos, do Conselho da Europa, realizada em Roma, em novembro de 2000, em que integrou a delegação portuguesa e foi presidente do Comité para a reabilitação e integração de pessoas com deficiência, bem como a sua participação, em representação do Ministério da Segurança Social e do Trabalho, na segunda sessão do Comité sobre a convenção internacional para proteção e promoção dos direitos e dignidade das pessoas com deficiência, ocorrida em Nova Iorque, de 16 a 27 de junho de 2003. De 2013 a 2018, foi, durante dois mandatos e por eleição, vice-presidente da mesa da assembleia geral da ASAS - Associação para Serviços de Apoio Social, instituição particular de solidariedade social, dirigida à terceira idade, mas que, para além do lar residencial, centro de dia e apoio domiciliário facultado aos seus utentes, igualmente desenvolveu ajuda à comunidade em situações de crise ou catástrofe, sendo de destacar a atribuição de bolsas de estudo e instrumentos de trabalho, visitas e apoio a bairros carenciados, em Lisboa e na sua periferia, e ainda do subsídio destinado à reconstrução de casas após o grande sismo dos Açores de 1980Conforme cópias das atas da assembleia geral da ASAS (Associação para Serviços de Apoio Social) e relações dos membros dos órgãos sociais da instituição, enviadas ao Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e arquivadas naquele departamento governamental, consultadas em 28 de agosto de 2025, bem como aos seus Estatutos publicados no Diário da República n.º 54 (IIIª Série), de 5 de março de 1977. miniaturadaimagem|Maria do Pilar Mourão-Ferreira (em baixo à esquerda), com as também dirigentes da ASAS (em cima da esquerda para a direita) Maria Manuela Furtado e Maria Rosa Gonçalves Ferreira e (em baixo da direita para a esquerda), Maria José Gama e Maria Amélia Furtado Luzes, Lisboa, 15 de novembro de 2012 Maria do Pilar participou em programas de televisão, recitando poemas do marido, e nesse mídia, bem como na imprensa escrita divulgou, com empenho, a vida e obra de David Mourão-Ferreira, em Portugal e no estrangeiro, sendo colaboradora da “Cátedra David Mourão-Ferreira” (Itália) e da Lusitânia, associação cultural sem fins lucrativos, fundada em 1987, com sede na Faculdade de Línguas e Literaturas Estrangeiras da Universidade de Bari, por iniciativa de um grupo de docentes e de estudantes italianos e portugueses com o objetivo institucional de “reunir as pessoas físicas e jurídicas interessadas em promover o conhecimento da língua portuguesa e das culturas dos países lusófonos”. Promoção e preservação que fez, quer em vida, quer após a morte de David Mourão-Ferreira, que deixou um enorme e valioso espólio literário, tendo sido Maria do Pilar, por si e em representação dos herdeiros, quem solicitou às entidades oficiais apoio, tendo em vista a organização do legado, e por via desse seu esforço, foi criada uma equipa, devidamente orientada e credenciada, chefiada por Teresa Martins Marques, que fora, na década de 1970, aluna de David Mourão-Ferreira, na cadeira de Teoria da literatura, no curso de Filologia românica, e estudiosa da obra do mestre, a quem coube a organização do acervo do escritor, que se encontrava nas duas casas em que Maria do Pilar e David residiam, em Lisboa, junto ao Campo Pequeno e, e em Cascais, na Quinta da Bicuda.

Faleceu, a 30 de junho de 2018, sem deixar descendência. Por ocasião do seu decesso a Assembleia da República, na sua reunião plenária de 12 de julho de 2018, guardou um minuto de silêncio e aprovou, por unanimidade, voto de pesar pelo seu falecimento, onde a dado passo se consignou:

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