Populismo centrista é uma forma de abordagem populista à política que não depende de ideologias, também sendo crítico do Estabelecimento político, mas sem extremismo. É personalista e anticorrupcão, além de criticar pontualmente a democracia liberal. Comumente encontrado no Centro e no Leste Europeu, o populismo centrista tende a ser menos favorável à União Europeia (UE), enquanto evita posições nacionalistas, anti-Ocidente e anticapitalistas. Conceitos similares incluem o populismo antissistema, o reformismo antissistema e o populismo de valência.

Antecedentes O populismo é frequentemente definido como uma ideia no âmbito de uma democracia liberal que define dois grupos principais: "o povo" e "a elite". Os cientistas políticos Robert A. Huber e Michael Jankowski observaram que o populismo pode ser visto em muitas formas e tamanhos. Eles observaram que "a elite" poderia ser retratada como o Estabelecimento político, a mídia, os empresários ou os cientistas. Segundo cientista político Cas Mudde, "o povo" também pode ter várias definições, o que significa que o grupo pode ser baseado em linhas étnicas, nacionais ou de classe. A retórica populista também poderia ser combinada com ideais de esquerda, de direita, ou de centro político. Apesar disso, o populismo é uma descrição contestada entre os acadêmicos; não há consenso entre eles sobre a definição do conceito de populismo.

Existem várias definições de populismo. Huber e Jankowski sugeriram que o populismo poderia ser descrito como um conceito "semelhante ao camaleão", considerando que pode ser "usado para muitos propósitos diferentes, [e] de diferentes maneiras em todo o mundo". De acordo com a estrutura de Mudde, que é a mais reconhecida entre os estudiosos, o populismo é frequentemente combinado com "ideologias densas", como nacionalismo, socialismo, ou neoliberalismo; o conceito populista central de "o povo" está sendo apresentado como uma força moralmente boa, enquanto "a elite" é frequentemente retratada como corrupta e egoísta. Michael Freeden argumenta que o populismo é incapaz de oferecer respostas a questões sociopolíticas e que, para ter sucesso, precisa, portanto, estar ligado a uma ideologia, como o socialismo ou o nacionalismo. Margaret Canovan sugeriu sete versões de populismo, dentre elas o "radicalismo dos agricultores", representado pelo Partido Populista dos EUA, a "ditadura populista", representada por Juan Perón, e o "populismo reacionário", representado por Enoch Powell.

Definicão Segundo os cientistas políticos Daniel Smilov e Ruzha Smilova, tanto o populismo centrista, quanto o de esquerda e o de direita se originam do "iliberalismo democrático". Populistas centristas promovem visões antissistema, personalistas e anticorrupção, ao mesmo tempo que criticam moderadamente a democracia liberal. Apesar disso, os cientistas políticos Zsolt Enyedi e Martin Mölder escreveram que os populistas centristas não representam um desafio à democracia liberal. Populistas centristas atacam a corrente política dominante sem aderir ao extremismo político. Eles não se baseiam em nenhuma ideologia política, em vez disso, alegando que são não ideológicos e antipolíticos, embora muitas vezes enfatizem o aumento dos padrões de vida. Eles também se concentram em questões como competência e probidade, em vez de questões políticas socioeconômicas e socioculturais. No caso dos europeus, também tendem a apoiar menos a UE, e são menos culturalmente conservadores do que os populistas de direita. Eles também são menos propensos a empregar o chauvinismo assistencialista em comparação com os populistas de direita; eles defendem a manutenção do sistema de bem-estar social existente.

Os populistas centristas são considerados antissistema, pois criticam os grandes partidos políticos estabelecidos, que consideram não representar "a vontade do povo" devido à alegada corrupção. Eles também rejeitam ideologias de esquerda e direita, criticam aspectos da democracia liberal, como separação de poderes, órgãos independentes e Estado de direito, e às vezes são vagamente nacionalistas, mas não rejeitam o pluralismo político. Essas posições são consideradas centristas porque foram concebidas para atrair a maioria dos eleitores. Os cientistas políticos Vlastimil Havlík e Aneta Pinková contestaram que os populistas centristas fossem nacionalistas. Grigore Pop-Eleches também escreveu que os populistas centristas evitam posições o de facto nacionalistas, anti-ocidentais ou anticapitalistas.

Na República Tcheca, os populistas centristas também o são tecnocráticos; argumentaram que os especialistas deveriam dirigir o governo ou que o governo deveria basear-se num modelo de negócio. Na Europa Central e Oriental, os populistas centristas também criticaram a transição pós-comunista liderada por liberais. Eles argumentam que a política na Europa Central e Oriental permanecerá não ideológica e que os partidos competirão em questões como competência e probidade moral. A cientista política Elena Cossu, no entanto, disse que as críticas à transição pós-comunista estão mais associadas ao populismo de direita e que os populistas centristas se associam mais ao sentimento anticorrupção.

Conceitos similares Em um artigo, os cientistas políticos Sarah Engler, Bartek Pytlas, e Kevin Deegan-Krause usaram o termo "partidos centristas anti-Estabelecimento" para se referir a partidos anti-Estabelecimento que não pertencem ao populismo de direita ou de esquerda. Engler disse que, portanto, partidos com uma plataforma política de centro-direita ou centro-esquerda também poderiam receber o rótulo de "partido centrista anti-Estabelecimento"; o termo é semelhante ao populismo centrista. Ela também explicou que tais partidos são conhecidos por suas visões antissistema e anticorrupção; eles diferem da direita radical por não promoverem a democracia iliberal, o etnocentrismo, e conservadorismo social, e da extrema-esquerda por não ser anticapitalista. Em vez disso, promovem a democracia e a economia de mercado.

Os cientistas políticos Seán Hanley e Allan Sikk também definiram "partidos reformistas anti-Estabelecimento" como um conceito semelhante ao populismo centrista. Eles argumentam que tais partidos defendem reformas no sistema político, usam retórica antissistema e são "genuinamente novos", ou seja, não são sucessores de nenhum partido parlamentar. Hanley e Sikk também acrescentaram que tais partidos aceitam a democracia e a economia de mercado, paralelamente não seguindo o iliberalismo ou o anticapitalismo.

Outro conceito semelhante, o populismo de valência, foi construído pelo cientista político Mattia Zulianello. Ele distingue o populismo de valência do populismo centrista por ter um posicionamento pouco claro sobre o espectro político esquerda–direita. Zulianello disse que o termo populismo centrista "refere-se ao centro ideológico ou geométrico do sistema partidário", enquanto que os populistas de valência promovem "questões não posicionais", como anticorrupção, moralidade, reforma democrática e transparência política. Eles também podem ser tecnocráticos.

Ver também

Centrismo radical

Fontes

Livros

Artigos de jornal

Periódicos

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